terça-feira, setembro 11, 2007

Prece diária

Meryl Streep,1994


Clyde Connel, 1982

Fotos de Mary Ellen Mark


Nunca, duas vezes, pela mesma água, seja qual for o rio.

segunda-feira, setembro 10, 2007

10 secas de morte

José Carlos Barros, do Casa de Cacela, pede-me que indique os dez livros que NÃO mudaram a minha vida. Para despachar isto sem delongas, apresento uma lista de dez pincéis que me ocorrem instantaneamente - há quem lhes chame grandes obras; a mim, aborrecem-me de morte. Sinceramente, se não tivessem sido escritos, nunca lhes teria sentido a falta:

- Lusíadas, Luís de Camões
- Sermões, Padre António Vieira
- Mensagem, Fernando Pessoa
- Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco
- Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett
- Memorial do Convento, José Saramago
- Capitães da Areia, Jorge Amado
- Dom Casmurro, Machado de Assis
- O Amante de Lady Chatterley, D. H. Lawrence
- Madame Bovary, Gustave Flaubert

Passo aos seguintes amigos e amigas da blogosfera: Cecília R., do Aspirina B; Siona, do FishSpeakers; Suroeste, do Nubosidade Variábel; jmnk, do Descrita e Miguel Marujo, do Cibertúlia.

domingo, setembro 09, 2007

Aos fabricantes de papel higiénico sensitive impregnado com loção de aloé vera


A gente compra-o para o levar no saco de férias, a tiracolo, juntamente com os batons, o hidratante, o de cor e o gloss, o soro fisiológico para olhos cansados das lentes de contacto, as pílulas contraceptivas, o anti-depressivo, o Ben-U-Ron, o anti-ácido, a escova, os óculos de sol, o spray limpa-óculos, o cartão de crédito e o resto dos documentos, a agenda, o bloco de apontamentos, as esferográficas, o livro que andamos a ler, o lápis para sublinhados, o porta-moedas, as chaves, e a primeira vez que o usamos descobrimos que para andar com o rabo húmido mais vale não o limpar.

Aos jornalistas interessados em questões de género


Como detesto notícias sobre mulheres que singraram em "mundos tradicionalmente masculinos", mantendo-se, apesar de tudo, femininas num mundo de homens e máquinas! É um destaque que as singulariza negativamente, que faz dela seres excepcionais, invulgares, procurando-se, embora, justificar a alegada excepcionalidade, ao acrescentar informação sobre a manutenção dos hábitos feminis: roupa, acessórios, maquilhagem. Por outras palavras, exercem num mundo de homens, mas, sosseguem as hostes, não são homens.
Objectivamente, parece que os profissionais de informação estão a fazer grande coisa pela política da igualdade de género, mas, subjectivamente, o que o nosso cérebro compreende é exactamente o contrário; tal
tratamento de excepção continua a veicular, entre-linhas, a mensagem do que "não é normal". Contraproducente.
O que eu e as outras mulheres pretendemos é que mecânicas, canalizadoras e ladrilhadoras deixem de ser notícia, embora nos interesse continuar a vê-las integradas em reportagens ordinárias sobre o mundo do trabalho.
Isso, sim, seria uma bela ajuda. Isso, sim, seria avançar.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Os heróis da heroína

A realidade tornou-se o meu programa de humor favorito. Ultimamente, não consigo ver as notícias sem me desmanchar a rir.
Os toxicodependentes de longo curso que aderem aos kits de injecção distribuídos pelo Estado, os quais são constituídos por seringa, soro, preservativo (que serve de garrote!), carica e ácido cítrico, como substituto do limão, não usam o ácido porque têm ouvido dizer que o ácido, pá, o ácido faz mal ao organismo.

