Fotos de Mary Ellen Mark
terça-feira, setembro 11, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
10 secas de morte
José Carlos Barros, do Casa de Cacela, pede-me que indique os dez livros que NÃO mudaram a minha vida. Para despachar isto sem delongas, apresento uma lista de dez pincéis que me ocorrem instantaneamente - há quem lhes chame grandes obras; a mim, aborrecem-me de morte. Sinceramente, se não tivessem sido escritos, nunca lhes teria sentido a falta:
- Lusíadas, Luís de Camões
- Sermões, Padre António Vieira
- Mensagem, Fernando Pessoa
- Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco
- Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett
- Memorial do Convento, José Saramago
- Capitães da Areia, Jorge Amado
- Dom Casmurro, Machado de Assis
- O Amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence
- Madame Bovary, Gustave Flaubert
Passo aos seguintes amigos e amigas da blogosfera: Cecília R., do Aspirina B; Siona, do FishSpeakers; Suroeste, do Nubosidade Variábel; jmnk, do Descrita e Miguel Marujo, do Cibertúlia.
- Lusíadas, Luís de Camões
- Sermões, Padre António Vieira
- Mensagem, Fernando Pessoa
- Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco
- Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett
- Memorial do Convento, José Saramago
- Capitães da Areia, Jorge Amado
- Dom Casmurro, Machado de Assis
- O Amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence
- Madame Bovary, Gustave Flaubert
Passo aos seguintes amigos e amigas da blogosfera: Cecília R., do Aspirina B; Siona, do FishSpeakers; Suroeste, do Nubosidade Variábel; jmnk, do Descrita e Miguel Marujo, do Cibertúlia.
domingo, setembro 09, 2007
Aos fabricantes de papel higiénico sensitive impregnado com loção de aloé vera

A gente compra-o para o levar no saco de férias, a tiracolo, juntamente com os batons, o hidratante, o de cor e o gloss, o soro fisiológico para olhos cansados das lentes de contacto, as pílulas contraceptivas, o anti-depressivo, o Ben-U-Ron, o anti-ácido, a escova, os óculos de sol, o spray limpa-óculos, o cartão de crédito e o resto dos documentos, a agenda, o bloco de apontamentos, as esferográficas, o livro que andamos a ler, o lápis para sublinhados, o porta-moedas, as chaves, e a primeira vez que o usamos descobrimos que para andar com o rabo húmido mais vale não o limpar.
Aos jornalistas interessados em questões de género

Como detesto notícias sobre mulheres que singraram em "mundos tradicionalmente masculinos", mantendo-se, apesar de tudo, femininas num mundo de homens e máquinas! É um destaque que as singulariza negativamente, que faz dela seres excepcionais, invulgares, procurando-se, embora, justificar a alegada excepcionalidade, ao acrescentar informação sobre a manutenção dos hábitos feminis: roupa, acessórios, maquilhagem. Por outras palavras, exercem num mundo de homens, mas, sosseguem as hostes, não são homens.
Objectivamente, parece que os profissionais de informação estão a fazer grande coisa pela política da igualdade de género, mas, subjectivamente, o que o nosso cérebro compreende é exactamente o contrário; tal tratamento de excepção continua a veicular, entre-linhas, a mensagem do que "não é normal". Contraproducente.
O que eu e as outras mulheres pretendemos é que mecânicas, canalizadoras e ladrilhadoras deixem de ser notícia, embora nos interesse continuar a vê-las integradas em reportagens ordinárias sobre o mundo do trabalho.
Isso, sim, seria uma bela ajuda. Isso, sim, seria avançar.
Objectivamente, parece que os profissionais de informação estão a fazer grande coisa pela política da igualdade de género, mas, subjectivamente, o que o nosso cérebro compreende é exactamente o contrário; tal tratamento de excepção continua a veicular, entre-linhas, a mensagem do que "não é normal". Contraproducente.
O que eu e as outras mulheres pretendemos é que mecânicas, canalizadoras e ladrilhadoras deixem de ser notícia, embora nos interesse continuar a vê-las integradas em reportagens ordinárias sobre o mundo do trabalho.
Isso, sim, seria uma bela ajuda. Isso, sim, seria avançar.
sexta-feira, setembro 07, 2007
Os heróis da heroína
A realidade tornou-se o meu programa de humor favorito. Ultimamente, não consigo ver as notícias sem me desmanchar a rir.
