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terça-feira, abril 24, 2007

Corpo às avessas

Por que motivo me sinto um saco velho nos dias em que me arranjo para parecer bem, e naqueles em que não me arranjo, porque não preciso parecer bonita para ninguém, acho que não estou mal de todo?

sábado, novembro 25, 2006

Malditos genes

Uma verruga no centro da testa?! Uma verruga no centro da testa?! Mas como é que eu vou viver com uma verruga no centro da testa?!

Karma pesado

Queria escrever postes giros e inteligentes, mas não posso: a minha mãe, à hora do almoço, mandou-me estudar, hoje, e sem falta, a dieta do abacaxi e da alcachofra que vem no livro do Goucha, do programa do Goucha, e que todas as outras mulheres já fizeram.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Segundo pensamento na alba

O raio do soutien aperta-me nas costas; ao longo do dia, vai deixar-me um vinco escuro na carne; um vinco vernelho cor-de-carne torturada; logo à noite há-de picar-me a pele apertada, quando o tirar de repelão, como se já estivesse enterrado na pele, e hei-de ter nesse sulco uma comichão mórbida, que não poderei coçar até sangrar, apenas massajar com talco, massajar, massajar docemente as feridas do dia. Vai ser o meu cilício dissimulado sob a blusa. Para meu castigo de qualquer coisa. Que não quero fazer.

sábado, setembro 23, 2006

O corpo rasgado

Foto de Baciar

Não sei se tem importância, mas esqueci-me de te dizer que tenho as mamas atravessadas de cicatrizes. O peito, de um lado ao outro. As costas.
Podes segui-las com o fio da língua; considerá-las entretenimento adicional.



segunda-feira, agosto 21, 2006

O corpo é selvagem

O controlo sobre o nosso corpo é muito limitado.
Ele é que faz de nós o que quer. Podemos sujeitar-nos a cirurgias, mas o corpo arranjará forma de subverter a ordem interna dos nervos e músculos e vasos e transplantes de pele e tecidos; tiramos daqui, pomos acolá, mas o corpo destrói, reconstrói, porque lhe apetece de outra maneira, tem outros humores desconhecidos; sim, podemos tirar a laser os pêlos do peito, da barba, do buço, mas eles voltam sem barulho se tiverem de voltar, porque o corpo é selvagem, e nos planta sinais, e partes de si, excrescentes ou nem por isso, onde muito bem entende, sob e sobre a pele, e não há grande coisa a fazer.
Ou melhor, há, temporariamente, como tudo o que nós somos.

Filipa Gonçalves, transsexual, modelo, vinte e poucos anos, descobriu que tem celulite no rabo e nas pernas, como de ordinário numa mulher. Que é realmente uma mulher.
O agente afirma que a modelo vai agora sujeitar-se a um tratamento hormonal na Clínica Persona. Um tratamento hormonal? Que tipo de hormonas? Não vão injectar excesso de hormona masculina na rapariga, depois do que deve ter suado para se transformar na mulher que sentia dever ser, mas que não encontrava no seu corpo, pois não?
Filipa devia sentir-se feliz: celulite natural, finalmente! Então por que não está?

Apercebo-me de que os seres humanos nascidos com características sexuais masculinas, e que se sentem mulheres, não pretendem ser qualquer mulher, mas aquilo a que convencionamos chamar símbolos sexuais femininos. Pretendem ser o ideal ocidental, actual, de um corpo e comportamento de mulher, não uma mulher como as outras. Como eu, ou a menina dos correios.
Cabelos compridos batidos pelo vento, olhos rasgados, lábios carnudos, pernas longas e sem gordura, etc., etc. A love doll, a sex doll, a rubber doll... Pretendem ser um determinado objecto sexual e estético, raro, minoritário, e de curta duração. Logo, bastante caro. Mais ou menos como um futebolista, isto para que os leitores me entendam melhor. Que fique claro: de carreira curta como um futebolista que aos 30 está na fase final!
E é preciso pensar o que fazer depois, quando os músculos e a pele se cansam e caem. Quando o corpo já não reage aos tratamentos hormonais. Quando rejeita implantes. Porque é o corpo que aceita e rejeita o que lhe queremos acrescentar ou retirar.
Mesmo que o sujeitemos a uma disciplina férrea, e podemos fazê-lo, o corpo sente a ditadura, à qual obedece apenas enquanto não puder aproveitar a primeira fraqueza para escapar-se à prisão. O corpo lembra-me a selva: se lhe acimentarmos o solo, continuará a revolver-se, esticar-se, multiplicar-se por cima, e rebentará o lajedo, e transforma-lo-á em parte de si, porque a selva é o corpo selvagem. Somos nós.

