dois segundos sou tomada atravessa-me esse relâmpago de lucidez leva-me
esse abismo que se retém esse lume lento bravo essa coisa tão voluntária de carne e água
deambulando como se até estivesse perdida como se até
retornando por vício por destino inaprendido a um mesmo ponto de luz fixa alta imutável um cabo um farol algures abaixo dos meus pés
mil quilómetros a sul do meu corpo
onde sou o mundo perfeito onde sei que sou que serei sem tempo
o mundo perfeito