Os toxicodependentes de longo curso que aderem aos kits de injecção distribuídos pelo Estado, os quais são constituídos por seringa, soro, preservativo (que serve de garrote!), carica e ácido cítrico, como substituto do limão, não usam o ácido porque têm ouvido dizer que o ácido, pá, o ácido faz mal ao organismo.
Os toxicodependentes de longo curso que aderem aos kits de injecção distribuídos pelo Estado, os quais são constituídos por seringa, soro, preservativo (que serve de garrote!), carica e ácido cítrico, como substituto do limão, não usam o ácido porque têm ouvido dizer que o ácido, pá, o ácido faz mal ao organismo.
Estranhos bichos

O comportamento homicida, e criminoso, de forma geral, e a psicologia forense, fascinam-me tanto quanto a observação e análise dos comportamentos humanos vulgares. Que estranhos bichos somos nós?
Julgo que a maior parte dos homicidas nunca teve intenção de cometer o acto que o condena. O que faz o homicida não é o acto assassino em si, o qual acontece frequentemente por acidente ou precipitação, mas a ocultação do crime, a forma como se desfaz do cadáver e cria álibis e ficções.
A rapariga que regou o namorado com ácido sulfúrico, em 2001, não terá pretendido matá-lo, mas desfigurá-lo, magoá-lo profundamente; no entanto, matou-o. Foi um acidente que não faz dela exactamente uma assassina, apenas uma agressora - embora tenha sido a responsável pela morte de uma pessoa, e deva responder por isso.
O tio de Joana não teve intenção de matar a sobrinha. O homem só queria "coiso" com a irmã, prática habitual que a miúda testemunhou sem querer. A Joana morreu porque levou uma bofetada fortíssima, bateu com a cabeça na parede e caiu fulminada. O problema começa no momento em que tio e mãe percebem que a criança morreu e pretendem esconder o acto, inventando uma história mal amanhada.
O que aconteceu, lembra-me algo que se passou comigo aos 13 anos, e cuja culpa carrego desde esse dia, sentindo ainda uma vergonha estúpida, uma vez que o acontecimento, em si, não teria gravidade alguma se tivesse sido assumido.
Fui passar uma semana a casa de uns tio-avós, pessoas nos seus setentas, sem filhos, muito sérias, muito rigorosas, cuja casa parecia uma sacristia forrada a plástico, com as salas fechadas para não se sujarem - eu tinha-lhes medo, sobretudo à minha tia, um velho abutre, e sentia necessidade de me portar bem.
Havia na casa uma boneca bailarina, um objecto que me chamava a atenção, e que manuseava com cuidado, pois sabia tratar-se de um bibelot de estimação. Era um bibelot, recordo agora, não propriamente uma boneca de brincar. Sem querer, uma tarde, no quarto de trás, voltado para a fábrica de vidro - consigo lembrar-me da luz amarela desse início de Setembro -, parti ou desloquei um membro à boneca. Ou um braço ou uma perna ou a cabeça. Tentei reparar a peça, mas não foi possível. Talvez pudesse ser reparada; creio que sim, mas não por mim. Senti um medo indescritível. Não queria que me ralhassem. Que me desprezassem. Condenassem. A minha reacção foi exactamente igual à do tio de Joana: como é que havia de me ver livre daquilo? Olhando à volta, e num curto espaço de tempo, decidi escondê-la num armário embutido na parede, em cima, junto ao tecto, entre colchas e cobertores. Aí deixei a boneca entalada entre panos. Durante o resto das férias vivi assaltada pelo medo de que o meu crime fosse descoberto, e até à morte do meu tio, há uns dez anos, esperei que alguém me falasse na boneca que espatifei.
E se fosse uma criança? Se houvesse ali um bebé, e, brincando com ele, o deixasse cair, e fosse responsável pela sua morte? Tê-lo-ia escondido no armário de cima até feder?
Tenho a ideia que todos os seres humanos se tornam crianças quando percebem ter cometido falhas muito graves. Têm medo, e o medo torna-os irracionais, maximizando a asneira. Somos todos muito parecidos. Há pessoas más, mas a maior parte de nós é apenas uma pessoa, o que já é demais.