O corpo não se domestica, por isso o corpo é bom.
O corpo faz de si o que quer: e, em alguns casos,... é bom. É justo. É lógico. É... democrático.

Cai, engelha, rasga-se, cicatriza-se; ser tão frágil; manter-se, assumindo novas formas, existindo sem o que teve, o que foi.
Convém pensar o que fazer com um corpo construído (ou não) para curta duração, a partir do momento em que se tem consciência que a sua sobrevivência depende do que rende enquanto corpo ideal, exemplar de estereótipos culturais e sexuais.

Gostaria de poder ver o tempo em que um homem pudesse sentir-se uma mulher, e sê-lo, no seu corpo de homem. Sem necessidade de sujeição a carnificinas cirúrgicas. E vice-versa. Vai acontecer. Sei que vai. A sexualidade elastificou-se, elastifica-se a cada segundo.
Gostaria que o corpo selvagem não precisasse adaptar-se ao que o mundo deseja ver nele, para seu reconhecimento.


Colecção John Galliano, 2006.
Foto de Márcio Madeira





terça-feira, julho 11, 2006

O nosso corpo é tão bonito

Mote: Sophia Loren, 71 anos, afirma sentir-se tentada a posar nua para revistas.

Preciso mandar emitir passaporte e renovar todos os documentos. Alterei o endereço; eu própria me alterei. Quando me pedem o BI, nas lojas, olham para a foto e para mim, para a foto e para mim, e mandam-me escrever a assinatura 3 vezes - sendo que a assinatura também mudou, e me custa imenso repeti-la igual à do bilhete.
Fui ao fotógrafo do bairro, expliquei-lhe o fim dos retratos: documentação. "Sim senhora, vamos já tratar disso!"
Lá me ajeitou contra o fundo azul, mandou-me sorrir, depois mostrar os dentinhos, e eu obedeci, porque queria ficar bonitinha. E disse-lhe mesmo, "espero ficar bonitinha!", ao que sorriu, cúmplice.

Esperei um bocado, fui ao café, e regressei para levantar o trabalho, já pago. Abri a capa de cartão contendo as fotos e deparo-me com uma mulher desconhecida. A mesma roupa, as mesmas cores de olhos e cabelo, mas não era eu. O cabelo tinha brilho de bebé, bem como os dentes (que até me esquecera de lavar!), e, milagre dos milagres, não tinha quaisquer sinais particulares na cara; nem manchas nem olheiras nem papos nem rugas de expressão. Tudo apagado. Apreciei o efeito da pele sem sardas. Gostei. O problema é que não era eu. Não sou. Aquilo não pode servir para documentação alguma.
Mas trouxe as fotos, emudecida, fascinada. Não reclamei. Queria aquele objecto estranho criado a partir do meu rosto.
Mostrei a toda a gente, e foi risota geral. Podia publicá-la aqui, que não me reconheceriam na rua. Fiquei gira. Roubou-me uma data de anos. Fiquei mais composta, mais formal. Pareço uma senhora. O problema é que não sou eu.
Quero as minhas manchas na pele, as minhas olheiras e papos. Quero reconhecer-me.
Duas horas depois fui a uma máquina de fotos tipo-passe, das que encontramos nas estações de transportes, meti as moedas, sorri para o vidro, e saíram 4 retratos escuros e manchados. Era eu. Não era tão bonita nem tão certinha nem tão perfeita, mas era eu, bolas, e respirei fundo, e fiquei sossegada. Não quero ser bonitinha. Quero apenas ser eu.


