Receio que a fronteira entre espontaneidade e excentricidade seja estupidamente ténue. Estou convencida de que a cruzo amiúde. A melhor prova disso é sentir-me tão nas tintas.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Os escritores do mais-que-perfeito-simples
Cá por coisas, desconfio sempre de quem escreva mensagens de post it usando o mais-que-perfeito simples. Tal como os ovos, o pretérito-mais-que-perfeito simples é impossível de manter em pé sobre uma folha de papel.
Problemas com as válvulas
Há uma idade em que a expressão mijei-me a rir deixa de ser uma inofensiva figura de estilo. Ninguém nos avisa antes.
terça-feira, janeiro 22, 2008
Crise II

Esta semana tenho andado muito dada à cozinha. Ainda dizem que a vida está cara. Mentira! Moelas a 1,85€, no Minipreço. A meio-quilo delas incorporei-lhes logo dois copos de arroz, e mais um punhado de ervilhas: que petisco! Já marcharam. Estufei o restante com macarrão. Que danado de prato mais requintado! Eu sabia lá que gostava tanto de moela! Tem sido um tirar a barriga de misérias. E mais latas de polvo de tomatada a 49 cêntimos. Com batatinha cozida. O que eu gosto de polvo de tomatada com batatinha cozida! E sopinha de grão, em frascos de 57 cêntimos, com espinafres congelados e prensados, a 90 o saquinho. O único pensamento que me ensombra o horizonte próximo é o gás. Se se me acaba o gás, Nossa Senhora das Aflitas!
O gigantesco pénis de David Beckam

David Beckam voltou a ser fotografado em cuecas para a marca Emporio Armani. É normal. Alguém tem de ajudar a vender as cuecas do senhor Armani. Compram-se iguais na praça de ciganos do Feijó, a um euro o par, mas quem sou eu.
Outdoors espalhados pelas capitais que interessam, exibem hoje esta foto de Beckam, com a anafada horta em aparente repouso, devidamente endireitada e aconchegada em algodão strech. Victoria, a sagaz esposa, foi já entrevistada sobre o assunto. Respondeu a tudo. Tenho imenso pena de já cá não ter a Maria desta semana, onde li sobre esta questão de estado, mas entretanto seguiu o destino para o qual foi comprada. Victoria afirma estar orgulhosa do pénis do marido. Diz que é gigantesco, trabalhador, e que o adora, muito, muito, que está muito satisfeita, muito satisfeita, e que até vai mandar fazer uma estátua do membro viril, toda em mármore, para colocá-la num altar. Ou várias estátuas do membro. Uma espécie de Stonehenge do calhamaço. Victoria acrescenta que se tivesse o corpinho do marido, andava sempre de cuecas por todo o lado, ou melhor, na rua. Victoria presta total culto ao corpo do seu David, igualmente sagaz. Foi assim que li, tal e qual. Alguém que tenha aí uma Maria à mão pode confirmar, para que eu não passe por mentirosa?
Adoro os casais do futebol. Já quando o Cristiano Ronaldo e a Merche se separaram tive cá uma pena.
Outdoors espalhados pelas capitais que interessam, exibem hoje esta foto de Beckam, com a anafada horta em aparente repouso, devidamente endireitada e aconchegada em algodão strech. Victoria, a sagaz esposa, foi já entrevistada sobre o assunto. Respondeu a tudo. Tenho imenso pena de já cá não ter a Maria desta semana, onde li sobre esta questão de estado, mas entretanto seguiu o destino para o qual foi comprada. Victoria afirma estar orgulhosa do pénis do marido. Diz que é gigantesco, trabalhador, e que o adora, muito, muito, que está muito satisfeita, muito satisfeita, e que até vai mandar fazer uma estátua do membro viril, toda em mármore, para colocá-la num altar. Ou várias estátuas do membro. Uma espécie de Stonehenge do calhamaço. Victoria acrescenta que se tivesse o corpinho do marido, andava sempre de cuecas por todo o lado, ou melhor, na rua. Victoria presta total culto ao corpo do seu David, igualmente sagaz. Foi assim que li, tal e qual. Alguém que tenha aí uma Maria à mão pode confirmar, para que eu não passe por mentirosa?
Adoro os casais do futebol. Já quando o Cristiano Ronaldo e a Merche se separaram tive cá uma pena.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
A crise
Estava com a luzinha da reserva a rebentar há uns bons 50 quilómetros. Pensei, pá, não chego a casa, e se me falta a gasolina na auto-estrada estou feita.
Cartão de crédito com a banda magnética estragada. Cartão multibanco com 56 cêntimos. No porta-moedas, uma moeda de um euro, mais uma chincalheira de pretos. 1,99. Foi a conta que apurei após despejar todo o metal em cima do balcão, contá-lo, e dizer à senhora da bomba, que sorria que nem uma rã inchada de gozo, olhe, ali aquele Opel Corsa, registe aí 1,99 da de 95. Ela repetiu, para mal da minha vergonha. 1,99? Respondi baixinho, sim, sim. Não digam nada à minha mãe.
Cartão de crédito com a banda magnética estragada. Cartão multibanco com 56 cêntimos. No porta-moedas, uma moeda de um euro, mais uma chincalheira de pretos. 1,99. Foi a conta que apurei após despejar todo o metal em cima do balcão, contá-lo, e dizer à senhora da bomba, que sorria que nem uma rã inchada de gozo, olhe, ali aquele Opel Corsa, registe aí 1,99 da de 95. Ela repetiu, para mal da minha vergonha. 1,99? Respondi baixinho, sim, sim. Não digam nada à minha mãe.
O respeitinho foi muito bonito, quando?

Sob influência do poste anterior, portanto, no que respeita a "lançar lixo para o quintal do vizinho", gostaria ainda de evocar os exercícios com F16, a 50 metros do solo, e à velocidade do som, que ocorreram, a semana passada, sobre os telhados nocturnos de Penamacor. Pela descrição das testemunhas, a mim, que sou nova, e urbana, e outras coisas, tinha-me dado o badagaio. Imagino, portanto, a inquietação sentida por velhotes, crianças e animais incapazes de perceber a origem das explosões, e de as racionalizarem.
Estamos ainda demasiado próximos dos habitantes dos bairros de Lisboa que, há poucos séculos, lançavam os dejectos pela janela, à baldada. Cada um suja como pode. Atira fora. Alguém limpará. Ou não. Que importância tem isso?!
Tudo isto, a meu ver, se relaciona muitíssimo com a questão humanista do respeito pelo outro, que está muito esquecida, ou nunca existiu, sei eu lá.
Estamos ainda demasiado próximos dos habitantes dos bairros de Lisboa que, há poucos séculos, lançavam os dejectos pela janela, à baldada. Cada um suja como pode. Atira fora. Alguém limpará. Ou não. Que importância tem isso?!
Tudo isto, a meu ver, se relaciona muitíssimo com a questão humanista do respeito pelo outro, que está muito esquecida, ou nunca existiu, sei eu lá.
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...