domingo, fevereiro 10, 2008

Projectos de um engenheiro diplomado ao Domingo

Um dos edifícios com projecto assinado por José Sócrates. Foto do jornal Público, aqui.

A minha amiga sueca contou-me que no seu país, há uns anos, uma ministra foi obrigada a demitir-se do cargo, após a Imprensa ter descoberto que usava o cartão de crédito do governo para comprar chocolates Toblerone nas bombas onde parava para meter gasolina. O cartão de crédito adstrito às despesas de representação! Toblerone!

A minha amiga sueca acha graça à politica portuguesa. Ri-se e pergunta-me, "mas ele não cai?", "mas vocês não exigem a sua demissão?", "mas como é isso possível", e a seguir telefona para a Suécia e ri-se muito enquanto diz Portugal, Portugal, e uma outra palavra que me soa a palonços, palonços.
Numa democracia moderna, o caso "diploma da Moderna" teria afastado qualquer político do activo. A honra é uma coisa séria, e, quando se perde, está perdida. Ora, se o "diploma da Moderna" apenas feriu o primeiro-ministro, mas de forma alguma o desapeou do cavalo, a polémica sobre os lamentáveis projectos de construção civil numa câmara do centro-norte, não o matará. Quer dizer, Sócrates já está suficientemente morto. Apenas se mantém como chefe do governo cuja principal medida tem consistido na informatização da administração pública. Que os cidadãos não possuam competência para usar o referido software, ou mesmo hardware, não lhe diz respeito. Eduquem-se nas "Novas Oportunidades". Já não é mau. Ele também se formou depois dos 40, e etc., etc. E adquiram portáteis Toshiba.
Realmente, o primeiro-ministro não tem grande saída no que respeita ao caso divulgado pelo jornal Público a semana passada. Se os projectos de facto lhe pertencem, então não respeitou a exclusividade a que estava obrigado enquanto deputado, cargo que exercia à época. Mas isto não lhe causará mais mossa. Alcançar um diploma com data de Domingo é feito de que nem todos se poderão gabar, mas quebrar o dever de exclusividade...
No entanto, a questão do Domingo é importante, como se vê pelos projectos que podem conhecer seguindo o línque (legenda da foto). Um engenheiro de Domingo não pode ser tão expedito como um de segunda-feira. O engenheiro de Domingo fica na cama até às tantas, anda de fato de treino, vai lavar o carro ao Elefante Azul e engana-se a contar centímetros porque bebeu três copitos ao almoço, e está no seu direito. Porque é Domingo. Como pode alguém pretender que o cidadão Sócrates assine projectos melhorzinhos?! Há coisas que o homem realiza sem grande competência: uma é projectar edifícios, a outra, governar um país.

sábado, fevereiro 09, 2008

Uma solteirona desaustinada

Arrecadação de uma fábrica de parafusos. Vassouras, pás e esfregonas encostadas às paredes; baldes e detergentes espalhados pelo chão. Penumbra. Uma operária desaustinada e pujante de vitalidade, em período ovulatório, submete colega do sexo masculino contra uma das paredes livres, toda escarranchada nele.

Homem desejável, mas mesmo que não fosse
(Debatendo-se sensual e mansamente.) Isabela...

Isabela
(Esfregando a boca no seu peito.) Não digas nada, querido.

Homem desejável, mas mesmo que não fosse
Não é isso, linda, é que eu...

Isabela
(Levantando a cabeça.) Aproveita o momento. Olha que à meia-noite volto a transformar-me em abóbora. (Colocando o indicador direito no mamilo esquerdo.) Estás a ver que até já começam a aparecer as pevides?!

Homem desejável, mas mesmo que não fosse
Mas preciso de te dizer que...

Isabela
Oh, por favor, não fales; deixa-me ter a ilusão afrodisíaca de estar a corromper um homem inteligente.

Homem desejável, mas mesmo que não fosse
Ouve-me, é que eu sou...

Isabela
Oh, filho, eu sei, és casado. E muito amigo da tua mulher, embora se tenha acabado a paixão e não tenham sexo há mais de 12 anos, e só estejam juntos por causa das crianças e da casa, que é dela.

Homem desejável, mas mesmo que não fosse
(Visivelmente entusiasmado, movimenta as pernas e derruba alguns baldes de limpeza.) Não, não...

Isabela
Querido, deixa isso e aproveita-te de mim toda inteirinha.