J. Saudek, The mother, 1976

domingo, março 05, 2006

Eles gostam muito de celulite

Uma campanha publicitária a certa clínica estética enche as ruas de Lisboa com cartazes exibindo a foto de uma jovem, alta, magra, bronzeada, de longos cabelos dourados mexidos pelo vento, biquini preto, saltos agulha, óculos escuros, acompanhada por um dos seguintes slogans: “Perca peso, ganhe saúde” ou “Eles não gostam de celulite”.
Podiam ter pedido uma foto à Margarida da Abraço, que emagreceu imenso, e é uma figura pública. Ou à Inês Pedrosa. Ou a um homem. Talvez tivesse saído mais barato. Talvez resultasse melhor. Talvez fosse mais saudável.
Acontece que tal campanha não foi feita para homens, mas para mulheres, por causa dos homens. Para se imiscuir pelas frechas de insegurança física por onde é muito fácil introduzirem-se os discursos que apelam a um modelo de corpo como garante de sexo, e ao sexo como garante de normalidade social, porque, à partida, ninguém está totalmente satisfeito com o que aparenta.




Tiziano, Vénus recreando-se com música

O discurso publicitário considera-se amoral. Pela minha parte, considero-o, frequentemente, imoral e, acrescidamente, bestial. Esta campanha publicitária, em particular, é um bom exemplo disso. Veicula preconceitos, estereótipos, discrimina e engana. É muito má. É um exemplo do pior que se pode fazer em publicidade.
A imagem do outdoor apela ao que há de mais negativo no culto do corpo; a imposição da imagem de série. A negação do DNA.
“Perca peso, ganhe saúde” parece-me um slogan bastante sensato, desde que nunca acompanhado de um modelo de corpo inacessível ao público-alvo. Aquele corpo de mulher, alta, sem gordura, longilíneo, corresponderá a uma por mil das mulheres portuguesas?
Não se trata de uma imagem que faça o culto da saúde, porque a menina não está a roer uma cenoura nem a praticar ciclismo, nem a descansar à sombra, mas de pé, assente, o mais possível, numa das pernas, para que se confirme, como na outra da bilha do gás, que não há ali uma grama de reserva adiposa. Trata-se de hedonismo explícito e descarado, de culto por um padrão de beleza discutível: aquele, e só aquele. Aquela mulher impossível, ficcionada e desnecessária.
Tenho imensa pena, mas alguém precisa dizer aos responsáveis pela referida clínica, e lá terei de ser eu!, que embora passe a vida a refilar por causa das minhas pernas, do meu rabo e da minha barriga, não quero ser aquela mulher nem que ma ofereçam. É muito feia. Não gosto nada. Tenho muita pena, mas prefiro a minha celulite, gosto do meu rabo e quero a minha barriga.



Rubens, As Três Graças

As mulheres têm celulite; se os homens não gostam, temos muita pena, virem-se para os do mesmo sexo; os que não tenham celulite! Ou encomendem uma moça das da permilagem. Se houver disponível.
Temos muita pena, mas as mulheres, após a puberdade, ganham gordura no rabo, nas ancas, nas pernas. É a vida. É mesmo a vida, no seu sentido mais literal.
Uma rapariga de 20 anos que não pratique natação 18 horas por dia, tem celulite. Não é uma doença. É celulite. Pode fazer-se muito desporto e nunca arranjar pernas como as da menina do cartaz. A Rosa Mota, coitadinha, corria que se fartava, e não devia ter celulite, mas também não me consta que tivesse pernas propriamente sensuais.
Ora, está completamente fora de cogitação, a não ser que se tenha uma grande tara por desporto ou pelo que se consideram ser os atractivos sexuais da sociedade contemporânea, passar o dia na piscina a nadar mariposa, para que eles gostem mais de nós por mor do músculo hiperdesenvolvido.




