terça-feira, outubro 30, 2007

Limpar-lhes o sebo

As armas de fogo são fáceis e limpas. Algumas pessoas não podem tê-las. Resistir à tentação não está ao alcance de todos.


Determinante demonstrativo

Ao ler, em caixas de comentários alheias, referências à Isabela de O Mundo Perfeito como "essa blogger com a qual normalmente não concordo", não consigo evitar um sorriso.
Compreendo: até para mim sou insuportável.

Todo o amor

O cão da cigana anda na pele e no osso. Não come. Não dorme. Há duas semanas que não sai da porta do número cinco aqui da rua. Estende-se na pedra mármore da entrada, e para ali fica com os mesmos olhos doridos com que me observa quando passo e lhe atiro, "isso é que é amor, rapaz". A caniche da dona Luísa continua saída.


Zen 2



Há três semanas roubei cinco pés de um arbusto florido, no jardim da igreja. As flores minúsculas exalavam um perfume lento, que se espalhava pela casa e me entorpecia. Caíram todas. Resta nenhuma. Na jarra ficaram as hastes verdíssimas, multiplicando-se em rebentos claros, macios, que se agarram à água como se fosse chão.

Zen 1

Sol das oito da manhã.
Os pombos arrulhando quietos, quentes, sobre os telhados dos prédios vizinhos.

segunda-feira, outubro 29, 2007

O sexo alternativo chegou às massas


Enquanto seco a primeira demão de verniz azul opaco, voltemos, salvo seja, ao sexo anal, e a uma ou outra das chamadas parafilias.
Não ignoro que a busca do prazer sexual sempre transcendeu tabus. Não traz qualquer mal ao mundo que parceiros avisados desejem explorar o prazer e o façam numa moldura de "mútuo consentimento verdadeiramente livre". Convém ter presente aquele consentimento que se limita a ceder a uma pressão, o qual reveste uma submissão, constituindo, no mínimo, um acto de violência da vontade. Não se trata de livre arbítrio. Homem ou mulher que assinta relativamente à prática de actos sexuais que não deseja, mas que sente dever cometer para não perder o parceiro, não está realmente a consentir. Portanto, há que perder algum tempo na questão do consentimento. Do verdadeiro consentimento.
A corrente do sexo alternativo, tal como hoje se consome, advém de uma outra pressão que se exerce sobre todos nós colectivamente, e cujos frutos tenho vindo a observar: a do mediatismo sensacionalista assente na máxima "sexo vende, seja ele qual for". Sabemos como há pessoas que gostam de andar sempre na moda. Quem compra camisas com caveiras, porque é tendência do pronto-a-vestir 2007, igualmente adquirirá com facilidade todo um pacote ideológico relacionado com o outrora sexo marginal. De há uns anos a esta parte começaram a aparecer, na nossa Imprensa, as primeiras grandes reportagens sobre o tema do swing ou do sadomasoquismo, entre outros. Na altura eram curiosidades. Práticas privadas de grupos que pretendiam manter-se privados. Desde então, os discursos têm vindo a multiplicar-se, parecendo acompanhar uma prática alargada. Quase massificada. Tem sido o descalabro. Miúdos de 12 anos sonham com swing e chicotes. A minha amiga sueca conta-me que, no seu país, meninas de 14 anos são levadas a praticar sexo anal para não se sentirem out, uma vez que este se encontra completamente legitimado entre jovens. Casais aborrecidos procuram clubes de troca de parceiros para rejuvenescer a sua relação. O ti António quer ir ao cu à ti Joana. Convenhamos que a coisa tem limites, quanto mais não seja de mero bom gosto.
A revista Maria, e similares, que vendem milhares de exemplares, e são consumidas por individuos de ambos os sexos, e todas as idades, têm-se encarregado da legitimação cultural de uma prática que pertencia a uma élite de "exploradores sensuais" que devem hoje sentir-se insultados. A Maria apresenta reportagens semanais sobre as vantagens do swing, os prazeres da dominação e as melhores formas de praticar sexo anal,
com infografia e fotografia a cores. Quem pode ignorar? A revista Maria trouxe o sexo alternativo para as massas, e a massificação do sexo é desastrosa. Ter de escutar as confissões da dona Ermelinda, da tasca do Benfica, segredando-me que está com o rabo todo magoado porque o marido lhe disse que, se não deixasse, arranjava uma brasileira, até a mim me dói. O sexo enquanto arte deve permanecer com os artistas, os que desprezam Anal Ease. Precisar de analgésico anal é mau começo. E mau fim.
E vou agora para a segunda demão de verniz.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...