sábado, agosto 25, 2007

Pão ou dor, tanto faz

Pain. De um dia para o outro, o vocábulo apareceu grafitado numa parede aqui ao lado.
Li à francesa [], considerando-o o suprasumo dos grafitis: pão: farinha amassada com água e sal, e nada mais. Tudo o que há para dizer numa única palavra: pão. Todas as lutas, todas as tréguas.
Mas tratava-se de um grafiti a negro, com caligrafia dura, pelo que o repensei: provavelmente estaria em inglês [peine]". Não vejo que os miúdos do bairro se ofereçam grandes ímpetos poéticos e filosóficos. Enfim, a poesia da rua... Encontro, então, mais sentido na segunda versão: dor. A que nos é infligida. A que infligimos. E desgostei.
De seguida, num exercício gratuito, inevitável, relacionei semanticamente os vocábulos homónimos nas diferentes línguas, e considerei que, especulativamente, algo os ligava: em todas as línguas o pão se conquista com dor. Ou não se conquista. Mas a dor permanece. Matizes, níveis de dor. Mas dor. Portanto, pão ou dor, tanto faz. O grafiti é perfeito.


sexta-feira, agosto 24, 2007

Eu nunca matei uma galinha, mas...

Como não achar graça às minhas amigas nascidas depois de 74, as quais, após tirar a pele ao frango cru, exclamam, muito aliviadas, o rosto ainda em esgares, já merecerem todo o céu e arredores?


Embora as use há 30 anos...

Como esfregar os olhos, saborosa, descontroladamente, sem que nos caia uma lente de contacto, ou se entale toda na pálpebra?

A única dieta capaz de desvirtuar uma montra de pastelaria


Comer de duas em duas horas. Alcachofra. Quitosano. Chá Verde. Chá vermelho. Chá de 324 marcas e compostos diferentes. L-Carnitina. Puehr. Algas. Glucomanato. Cáscara sagrada. Eficazes químicos inibidores do apetite. Tudo mentira. Quando gostamos de comer não há dietas indolores e eficazes, capazes de nos fazerem rejeitar o cheirinho de um croissante morno, estaladiço, que se deseja desfazer entre a língua e os dentes; um pastel de nata moreninho, com açúcar e canela; o bacalhauzinho frito, da mamã, com molho de cebola, mais batatas fritas impregnadas em azeite. Nada. Dieta nenhuma. Como valorizar um orgasmo colocando-o ao lado de um cozinhado da mamã?! O cozinhado da mamã dura mais, é simultâneo, e não exige preparativos nem trabalhos forçados. Quem fala nem sou eu; é o meu corpo por mim. E, oh, como o meu corpo tem espaço por onde se exprimir!
Apenas uma única dieta pode apresentar sucesso, levando-nos a odiar o rissol de camarão e a fugir do cheiro de uma inofensiva posta de pescada cozida. Infelizmente, é atribuída por sorteio, sendo, portanto, o seu objecto, completamente aleatório: chama-se vírus gastrointestinal do género do que apanhei nas férias e me mantém a chá e maçãs cozidas desde há 3 dias.

quarta-feira, agosto 22, 2007

As férias da corja

Este mês tenho andado invulgarmente feliz e bem-disposta. Ontem, ao ver o telejornal, percebi porquê: não são apenas as minhas férias: não, não. É que não tenho visto o Sócrates nas notícias, nem a ministra da educação nem o da saúde, e o resto dos hipócritas. Apenas o ministro da agricultura empunhando a maçaroca transgénica. As férias da corja dão-me saúde.


segunda-feira, agosto 20, 2007

Nas férias

É chato obrigar as pessoas a ler dossiers sobre milho transgénico, e a consultar páginas do google em inglês. Férias são férias.


domingo, agosto 19, 2007

O peso do ser insular

Alberto João Jardim acabou de ler A Insustentável Leveza do Ser e está agora de volta do livro da Zita Seabra.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...