
Saramago é um homem amargo, mas não doido. Permite-se afirmar o que lhe der na veneta, do alto dos seus 85 anos, do seu prémio Nobel, e em bicos de pés sobre o valor da sua invejável obra.
A sua visão futura de uma Ibéria não me parece uma utopia, mas o caminho muito provável da província antes chamada Lusitânia. Pensando na nação em que Espanha se tornou, economica, social, culturalmente teríamos tudo a ganhar. Seria a árvore das patacas. O Brasil. Trabalhar-se-ia, mas havíamos de ver os frutos maduros bem redondos nas mãos.
Lamento, mas Portugal, tirando o valor maior da língua e do legado cultural, dentro de portas e além-mar, sim, isso é verdade!, é um país que não se justifica. Uma miudeza que não adianta. Um enorme equívoco sem remendo à vista.
Somos um povo mal e porcamente governado por uma democracia sucedânea da pior aristocracia, roubando-nos, sem escrúpulos, o pão nosso de cada dia para alimentar vícios de cortesãos. Vivemos desavindos, porque em casa onde não há pão todos ralham e poucos têm razão. Padecemos de depressão colectiva endógena. Transformaram-nos em mortos-vivos. Somos pequenos. Sentimo-nos pequenos.
Sinceramente, eu entro e saio de Espanha como se fosse ao Algarve e voltasse, mas com maiores benefícios. E em Espanha nem tenho de falar tanto inglês, o portunhol serve-me perfeitamente.
Se me incomodaria ser ibérica, desde que pudesse manter o Português como minha primeira língua, e os meus hábitos, a minha cultura? Desde que pudesse comer a minha cebolinha portuguesa, o meu nabo, a minha cenoura, a minha batatinha? Oh, não permitam que me pergunte isto uma segunda vez!
A sua visão futura de uma Ibéria não me parece uma utopia, mas o caminho muito provável da província antes chamada Lusitânia. Pensando na nação em que Espanha se tornou, economica, social, culturalmente teríamos tudo a ganhar. Seria a árvore das patacas. O Brasil. Trabalhar-se-ia, mas havíamos de ver os frutos maduros bem redondos nas mãos.
Lamento, mas Portugal, tirando o valor maior da língua e do legado cultural, dentro de portas e além-mar, sim, isso é verdade!, é um país que não se justifica. Uma miudeza que não adianta. Um enorme equívoco sem remendo à vista.
Somos um povo mal e porcamente governado por uma democracia sucedânea da pior aristocracia, roubando-nos, sem escrúpulos, o pão nosso de cada dia para alimentar vícios de cortesãos. Vivemos desavindos, porque em casa onde não há pão todos ralham e poucos têm razão. Padecemos de depressão colectiva endógena. Transformaram-nos em mortos-vivos. Somos pequenos. Sentimo-nos pequenos.
Sinceramente, eu entro e saio de Espanha como se fosse ao Algarve e voltasse, mas com maiores benefícios. E em Espanha nem tenho de falar tanto inglês, o portunhol serve-me perfeitamente.
Se me incomodaria ser ibérica, desde que pudesse manter o Português como minha primeira língua, e os meus hábitos, a minha cultura? Desde que pudesse comer a minha cebolinha portuguesa, o meu nabo, a minha cenoura, a minha batatinha? Oh, não permitam que me pergunte isto uma segunda vez!



