domingo, novembro 25, 2007

Interjeições

Ui, ui, dizem eles, enquanto passamos [os educados]. Ui, ui.
Por que pronunciam eles ui-uis perante a expressão feminina da vaidade?


Comer, dormir, ir à rua e receber festinhas

A cama da Micas é muito mais macia, quentinha e confortável que a do Menino Jesus. Azar do Menino Jesus.

sábado, novembro 24, 2007

Até ganhei amor à mosca



Por uma vez, sem exemplo, concordo com o Dadinho. Desde que a ASAE aparece diariamente nas notícias dei em ter saudades de uma linda carcaça de boi pejada de moscas, de um cherne de olho azul colado à banca da peixeira, de um pão alentejano à venda mesmo ao lado das garrafas de detergente...
Felizmente, a ASAE não mete o bedelho nas nossas cozinhas, e é o que nos vale para continuarmos a ter direito ao nosso saboroso quinhão de bactérias privadas.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Ontem adormeci assim

Ontem foi quinta-feira. À quinta sinto-me um caco. Seria o dia ideal para publicar um You Tube muito divertido, que ninguém veria, mas que alimentaria o blogue, ou um poema traduzido do ronga, quem sabe do mandarim, línguas a que passei com 10 valores, e só porque era gira, mas que domino amplamente; querendo ser mais ousada, uma foto a noir et blanc de uma linda actriz dos tempos áureos do cinema; como título, qualquer coisa como «Hoje adormeci assim». Mas, não. Insisto. Portanto, ontem, apesar do cansaço, aproveitei para responder ao desafio feito pelo JMS do Desmancha Prazeres [ler texto seguinte]. Tendo postado, estendi-me, de consciência leve, no sofá, e adormeci a ver Roma, de Fellini.
Eis o motivo por que falto à minha palavra: declarei que passaria esta corrente [ler poste seguinte] aos primeiros cinco bloguistas que entrassem n'O Mundo Perfeito a partir das 23h07 de ontem, mas, uma vez que adormeci, e o site meter só regista as últimas 100 visitas, esta manhã já só me foi possível identificar entradas a partir da uma e meia da manhã.
Todo este palavreado só para anunciar que os felizes contemplados são os seguintes:

Ideafix, de Ideafix
Pearl, de Lágrima de Prata
Gi, de Garden of Philodemus
Bolachinha, de Ponto... Apenas
Suroeste, de Nubosidade Variábel


quinta-feira, novembro 22, 2007

Quero lá saber que não gostem

JMS, do Desmancha-Prazeres, pediu-me que indicasse os meus cinco filmes.
Nomeio dez. Elaborei uma lista maior, mas eliminei todos aqueles dos quais não conseguisse seleccionar, mentalmente, uma cena marcante. Filmes de ambiente, que adoro, como Blade Runner, ficaram de fora.
Tenho imensa pena de não poder enumerar grandes xaropadas europeias. Xarope, só Bisolvon Linctus, e apenas se o vírus me atacar com força a garganta.
"Filmes de Cinemateca", tipo Casablanca, são muito lindos, gosto muito, mas ficam por enquanto na Cinemateca. Já sei: sou uma insensível.

Rumble Fish
, Francis Ford Copola - destroem a loja de animais e matam os peixes.

Thelma & Louise, Ridley Scott - humilham o poder, e o Grand Canyon é um lindo sítio para salto em altura.



Os Amigos de Alex
, Lawrence Kasdan - maridos fazem filhos em mulheres alheias, a pedido.

As Asas do Desejo
, Wim Wenders - o anjo deseja recuperar os sentidos humanos.


A Vida É Bela
, Roberto Benigni - a minha vida também é apenas um jogo entre bons, maus e assim-assim.

Melhor é Impossível, James Brooks - as cenas do Jack Nicholson a saltar entre mosaicos, na rua, e com o cão, são as mais hilariantes a que já assisti.

Matrix, irmãos Wachowski - também queria uma tomada na nuca para aprender alemão em 50 segundos.

Guantanamera, Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabío - pela memória e pelo amor, juntos sem remédio.

Magnolia, Paul Thomas Anderson, pelo recomeço de todas as coisas.

Passo esta corrente aos primeiros cinco blogues que cá entrarem a partir das 23h07 de hoje, dia 22 .


terça-feira, novembro 20, 2007

Nem eu nem aquelas tão fortes como eu



A nós, solteironas feministas, nenhum homem nos faz o ninho atrás da orelha. Queriam, mas está para vir o dia. Não se aproximem com falinhas mansas. Inútil. Nada do que possam dizer-nos surtirá efeito. Topámo-los. Somos duronas. Inflexíveis. Conhecemos a cantiguinha de cor. Desistam os colegas que não usam aliança, mas que, acertadamente, calculamos bem casados: os que nos deitam olhinhos sem avanços, só os olhinhos. Como se não soubéssemos que quem é livre e tem um copo e pode beber, bebe. Como nos rimos destes rituais de corte que nada significam para nós. Os primitivos. Vade retro. Estão marcados. Não vale a pena. Não acreditamos em cenas românticas. Agora já só cá estamos para ver as vistas. Desistam de se chegar com progressivas festinhas na cara e no cabelo. Não cedemos. Ficamos no mesmo lugar, não nos mexemos, não cedemos, nem pensar. Nada, nenhuma emoção visível, e não é da nossa conta que a pele do nosso rosto siga tão colada à palma das suas mãos, quando se afastam, que recorde tão contra nossa vontade a suavidade dessas mãos afastadas, que queira tão tolamente a proximidade de todas, todas essas mãos que nos tocam os rostos, e que não queremos, que não queremos.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Conflitos de classes


Sempre fui um animal. E rainha das bactérias. Adoro comer com as mãos. Lá em África era muito assim, e isto conjugado com o belo estômago com que os genes me agraciaram, leva a que morram tarde, melhor, que morram nunca tais velhos hábitos.
No café aqui da rua arrebanho rissóis e croissantes com a mão, trinco-os, e só depois olho em volta, envergonhada, calculando os pares de olhos que me viram atacar a peça impudicamente, e lá a embrulho num papelinho, a custo, disfarçando o primeiro instinto. Não é fácil. Não domino bem a técnica. Como nunca me foi dado a ler o livro da Paula Bobone, pensei que as pessoas finas não sujavam as mãos. Que nem um milímetro de pele tocava o alimento. Afinal, não é bem assim. Acabei de ler no blogue do Dadinho Pitta que, em Portugal, apenas
"uma pequena minoria indiscutivelmente educada" come primeiro com as mãozinhas e limpa os dedinhos a seguir. E é assim que deve ser. Obrigada, Dadinho. Acho isto delicioso. E liberta-me totalmente. Claro que aqui no meu bairro vai ser difícil convencer disso a malta lá de baixo do café.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...