Estranhos bichos


O comportamento homicida, e criminoso, de forma geral, e a psicologia forense, fascinam-me tanto quanto a observação e análise dos comportamentos humanos vulgares. Que estranhos bichos somos nós?
Julgo que a maior parte dos homicidas nunca teve intenção de cometer o acto que o condena. O que faz o homicida não é o acto assassino em si, o qual acontece frequentemente por acidente ou precipitação, mas a ocultação do crime, a forma como se desfaz do cadáver e cria álibis e ficções.
A rapariga que regou o namorado com ácido sulfúrico, em 2001, não terá pretendido matá-lo, mas desfigurá-lo, magoá-lo profundamente; no entanto, matou-o. Foi um acidente que não faz dela exactamente uma assassina, apenas uma agressora - embora tenha sido a responsável pela morte de uma pessoa, e deva responder por isso.
O tio de Joana não teve intenção de matar a sobrinha. O homem só queria "coiso" com a irmã, prática habitual que a miúda testemunhou sem querer. A Joana morreu porque levou uma bofetada fortíssima, bateu com a cabeça na parede e caiu fulminada. O problema começa no momento em que tio e mãe percebem que a criança morreu e pretendem esconder o acto, inventando uma história mal amanhada.
O que aconteceu, lembra-me algo que se passou comigo aos 13 anos, e cuja culpa carrego desde esse dia, sentindo ainda uma vergonha estúpida, uma vez que o acontecimento, em si, não teria gravidade alguma se tivesse sido assumido.
Fui passar uma semana a casa de uns tio-avós, pessoas nos seus setentas, sem filhos, muito sérias, muito rigorosas, cuja casa parecia uma sacristia forrada a plástico, com as salas fechadas para não se sujarem - eu tinha-lhes medo, sobretudo à minha tia, um velho abutre, e sentia necessidade de me portar bem.
Havia na casa uma boneca bailarina, um objecto que me chamava a atenção, e que manuseava com cuidado, pois sabia tratar-se de um bibelot de estimação. Era um bibelot, recordo agora, não propriamente uma boneca de brincar. Sem querer, uma tarde, no quarto de trás, voltado para a fábrica de vidro - consigo lembrar-me da luz amarela desse início de Setembro -, parti ou desloquei um membro à boneca. Ou um braço ou uma perna ou a cabeça. Tentei reparar a peça, mas não foi possível. Talvez pudesse ser reparada; creio que sim, mas não por mim. Senti um medo indescritível. Não queria que me ralhassem. Que me desprezassem. Condenassem. A minha reacção foi exactamente igual à do tio de Joana: como é que havia de me ver livre daquilo? Olhando à volta, e num curto espaço de tempo, decidi escondê-la num armário embutido na parede, em cima, junto ao tecto, entre colchas e cobertores. Aí deixei a boneca entalada entre panos. Durante o resto das férias vivi assaltada pelo medo de que o meu crime fosse descoberto, e até à morte do meu tio, há uns dez anos, esperei que alguém me falasse na boneca que espatifei.
E se fosse uma criança? Se houvesse ali um bebé, e, brincando com ele, o deixasse cair, e fosse responsável pela sua morte? Tê-lo-ia escondido no armário de cima até feder?
Tenho a ideia que todos os seres humanos se tornam crianças quando percebem ter cometido falhas muito graves. Têm medo, e o medo torna-os irracionais, maximizando a asneira. Somos todos muito parecidos. Há pessoas más, mas a maior parte de nós é apenas uma pessoa, o que já é demais.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Augusta Street Blues



A Polícia de Segurança Pública realizou hoje uma aparatosa acção na rua Augusta, em Lisboa, tendo detido vendedores/as ambulantes, prostitutos/as, e mais uns cromos que têm a lata de andar a vender massa de louro, eu repito, massa de louro, chamando-lhe haxixe. Parece que houve queixas dos transeuntes. Eu cá, se me vendessem massa de louro em vez da moca, também me ia queixar à esquadra. Certinho. Vegetarianos, vegetarianos, mas nada de exageros.
Gostava de perguntar à senhora chefe da polícia se não estará interessada em mandar os seus subordinados/as perseguir tipo... até tenho medo de estar a exagerar!, mas... eu sei lá, criminosos... ou isso?!


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...