Os crimes relacionados com o tráfico de pessoas têm vindo a substituir os que consistiam no tráfico de droga. A maioria das vítimas são mulheres oriundas dos países da ex-URSS, África e Brasil, usadas como matéria-prima no mercado da prostituição ocidental.
É normal que os cidadãos de um país em crise pensem fazer biscates ou emigrar para encontrar trabalho, mas vender o corpo e a dignidade não surge como uma primeira opção, como acontece com as cidadãs. Que tragédia, a dos que são levados a encarar a prostituição, e a sua esclavização, como forma de sobrevivência! E como isto nos grita a realidade sobre o pensamento do mundo em que vivemos! Do mundo civilizado, imagine-se. Por que motivo a prostituição, e respectiva escravatura, haveria de custar menos às mulheres do que aos homens? Não custa. O que houve, foi, desde sempre, e não terminou ainda, uma legitimação generalizada da prostituição feminina como destino natural daquelas que a fortuna desafortunara. Hoje, chegámos mais longe: a prostituição profissionalizou-se para servir eficazmente o mercado do sexo como anestesia da vida, substituindo-se às drogas. Hoje, as prostitutas têm orgulho no seu trabalho, e publicam livros, o que é centenas de milhar de vezes pior para a dignidade das mulheres como um todo, e, portanto, pior para a humanidade, do que a vulgar prostituição das miseráveis, ou das que foram culturalmente destituídas dos meios de sobrevivência que não adviessem da sua sexualidade. É que essas queriam ser outras, tinham alguma consciência da sua exploração, mas as prostitutas de hoje, não. Oferecem-se voluntariamente à prostituição! Por amor à arte! Que cordeiros de Deus! Uma mulher feliz porque é prostituta não pode ser feliz, nem livre, porque, dêem-lhe as voltas que derem, o sexo nunca poderá, sem desvirtuamento, transformar-se num produto de consumo. A existência de um comércio sexual sólido e lucrativo, desde sempre, mas actualmente sem paralelo, não tornará essa realidade em algo desejável, elegível segundo os princípios básicos de uma moral transversal à maior parte das culturas mundiais. Tenho muita pena, mas é exactamente assim. O sexo que temos lá fora, rápido, industrializado, em muitos casos vil, é bem o reflexo desta filosofia tão sombria para a dignidade das mulheres como o foi a subalternização dos papéis, aceite através do casamento tradicional e respectivos deveres, aos quais algumas sobreviveram mediante continuadas estratégias de guerrilha.
De que outra grande prova necessitamos para compreender que o estatuto social das mulheres não mudou como se pensa, e que estas permanecem culturalmente subalternizadas, como regra? Este é o motivo pelo qual as reivindicações feministas continuam, hoje, tão actuais como o foram ao longo do século XX.
Há quem tenha vergonha de ser feminista. Não há qualquer vergonha sobre ser-se ecologista, anti-racista, defensor dos animais, mas feminista é que não, porque hoje já não se justifica lutar pela igualdade dos géneros. Somos todos tão iguais, pois não somos?
É normal que os cidadãos de um país em crise pensem fazer biscates ou emigrar para encontrar trabalho, mas vender o corpo e a dignidade não surge como uma primeira opção, como acontece com as cidadãs. Que tragédia, a dos que são levados a encarar a prostituição, e a sua esclavização, como forma de sobrevivência! E como isto nos grita a realidade sobre o pensamento do mundo em que vivemos! Do mundo civilizado, imagine-se. Por que motivo a prostituição, e respectiva escravatura, haveria de custar menos às mulheres do que aos homens? Não custa. O que houve, foi, desde sempre, e não terminou ainda, uma legitimação generalizada da prostituição feminina como destino natural daquelas que a fortuna desafortunara. Hoje, chegámos mais longe: a prostituição profissionalizou-se para servir eficazmente o mercado do sexo como anestesia da vida, substituindo-se às drogas. Hoje, as prostitutas têm orgulho no seu trabalho, e publicam livros, o que é centenas de milhar de vezes pior para a dignidade das mulheres como um todo, e, portanto, pior para a humanidade, do que a vulgar prostituição das miseráveis, ou das que foram culturalmente destituídas dos meios de sobrevivência que não adviessem da sua sexualidade. É que essas queriam ser outras, tinham alguma consciência da sua exploração, mas as prostitutas de hoje, não. Oferecem-se voluntariamente à prostituição! Por amor à arte! Que cordeiros de Deus! Uma mulher feliz porque é prostituta não pode ser feliz, nem livre, porque, dêem-lhe as voltas que derem, o sexo nunca poderá, sem desvirtuamento, transformar-se num produto de consumo. A existência de um comércio sexual sólido e lucrativo, desde sempre, mas actualmente sem paralelo, não tornará essa realidade em algo desejável, elegível segundo os princípios básicos de uma moral transversal à maior parte das culturas mundiais. Tenho muita pena, mas é exactamente assim. O sexo que temos lá fora, rápido, industrializado, em muitos casos vil, é bem o reflexo desta filosofia tão sombria para a dignidade das mulheres como o foi a subalternização dos papéis, aceite através do casamento tradicional e respectivos deveres, aos quais algumas sobreviveram mediante continuadas estratégias de guerrilha.
De que outra grande prova necessitamos para compreender que o estatuto social das mulheres não mudou como se pensa, e que estas permanecem culturalmente subalternizadas, como regra? Este é o motivo pelo qual as reivindicações feministas continuam, hoje, tão actuais como o foram ao longo do século XX.
Há quem tenha vergonha de ser feminista. Não há qualquer vergonha sobre ser-se ecologista, anti-racista, defensor dos animais, mas feminista é que não, porque hoje já não se justifica lutar pela igualdade dos géneros. Somos todos tão iguais, pois não somos?