Julgo que a maior parte dos homicidas nunca teve intenção de cometer o acto que o condena. O que faz o homicida não é o acto assassino em si, o qual acontece frequentemente por acidente ou precipitação, mas a ocultação do crime, a forma como se desfaz do cadáver e cria álibis e ficções.
A rapariga que regou o namorado com ácido sulfúrico, em 2001, não terá pretendido matá-lo, mas desfigurá-lo, magoá-lo profundamente; no entanto, matou-o. Foi um acidente que não faz dela exactamente uma assassina, apenas uma agressora - embora tenha sido a responsável pela morte de uma pessoa, e deva responder por isso.
O tio de Joana não teve intenção de matar a sobrinha. O homem só queria "coiso" com a irmã, prática habitual que a miúda testemunhou sem querer. A Joana morreu porque levou uma bofetada fortíssima, bateu com a cabeça na parede e caiu fulminada. O problema começa no momento em que tio e mãe percebem que a criança morreu e pretendem esconder o acto, inventando uma história mal amanhada.
O que aconteceu, lembra-me algo que se passou comigo aos 13 anos, e cuja culpa carrego desde esse dia, sentindo ainda uma vergonha estúpida, uma vez que o acontecimento, em si, não teria gravidade alguma se tivesse sido assumido.
Fui passar uma semana a casa de uns tio-avós, pessoas nos seus setentas, sem filhos, muito sérias, muito rigorosas, cuja casa parecia uma sacristia forrada a plástico, com as salas fechadas para não se sujarem - eu tinha-lhes medo, sobretudo à minha tia, um velho abutre, e sentia necessidade de me portar bem.
Havia na casa uma boneca bailarina, um objecto que me chamava a atenção, e que manuseava com cuidado, pois sabia tratar-se de um bibelot de estimação. Era um bibelot, recordo agora, não propriamente uma boneca de brincar. Sem querer, uma tarde, no quarto de trás, voltado para a fábrica de vidro - consigo lembrar-me da luz amarela desse início de Setembro -, parti ou desloquei um membro à boneca. Ou um braço ou uma perna ou a cabeça. Tentei reparar a peça, mas não foi possível. Talvez pudesse ser reparada; creio que sim, mas não por mim. Senti um medo indescritível. Não queria que me ralhassem. Que me desprezassem. Condenassem. A minha reacção foi exactamente igual à do tio de Joana: como é que havia de me ver livre daquilo? Olhando à volta, e num curto espaço de tempo, decidi escondê-la num armário embutido na parede, em cima, junto ao tecto, entre colchas e cobertores. Aí deixei a boneca entalada entre panos. Durante o resto das férias vivi assaltada pelo medo de que o meu crime fosse descoberto, e até à morte do meu tio, há uns dez anos, esperei que alguém me falasse na boneca que espatifei.
E se fosse uma criança? Se houvesse ali um bebé, e, brincando com ele, o deixasse cair, e fosse responsável pela sua morte? Tê-lo-ia escondido no armário de cima até feder?
Tenho a ideia que todos os seres humanos se tornam crianças quando percebem ter cometido falhas muito graves. Têm medo, e o medo torna-os irracionais, maximizando a asneira. Somos todos muito parecidos. Há pessoas más, mas a maior parte de nós é apenas uma pessoa, o que já é demais.
quarta-feira, setembro 05, 2007
Augusta Street Blues

A Polícia de Segurança Pública realizou hoje uma aparatosa acção na rua Augusta, em Lisboa, tendo detido vendedores/as ambulantes, prostitutos/as, e mais uns cromos que têm a lata de andar a vender massa de louro, eu repito, massa de louro, chamando-lhe haxixe. Parece que houve queixas dos transeuntes. Eu cá, se me vendessem massa de louro em vez da moca, também me ia queixar à esquadra. Certinho. Vegetarianos, vegetarianos, mas nada de exageros.
Gostava de perguntar à senhora chefe da polícia se não estará interessada em mandar os seus subordinados/as perseguir tipo... até tenho medo de estar a exagerar!, mas... eu sei lá, criminosos... ou isso?!
Gostava de perguntar à senhora chefe da polícia se não estará interessada em mandar os seus subordinados/as perseguir tipo... até tenho medo de estar a exagerar!, mas... eu sei lá, criminosos... ou isso?!
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...