Rubens, O Rapto das Sabinas

Claro que este discurso imagético afecta homens e mulheres, impondo-lhes um modelo a seguir, criando enorme insatisfação relativamente ao corpo que se possui, e gerando pressões para mudar o quase sempre é imutável e irresolúvel – o que aquilo nos vem dizer é “está-se a aproximar o tempo do biquini, portanto toca a passar fome e a gastar dinheiro no nosso institutozinho em ginástica passiva e drenagem linfática”; o que aquilo nos vem dizer é “se não emagreces, não arranjas companheiro, e estás lixada, porque não tens homem para passear contigo no centro comercial e oferecer-te a caneca com corações no dia dos namorados; e o teu marido vai trair-te com outra qualquer, que também terá celulite, mas isso a gente não quer que saibas (a parte da celulite, porque o medo da outra convém-nos).
Claro que já somos crescidos e espertos, descodificamos facilmente os mecanismos de bastidores que impelem o nosso cérebro ao consumo. Mas isso não desfaz o efeito de uma frase associada a uma imagem que, lida, vista, nos vai perseguir o resto do dia: eles não gostam de celulite, eles não gostam de celulite.



Bronzino, Vénus, Cupido, a Loucura e o Tempo

Se isto afecta adultos, imaginemos o efeito sobre quem procura modelos para a criação de uma identidade psicossocial e sexual: os adolescentes. Muitas meninas de 13 anos vão deixar de comer por causa desta campanha. E isto parece-me grave. Não é essa falsa lição sobre corpo e a beleza que eu quero para as raparigas e rapazes de 13 anos. E, não desejando voltar aos tempos do lápis azul, parece-me que o Estado devia regular este tipo de discursos potencialmente insanos e discriminatórios.

Para além de que é mentira! Eles adoram celulite. Pelam-se por celulite. Gostam todos os dias. Oh, se gostam!
Mas que não gostassem...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Quero as cicatrizes

Cansei-me de meninos e meninas bonitos, todos iguais. Sem uma marca na cara, sem uma unha partida, ou uma fralda de fora, uma t-shirt amarrotada.
Cansei-me de meninos Gant, de meninos Massimo Dutti, de meninos River Wood.
E da Gisele Bundchen, Martina Klein, Heidi Klun, Adriana Lima. Não as distingo! As mesmas pernas, as mesmas mamas, a mesma anca, os mesmos rostos de produção em série!









Lá terei de usar este impertinente advérbio: antigamente. Antigamente a História corria igual, mas Marilyn Monroe não se confundia com Elisabeth Taylor; há 10 anos ainda era possível distinguir a Claudia Schiffer da Cindy Crawford.









A beleza está nos sinais particulares, no que nos distingue uns dos outros. Gosto da cara do Seal. Dos cabelos despenteados do Jorge Palma. A Laetitia Casta é um monumento porque tem os dentinhos tortos, e o resto, claro, aquele resto absolutamente redondo e macio. A Zeta-Jones é um avião de longo curso, daqueles com segundo andar, e terceiro; não, a Zeta-Jones é o Concorde. Eu sei lá, a Zeta-Jones ultrapassa a velocidade do som! Agora, aquela menina sem sal do Match Point. Como se chama? Não interessa. É a girl next door, com a sua boquinha de lábios felacionistas, como os outros lábios felacionistas.
Quero sinais na cara, cicatrizes nos braços. Quero as pessoas que se enganam, que se esquecem. Mostrem-me um bocado de vida vivida, e que o corpo a prove. E o espírito. Um carro não está lá fora na rua sem levar riscos, amolgadelas, sem a antena roubada. É a vida!
Estou farta dos magros, e dos altos, louros de olhos azuis, cabeludos. Venham os gordos, os baixos, os morenos de olhos escuros; venham os carecas. Uma ordem de beleza diversa, muito diversa, mas já não este ideal ariano, primeiro ocidental, depois universal.
Estou tão farta de gente igual.


