Apareceu-me o Nuno Gomes na garden party, todo mesuras. Para onde quer que fosse, onde me sentasse, o Nuno não me largava. Isabela, isto, Isabela, aquilo. Lá estava o rapaz a fazer-me a corte sem ser correspondido. Acabei por pensar o que penso muitas vezes, isto é, ok, não te livras dele, portanto, conversa um bocado; pode ser que lhe descubras interesse; nunca se sabe que surpresas a vida nos reserva. Lá me deixei estar sentada com o Nuno, escutando uma conversa que não me interessava um chavo, cordial, sobretudo concentrada no que bebia, disfarçando o tédio, e eis que o filho-da-mãe se aproveita de um momento de proximidade física e me pespega um irracional beijo molhado. Receber um beijo de alguém de quem não se gosta é nojento. Ninguém, com dois dedos de testa, avança para um beijo molhado sem roçar um braço, uma perna sem querer. Sem ritual. Um beijo é gradual. Vai-se progredindo.
Fiquei chateadíssima, como é óbvio, pelo que peguei nele ao colo e o sentei na outra ponta do sofá, de castigo. Quis ralhar-lhe sem dó, mas, ao senti-lo tão leve, só me ocorreu dizer-lhe, "filho, estás magrito. Assim não dá... já pensaste fazer um tratamento?" Ao que ele me respondeu, muito preocupado, "Sim, vou começar um tratamento para repor massa". Esclareci rapidamente, "mas comigo não alimentes esperanças, mesmo com massa, percebes?!"
A minha ex-psicanalista havia de ter gostado deste sonho.
Fiquei chateadíssima, como é óbvio, pelo que peguei nele ao colo e o sentei na outra ponta do sofá, de castigo. Quis ralhar-lhe sem dó, mas, ao senti-lo tão leve, só me ocorreu dizer-lhe, "filho, estás magrito. Assim não dá... já pensaste fazer um tratamento?" Ao que ele me respondeu, muito preocupado, "Sim, vou começar um tratamento para repor massa". Esclareci rapidamente, "mas comigo não alimentes esperanças, mesmo com massa, percebes?!"
A minha ex-psicanalista havia de ter gostado deste sonho.



