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domingo, abril 23, 2006

Pacheco Pereira e a sua bola de neve

Pacheco Pereira tem um ódio de estimação aos anónimos, o que advirá do facto de dar a cara. No caso dele, tanto faz. Tem poder. É inatingível. Aparece na televisão. E isto talvez seja o mais importante de tudo para se passar de besta a bestial: aparecer na televisão! PP tem vantagem em dar a cara e, na sua posição, não pode entender que não se dê. Os bloggers que dão a cara consideram-se uma elite da blogosfera. Também formam a sua aldeia global, conhecendo-se pessoalmente ou não, mas vigiando-se mutuamente. Porque têm regras, imensas regras.
O comum mortal, funcionário por conta de outrem, com algumas ideias, e capacidade para as exprimir, raramente pode existir na blogosfera sem um nick. Eu não poderia fazê-lo sem correr sérios riscos relativamente à manutenção do meu emprego. Prevalece enorme hipocrisia social sobre o que é a decência, o respeito e a responsabilidade. Qualquer destas noções, no pensamento tradicional, exclui a sexualidade, a emotividade, o entusiasmo exaltado, a divergência, a diferença, o egotismo, determinada expressividade não padronizada, não formal, em, suma, a matéria da arte, que depois procuramos nos outros para nos sentirmos, por minutos, livres, verdadeiros; para reconhecermos quem somos, para perceber que existimos.
Para sobreviver, temos precisado de nos robotizar em público. Podemos não o fazer, mas os custos serão elevados.
Os anónimos por detrás de nicks ou os outros anónimos-anónimos não são o problema da blogosfera; nem o pequeno chat do beijinho, do abraço, do bom fim-de-semana. Ou mesmo, o grande, quando os leitores tomam de assalto as caixas de comentários para realmente debater um assunto. Tenho aqui excelentes comentadores sem blogue, que lêem e comentam sem qualquer má intenção.
Um blogue é um espaço de autoria, melhor ou pior, e em redor da autoria sempre existiu corte. Era assim no século XVIII. Antes, muito antes. Sempre. Autor, os outros autores, corte de admiradores. Nesse contexto, surgem os parasitas, os tais bichinhos que vivem na sombra dos bichos maiores. Não é como no sermão de Vieira, porque são os pequenos que comem os grandes. Assim sobrevivem, e conseguem sentir-se, na sua pequenez, maiores.
O problema da blogosfera é o mesmo da vida: os outros são um risco, mas não é possível viver sem eles. Por vezes encontramos amigos que se revelam inimigos. Cortamos relações, afastamo-nos, afastamo-los, e se vierem bater à nossa porta é muito possível que não os deixemos entrar, porque na nossa casa só entra quem quisermos.



Pessoalmente, continuo a achar que as caixas de comentários devem estar abertas. Tal imediatismo de reacção e resposta distingue um blogue de uma publicação periódica em papel. A partir do momento em que a blogosfera se popularizou, impôs-se um rastreio a quem vem bater à nossa porta, pretendendo entrar na nossa casa. Não me permito ser incomodada pelos promotores da Tele 2 nem pelos fiéis Testemunhas de Jeová. Nos blogues, como na nossa casa, há razões para moderar os comentários: não extinguiremos os parasitas, que procurarão próxima vítima, mas podemos fechar-lhes a porta.
Gosto muito de blogues onde não posso comentar, e adoraria fazê-lo. Aborrece, porque, como sempre, paga o justo pelo pecador. Enviar mails dá mais trabalho. Considero o Abrupto um bom blogue e frequento-o periodicamente. Não tenho qualquer simpatia pelo Pacheco Pereira como político, mas não é isso que está em causa.
Os maus blogues proliferam. São incontáveis. Obviamente, não me lembraria de deixar comentários num mau blogue. Da mesma forma que raramente comento posts com que não concordo. Mas, se comento, não tenho como objectivo insultar quem os escreveu: não insulto, na vida, aqueles de quem discordo. Entro e saio. Mas lembremo-nos que, no trânsito, também estão os parasitas dos blogues. Devem ser os que me apitam quando paro no vermelho. Os que me fazem sinais de luzes quando vou a 120 na auto-estrada. O que é que posso fazer? Ignorá-los e seguir calmamente a minha vida. Na blogosfera, idem, idem.
Quanto ao Pacheco Pereira, o homem tem razão em quase tudo o que escreve na "Fauna". Pensar a blogosfera, interpelá-la, obrigá-la a rever-se, só pode fazer-lhe bem. Estamos no bom caminho.

(O link para o Abrupto, se ainda não têm, encontra-se aqui ao lado, na barra lateral direita.)

terça-feira, abril 18, 2006

Este blog é absolutamente contra-indicado...

