
A nós, solteironas feministas, nenhum homem nos faz o ninho atrás da orelha. Queriam, mas está para vir o dia. Não se aproximem com falinhas mansas. Inútil. Nada do que possam dizer-nos surtirá efeito. Topámo-los. Somos duronas. Inflexíveis. Conhecemos a cantiguinha de cor. Desistam os colegas que não usam aliança, mas que, acertadamente, calculamos bem casados: os que nos deitam olhinhos sem avanços, só os olhinhos. Como se não soubéssemos que quem é livre e tem um copo e pode beber, bebe. Como nos rimos destes rituais de corte que nada significam para nós. Os primitivos. Vade retro. Estão marcados. Não vale a pena. Não acreditamos em cenas românticas. Agora já só cá estamos para ver as vistas. Desistam de se chegar com progressivas festinhas na cara e no cabelo. Não cedemos. Ficamos no mesmo lugar, não nos mexemos, não cedemos, nem pensar. Nada, nenhuma emoção visível, e não é da nossa conta que a pele do nosso rosto siga tão colada à palma das suas mãos, quando se afastam, que recorde tão contra nossa vontade a suavidade dessas mãos afastadas, que queira tão tolamente a proximidade de todas, todas essas mãos que nos tocam os rostos, e que não queremos, que não queremos.