terça-feira, fevereiro 07, 2006

O primeiro rosto



Isabelle Dinoire, uma francesa de 38 anos, perdeu nariz, lábios, queixo e parte do rosto, há cerca de dois anos. O seu cachorro, um Labrador, arrancou-lhos enquanto dormia. Isabelle tomava sedativos, pelo que não acordou, não sentiu qualquer dor. Estranho comportamento, o do cão, mais tarde abatido: atacar alguém que dorme. Muito estranho mesmo: um Labrador? Um cachorro Labrador? Teria fome e queria acordá-la? Julgou-a um boneco de borracha? Um acesso de loucura, problema que o cruzamento entre algumas raças e consaguinidades gerou? Não saberemos nunca, porque aos animais não foi dado o poder do verbo, sendo acrescidamente abatidos sem julgamento.
Sabemos isto, apenas: Isabelle acordou sem rosto, e, querendo fumar, não percebeu por que motivo não conseguia segurar o cigarro na boca; vendo-se ao espelho, descobriu, em terror, que a sua cara se transformara numa cratera ensanguentada.

Isabelle foi operada o mês passado: uma operação arriscada, polémica e muito mediatizada. Era ético? O seu rosto aceitaria ou rejeitaria os novos tecidos? Podemos, a partir de agora, realizar transplantes de rosto, comprando o de uma Catherine Zeta-Jones muito probrezinha, e deixando-lhe, em troca, o nosso, que nunca nos agradou - porque a verdade é que o que é nosso, por muito lindo que seja, nunca nos agrada?!
Ultrapassemos a questão ética. O rosto de Isabelle não rejeitou, até agora, os novos tecidos, e esta pode sair à rua, olhar-se, ser olhada. Viver de novo. Considerando que tomava sedativos de tal ordem, que a colocavam num estado de morte em vida, situação que permitiu ser comida, sem sentir, é possível que se trate, agora, de viver pela primeira vez. Há males que vêm por bem!
Agrada-me este final feliz; que positivo tudo isto se revelou para Isabelle, para a equipa médica que a operou e acompanhou, para a ciência, para todos nós.
Isabelle Dinoire possui, de novo, um rosto. Provavelmente, o seu primeiro, o mais verdadeiro, o único, o que reconhecerá o resto da vida. Não é apenas seu, o dos genes herdados, mas uma espécie de "miscigenação" genética induzida. Em última análise, body art! Melhor, body science-art! Nunca, como hoje, a transdisciplinaridade foi tão palpável. Ciências-Artes Plásticas-Filosofias-Poesias-Religião...
Eis a construção de um rosto. De um corpo, afinal. Ser o que é, mas ser, também, ao olhar-se, agora, a outra.
Ninguém sabe o que é perder um rosto e poder recuperá-lo, sendo outro. Que identidade tão especial!
Ninguém sabe, ainda, para que serve um corpo. Nunca soubemos. No novo mundo, aprendê-lo-emos. Este é já o novo mundo!

Os mais belos corpos do mundo

Fotografias - Laurie Toby Edison










Fotografia - Albert Couturiaux











sexta-feira, outubro 07, 2005

Decoração-a-dias

paradoxal amar um corpo próprio alheio gizado a cicatrizes
um corpo território a colonizar terra oferecida às queimadas às lâminas aos arados aos caboucos abertos para novos edifícios
um corpo sulcado
este corpo decorado
o que vale um corpo

terça-feira, outubro 04, 2005

O meu corpo, outra vez

Não consigo imaginar-me noutro corpo.
Como tocaria as cicatrizes profundas da mama direita? E os dois sinais grandes no abdómen? As manchas e sardas do rosto? Os vincos muito sulcados nas palmas das mãos e dos pés?
Sei viver neste corpo e em mais nenhum, porque nenhum outro é meu nem sou eu. E eu gosto do meu.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...