... a machistas, a misóginos, a homófobos, a racistas, a tarados cheios de obsessões, a tarados que têm a mania que são o Diácono Remédios da blogosfera, a tarados que têm a mania que são melhores que eu em qualquer sentido(1), a ressentidos que só dizem asneira, a parvalhões de toda a espécie.
Declino qualquer responsabilidade em caso de congestão das artérias vasculares, paragem cardíaca, embolia, ataque de asma, entre outros.
Este blog é especialmente indicado para meninas, sensíveis, flexíveis e perfeitas, sempre bem-vindas e acarinhadas.


terça-feira, março 28, 2006

Galinhas vizinhas

Adorava ser uma grande boazonazona como a Rititi e a Bomba Inteligente, mas como agora estou mesmo sem tempo, vou comer uma sandes de queijo, enquanto faço o caldo verde e meto um frango a assar.

Lá fora no pátio

Informo que, pela primeira vez num ano, apaguei dois comentários no blogue. Chamavam-me puta com muitos "às" e muitos "dasse". Soou-me a pátio de escola básica e secundária e, inexplicavelmente, subiu-me ou desceu-me um arrepio pela espinha, coisa que nem sei explicar.
Por favor, quando quiserem chamar-me puta, chamem com alguma classe.
Não sei como interpretar isto, mas ou este blogue está a ficar conhecido demais ou sou mesmo uma puta com muitos "às". A primeira hipótese preocupa-me.

quinta-feira, março 23, 2006

Epopeia

Esteve quase a deixar um comentário noutro blogue, mas desistiu. Tinha de copiar e digitar wcjgwvib.
Escreveu.
Não tendo logrado sucesso na primeira tentativa, foi-lhe oferecida uma segunda. Só precisava escrever ildkmmn.

quarta-feira, março 22, 2006

Provedoria da blogosfera

A maior parte dos blogues que termina, termina com um quadro enigmático hiperrealista: uma janela ou uma porta abertas sobre o nada, um quadro negro ou branco, um poema sobre a morte, uma frase ou palavras líricas e enigmáticas, do género "houve, aqui", "epifania do éter", ou, preferida das preferidas, "para sempre".
Ando para aí um mês para perceber que aquilo acabou, e se nenhum outro blogue ou bloguer me informar, não dou por nada; é um post e pronto, que eu sou muito prosaica.
Quando acabam os blogues, se faz favor, avisem mesmo. Pode ser assim, "isto acaba aqui porque já não nos podemos ver uns aos outros", "isto acaba aqui porque a mulher do meu amante, ou o marido da minha amante vem cá todos os dias, e perdi a liberdadezinha", "isto acaba aqui porque tenho uma tese para escrever e não tenho tempo a perder". Aquilo que não se diz nunca fica dito, e gera mil equívocos. É chato.

terça-feira, março 07, 2006

Da importância mediática dos blogues


Tomamos consciência da importância mediática dos blogues ao perceber que os jornais começam a citá-los na colunas do "Diz-se".

Um blogue é, em primeira análise, um jornal de opinião, de letras, uma revista de fait-divers ou de reportagem especializada. Um blogue é uma edição.
Nunca na vida pensei chegar a directora editorial; pôr e dispor, e não aturar reclamações.
Gosto desta profissão.

segunda-feira, março 06, 2006

Um blog em directo nos Óscares

E, Crash... foi postando informação, toda a madrugada, conforme iam saindo os resultados, portanto leva o meu óscar para o melhor blog sobre Óscares. Informação é aqui.

quarta-feira, março 01, 2006

À consideração da provedoria dos blogs

Essa mariquice da verificação de palavras... ainda gostava que me explicassem para que serve. Têm consciência do sacrifício que é, para um disléxico, redigitar uma sequência de letras amalgamadas para conseguir deixar um comentário?

As músicas. Enfim, eu não tenho nada contra as músicas, mas que apanho sustos que não desejo a ninguém, apanho! Aparecem-me os sons, de repente, e ele é cada um... a primeira coisa que penso é sempre, "ai, que se me avariou a maquineta". Acho que uma pessoa que entra num blog deve poder escolher se quer ou não ouvir a música, tal como escolhe se quer ou não ler o texto tal. Um bom exemplo desse tipo de liberdade é o Descrita. Aproveitem para ler um link que o jmnk lá pôs sobre bebés no Zimbabwe.

Penitência

Cheguei à conclusão - só agora, oh meu Deus, só agora, como sou tardia em tudo! - que o Abrupto, tirando aquilo da early morning seca, é um excelente blog!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Da natureza dos blogs II

1. Leio poucos blogs.
2. Se gosto de um blog, não o largo.
3. Um bom blog, se não mudar de mãos, é bom sempre, mesmo nos maus dias do/a blogger.
4. Os blogs chatos e os blogs intelectuais (juntos ou em separado) são uma praga insuportável.
5. Este é um dos meus blogs de eleição. O Armando consegue um milagre que não está ao meu alcance: a diplomacia. Consegue ouvir e mostrar, mantendo distância sem se afastar. É arguto. Tem uma opinião, mas controla os ímpetos opinativos. Eu, a ser perfeita, havia de ser assim.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Ciúmes do blog

