
Da série Conversas com a Minha Mãe
Mãe - A minha avó era muito má. Rogava pragas à minha mãe.
Isabela - A tua avó rogava pragas à tua mãe?!
M. - Rogava. Zangava-se com o filho, e quem pagava era a minha mãe.
I. - Era fresca.
M. - E caíam. Rogou uma praga à minha mãe em como ela haveria de ter tantos filhos que nem os distinguisse uns dos outros. E a minha mãe, coitada, era uns fora, outros dentro.
I. - Fez muitos abortos?
M. - Ora... era quase todos os meses na Adénia. A Adénia vivia daquilo. Era especialista. Toda a gente lá ia. Era uma mulher gorda, baixa. Lembro-me dela. Tinha sete filhas. Andavam todas aperaltadas.
I. - Era parteira.
M.- Não, mas sabia. Tinha um moinho, mas pouca gente lá ia moer. A freguesia era para os desmanchos. Sabes lá os que foram por aquele rio Baça abaixo!
I. - Mas sabia dar anestesias.
M. (com indignação) - Não. Antigamente não se davam anestesias.
I. - Sem anestesia?! As mulheres eram raspadas sem anestesia?
M. - Sim. A sangue-frio.
I. (fazendo uma grande careta) - Não me contes mais nada.
M. - As mulheres antigamente sofriam muito. Sabes lá!
I. - E as mulheres não ficavam doentes, não ganhavam infecções?
M. - Nas mãos da Adénia, não. Ela sabia daquilo. Era muito conhecida. Chegou a ir presa. Mas ia presa e depois punham-na cá fora outra vez.
I. - Se calhar também fazia abortos às mulheres dos juízes.
M. (rindo) - Pois. Era a todas.
Mãe - A minha avó era muito má. Rogava pragas à minha mãe.
Isabela - A tua avó rogava pragas à tua mãe?!
M. - Rogava. Zangava-se com o filho, e quem pagava era a minha mãe.
I. - Era fresca.
M. - E caíam. Rogou uma praga à minha mãe em como ela haveria de ter tantos filhos que nem os distinguisse uns dos outros. E a minha mãe, coitada, era uns fora, outros dentro.
I. - Fez muitos abortos?
M. - Ora... era quase todos os meses na Adénia. A Adénia vivia daquilo. Era especialista. Toda a gente lá ia. Era uma mulher gorda, baixa. Lembro-me dela. Tinha sete filhas. Andavam todas aperaltadas.
I. - Era parteira.
M.- Não, mas sabia. Tinha um moinho, mas pouca gente lá ia moer. A freguesia era para os desmanchos. Sabes lá os que foram por aquele rio Baça abaixo!
I. - Mas sabia dar anestesias.
M. (com indignação) - Não. Antigamente não se davam anestesias.
I. - Sem anestesia?! As mulheres eram raspadas sem anestesia?
M. - Sim. A sangue-frio.
I. (fazendo uma grande careta) - Não me contes mais nada.
M. - As mulheres antigamente sofriam muito. Sabes lá!
I. - E as mulheres não ficavam doentes, não ganhavam infecções?
M. - Nas mãos da Adénia, não. Ela sabia daquilo. Era muito conhecida. Chegou a ir presa. Mas ia presa e depois punham-na cá fora outra vez.
I. - Se calhar também fazia abortos às mulheres dos juízes.
M. (rindo) - Pois. Era a todas.
