domingo, setembro 30, 2007

Impulso de destruir


Se a castração química parece resultar em pedófilos e outros agressores sexuais, por que não usá-la em indivíduos incapazes de controlar o impulso de desrespeitar e destruir com violência raças e culturas diferentes da sua? Não será essencialmente o mesmo?

Ao pequeno-almoço


"Larga a menina. Não vês que ela não quer?! Tarado! Não deixes, querida. Todos iguais. Pode mudar a espécie, mas não muda a estratégia. Tarados!"
Isto é o que vou dizendo enquanto bebo o café com leite, de manhã, sentada na mesa da cozinha, de onde alcanço os telhados dos prédios vizinhos: os pombos do bairro arrastam as asas e as penas da cauda às pombinhas, ensaiando extemporâneos rituais de acasalamento. Os tarados.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Respigadores de crianças



Os candidatos à adopção são tratados pelas instituições portuguesas como pais de segunda classe. Respigadores de crianças a quem cabe calar: uns pobres e mal agradecidos.

A semana passada, na RTP 1, assisti a uma reportagem sobre adopção, nomeadamente sobre o desajustamento entre o ideal do filho desejado e a realidade das crianças que reúnem condições para adopção no nosso País.

Saliento dois aspectos que merecem alguma atenção por me parecerem bastante incorrectos:

- primeiro, a presunção, pelas autoridades, de uma espécie de culpabilidade, lançada sobre os candidatos a adoptantes, considerando-os irrealistas e ambiciosos ao pretenderem um filho até aos 3 anos, sem deficiências, e de raça branca.

- segundo, o facto de, ao longo da reportagem, tanto responsáveis pelas instituições, como repórteres, se referirem aos candidatos à adopção como "os casais".

Gostaria de esclarecer o seguinte:

1. Desde há um par de anos, qualquer indivíduo singular, homem ou mulher, celibatário, divorciado ou viúvo, até aos 50 anos de idade - em casos excepcionais até aos 60 - é legítimo candidato à adopção. Portanto, uma reportagem sobre o assunto não pode referir-se aos candidatos como "os casais". Parece-me trabalho mal feito.

2. Se é legítimo direito das crianças desejarem e merecerem os pais dos seus sonhos, é igualmente direito dos candidatos a pais adoptivos sonharem, como quaisquer pais e mães biológicos, com um filho perfeitinho, depositado nas suas mãos em condições psicológicas que ainda possibilitem uma educação de valores. De igual forma, não é nenhum crime desejar um filho da mesma raça.
Não são os candidatos a adoptantes que têm de se adaptar ao que o mercado tem para lhes oferecer, mas o mercado que deve abrir-se para que possam encontrar a criança que procuram.
A taxa de infertilidade tem aumentado nos últimos anos. Prevê-se que cresça, pelo que o número de candidatos à adopção crescerá em igual medida. Cabe ao Estado alterar a lei que agora impede que milhares de crianças em centros de acolhimento possam ser adoptadas, ou abrir caminho para a existência e acção, em Portugal, de agências vocacionadas para a adopção internacional.

3. Os candidatos a adoptantes não são mecenas do Estado, ou seja, não lhes cabe exonerá-lo das suas obrigações quanto aos cuidados de afecto, saúde e educação a que as crianças menos adoptáveis (mais de sete anos, com deficiências graves) têm direito. É absolutamente normal que um pai ou uma mãe deseje sê-lo nas melhores condições possíveis. A escolha voluntária da adversidade, bem como o altruísmo, são causas nobres, mas não podemos esperar que pais normais, trabalhadores, tenham tempo e vocação para desportos de tão alto risco.

4. Prevalece uma exagerada protecção legal dos direitos de pais biológicos aos quais foi retirada a tutela, por negligência ou maus tratos, mas não autorizam a adopção dos descendentes - embora não cumpram a obrigação de os visitar periodicamente nas instituições em que estes se encontram.

O mês passado, uma mãe com problemas psiquiátricos, e avessa à medicação, atirou uma bebé de meses pela janela do segundo andar. A criança sobreviveu, sendo entregue ao pai, ausente, que não deseja o encargo nem pode suportá-lo.
A quem protegeu a Lei? Quem ganhou com tal decisão?

terça-feira, setembro 25, 2007

O trabalho do tempo


Aos 20 anos queria ser magra para encontrar um príncipe encantado inteligente, sensível e fiel que gostasse muito de mim, e eu dele, e viver um romance cor-de-rosa até ao fim dos tempos.
Agora, gostava de não me cansar tanto a subir escadas.


Aos 20 anos queria encontrar um homem bom na cama, e ter com ele noites escaldantes, e tardes, e manhãs, e cumulativamente entendermo-nos às mil maravilhas fora dela.
Agora, o meu objectivo é dormir a noite inteira e profunda.

Aos 20 anos queria ser bonita.
Agora, os outros dizem-me que estou bonita.

domingo, setembro 23, 2007

As salas de aula das escolas públicas



O Ministério da Educação considera que a DECO não tem competência para avaliar as condições ambientais nas salas de aula das escolas públicas, nomeadamente temperatura, circulação de ar e humidade.
Embora compreenda os fundamentos da reacção de Maria de Lurdes Rodrigues, uma vez que o seu ministério é veículo da maior parte das acções de propaganda do governo que integra, considero-a inteiramente responsável pelos ataques discriminatórios que são hoje feitos à escola pública por parte dos lobbies privados - os quais poderão estar na origem do estudo da DECO, ou não.
Maria de Lurdes Rodrigues criou a injusta má imagem que hoje a sociedade tem da escola pública, e dos seus agentes, e pagou-a com dinheiro dos nossos bolsos.
Pela minha parte, não matricularia um filho meu numa escola privada mesmo que a pudesse pagar, e talvez pudesse. Nenhuma escola privada pode garantir melhor educação que uma escola pública, e o motivo é muito simples: o ensino nas escolas privadas continua a ser mantido, em grande parte, por "perninhas" de uma ou duas turmas que os professores das escolas públicas aí fazem com o objectivo de alcançar mais uns tostões. O que as escolas privadas têm, é alunos cujos pais podem pagar melhores explicadores, melhor material e todo um suporte educativo que alguns dos que estão nas escolas públicas nunca conheceram e nunca poderão oferecer aos seus próprios filhos.
As escolas privadas não têm de fazer médias com meninos que vêm do bairro da lata; com meninos que só comem quando comem na escola; com meninos cujos pais saem de casa para o trabalho à hora a que eles entram, e que ainda não chegaram quando toca o despertador de manhã, e que nem sequer lá estão para lhes lavar a roupa, passá-la, dar-lhes o pequeno-almoço e beijá-los. Por este motivo, e só este, as médias das escolas públicas não podem competir com as das escolas privadas.
Agora, quanto às condições ambientais nas salas de aulas das escolas públicas, cada um de nós, que aí tem filhos, sobrinhos, afilhados e vizinhos reconhece que a DECO não errou. Cada um de nós sabe que mesmo nas melhores escolas públicas do país, os alunos permanecem com os quispos vestidos nas salas, onde a temperatura média rondará os 12/14º, no Sul, todo o Inverno, e que em Maio dificilmente aí respiram, transpirando hormonas até à náusea colectiva. É um facto que qualquer jornalista poderá constatar em entrevistas aos estudantes à saída dos portões das escolas. E o ministério sabe-o muito bem.

(Muitas professoras e professores lêem O Mundo Perfeito. Gostaria de lhes pedir que aqui se manifestassem relativamente às condições das salas de aula nas quais leccionam.)

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...