O meu afilhado, que já é crescido, perguntou-me o nome deste blog. Respondi, esperando que se esquecesse rapidamente. Não esqueceu, e eu tremi. Ainda tremo, mas que se lixe!
Compreendo que se iniciem blogs com o nomezinho de família estampado. É giro. Além disso, os blogs servem inúmeros objectivos. Eu, por exemplo, estou a pensar começar um totalmente dedicado a problemas de manicure. Gosto de saber que o Mexia é o Mexia, mas não o fazia; isto é uma actividade paralela e clandestina, e assim se deve manter. Nada de conhecimentos familiares; amigos, só aqueles que já não nada por nós; emprego, nem sonhem. Mulheres, maridos, namoradas e namorados, só na hora da morte, e se for mesmo necessário: morrem de ciúmes do blog. Já vi muito acasalamento começado num blog, acabar por causa do mesmo. É fatal.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Pela abertura de caixas de comentários!

Caros colegas Pacheco Pereira e Pedro Mexia,

solicito a vossa melhor atenção para o exposto:

um dos meus comentadores de culto, Luís-Sem-Acentos, pede-me que interfira junto de vós para que, graciosa e amavelmente, considerais abrir as vossas caixas de comentários.
Muito apreciador da blogosfera de cunho lisboeta, pretende este magnífico exemplar do povo barrosão comentar os vossos textos, sempre com palavras do vosso agrado, concordando sistematicamente com as vossas doutíssimas e espirituosas opiniões.
Pela minha parte, caros colegas, devo confessar a minha concordância com Luís-Sem-Acentos. Urge comentar os vossos animados blogs. Abri, pois, democraticamente, as vossas portas ao cidadão sem ordenado para sessões de psicanálise, e a quem a blogosfera serve perfeitamente para desabafar. Fazei como eu, que, levando nos cornos todos os dias, consigo, apesar do impacto, manter-me de pé.

Esperando ter servido, com justiça, os interesses do vulgar, contudo sedento, comentador blogosférico, subscrevo-me, caros colegas, manifestando o meu mais elevado apreço pelo serviço cultural que diariamente prestais à comunidade-blogger de Língua Portuguesa, e desejando, acima de tudo, ter conseguido mover a minha fortíssima influência, convertendo-vos à causa da "caixa de comentário aberta".

Os melhores cumprimentos,

quinta-feira, dezembro 22, 2005

A vida

Tenho com os blogs e a vida a mesma relação: todos os dias me apetece acabar. Todos os dias me apetece dizer "adeus, não volto mais. Tchau, meus queridos, estou farta."
Mas não o faço.
Ontem à noite, hoje de madrugada pensei, "vou acabar com isto, vou colar ali a imagem mais triste que tiver, a foto, um quadro, e escrever, adeus e o resto que se lixe. Não escrevo mais. Não tenho nada para dizer."
Mas não o faço.
Sei que no outro dia o Sol vai brilhar, vou atravessar a ponte com o céu azul, o carro vai estar quente como um ninho, e eu vou desejar regressar depressa a casa para escrever três posts de seguida, começando por, "Hoje vi pela primeira vez o Cristo-Rei!"
E não o faço.

Carteira de blogger actualizada

Percebemos que somos bloggers, que somos bloggers a sério, encartados, quando começamos a escrever directamente para a caixa de edição, sem corrector ortográfico. Quando ir ao word é uma chatice. Quando nos estamos nas tintas para as vírgulas, para a riqueza lexical: quando não substituímos um adjectivo. Quando escrevemos coisa, meti, fui, estou, era.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Como manter blogs a funcionar sem nada para dizer (procedimento)

Este post foi escrito assim:

- Escreve lá aí o que te vou ditar, vá!
- Ai, que parva, não vamos escrever nada... o que é que vais inventar agora?! Está mas é quieta, que não tens nada para dizer.
Pausadamente:
- Cala-te e escreve, "Dão..."
- Touriga o quê? Como é que isso se escreve?
Com muita calma:
- T-o-u... sim...
- Agora o que é que queres mais?
Entoando clara e neutramente:
- Selecciona, justifica, mete a minha cor... Espera... acrescenta... queijo de Serpa, marca... não se vê... mete DOP...
- O que é isso? Sabes quanto é que custou esse queijo?
Com voz suave e lenta:
- Não interessa, mete...
- Que chata, qual é a tua cor?
- Segunda fila a contar debaixo, primeiro azul da direita. Exactly!
- Título?
- Como é que se chamava aquilo a Baco? Dos rituais a Baco?
- Sei lá... bacanal?!
- Isso, põe...
- Tu não vais pôr esse título num
post...
- Não vou?! Escreve lá...
Ela abana a cabeça enquanto escreve o vocábulo.
Docemente, sem susto:

- Agora faz
publish... Mostra! Vai ser um sucesso, vais ver!
Agora bebe mais um copo e escreve um teu!

sexta-feira, outubro 21, 2005

O que faço aqui?

Leiam este blog de vez em quando, por favor.

Vem aqui tanta gente do Porto e do norte...!

Há actos que parecem insignificantes, mas que são tudo, que são o que nos justifica.

Hoje não me apetece escrever!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...