Homem desejável, mas mesmo que não fosse
Oh, Isabela, enquanto não me largares os pulsos não posso; além disso, sou míope, e quando me estavas a morder o pescoço, e me lambeste a cara, arrastaste-me uma lente de contacto... está a brilhar em cima da tua mama... se pudesses dar-me dois minutinhos só para ir pô-la outra vez...


quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Resta-me respirar fundo


Perdidas todas as esperanças sobre a experiência superlativa da felicidade existencial ou da liberdade social e de expressão, resta-me a certeza última de poder arrancar o soutien todos os dias, assim que chego a casa.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Gostamos de apanhar tautau

Lá na minha fábrica, a chefe de secção é execrável. Pelos corredores, todos lhe cortam na casaca, o mais possível, em sussurro.
Registei um sorriso geral de vingança satisfeita quando chegou com o carro amolgado, a semana passada. Eu não fui excepção. Primeiro que tudo a moral, mas, antes da moral, o ressentimento. Bem feita, ouvia-se; era um clamor geral sem fonética. A mulher merece.
Sendo o seu cargo decidido por eleição anual entre pares, qualquer pessoa normal pensaria que a ditadora histérica está há pouco tempo na função, e não voltará a ser alvo de sufrágio, mas a verdade é que a víbora é eleita consecutivamente há uns bons oito anos e não se prevê que saia. Ninguém fala em mudança. Estou em crer que os meus colegas adoram levar nas trombas, e temê-la, para a seguir lhe morderem na sombra. Uma coisa masoquista que não terá grande explicação fora da psicanálise.
Por esta, e por outras, habilito-me a defender a ideia de que os portugueses não acreditam na democracia, e, mesmo que acreditassem, varriam-na para debaixo do tapete. Os portugueses gostam é que o papá, ou a mamã, dêem tautau, e digam não, não fazes, não, não podes, e faço isto para teu bem, meu filho. Depois choram, reclamam e batem o pé, mesmo sabendo que não adianta, porque não está nas suas mãos, que bom, alguém decide a sua vida por eles, seja o que for, por isso até não se importam de ir para o quarto de castigo, obedientes e lindos meninos chorosos com a catarse realizada. Tenho a ideia que a maioria dos portugueses está na fase dos 12, 13 anitos. Ai, que medo da vida dos crescidos!

domingo, fevereiro 03, 2008

Nunca demasiado loura

A recém-casada Brigite Nielsen, com o marido, num momento de relax da sua lua-de-mel.


Queria, há muito, imitar o look Annie Lennox, de maneira que resolvi cortar o cabelo radicalmente, e pintá-lo de louro claríssimo. A minha prima afastada diz que sim, que estou com um ar eighties, e ligeiramente punk, mas que pareço é a Brigitte Nielsen em bonito e em xl. Pode ter sido um bocado ao lado, mas divirto-me à mesma, e isso é que conta.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Um caso com Nuno Gomes

Apareceu-me o Nuno Gomes na garden party, todo mesuras. Para onde quer que fosse, onde me sentasse, o Nuno não me largava. Isabela, isto, Isabela, aquilo. Lá estava o rapaz a fazer-me a corte sem ser correspondido. Acabei por pensar o que penso muitas vezes, isto é, ok, não te livras dele, portanto, conversa um bocado; pode ser que lhe descubras interesse; nunca se sabe que surpresas a vida nos reserva. Lá me deixei estar sentada com o Nuno, escutando uma conversa que não me interessava um chavo, cordial, sobretudo concentrada no que bebia, disfarçando o tédio, e eis que o filho-da-mãe se aproveita de um momento de proximidade física e me pespega um irracional beijo molhado. Receber um beijo de alguém de quem não se gosta é nojento. Ninguém, com dois dedos de testa, avança para um beijo molhado sem roçar um braço, uma perna sem querer. Sem ritual. Um beijo é gradual. Vai-se progredindo.
Fiquei chateadíssima, como é óbvio, pelo que peguei nele ao colo e o sentei na outra ponta do sofá, de castigo. Quis ralhar-lhe sem dó, mas, ao senti-lo tão leve, só me ocorreu dizer-lhe, "filho, estás magrito. Assim não dá... já pensaste fazer um tratamento?" Ao que ele me respondeu, muito preocupado, "Sim, vou começar um tratamento para repor massa". Esclareci rapidamente, "mas comigo não alimentes esperanças, mesmo com massa, percebes?!"
A minha ex-psicanalista havia de ter gostado deste sonho.


segunda-feira, janeiro 28, 2008

Yes, we can

No próximo mês terei de abrandar a postagem de textos. Apenas abrandar. Provavelmente, não poderei escrever todos os dias. Sabem lá os leitores o que me custa! Deve ser como andar a fumar ao ritmo de um maço por dia e, de repente, não poder ultrapassar os três cigarros, um de manhã, outro à tarde e outro à noite. É a vida, meus amigos, ou melhor, a necessidade de ganhar a vida, mas prometo que assim que tiver tempo livre volto em força e vamos partir tudo o que ainda estiver inteiro. Como diz Obama, yes, we can change, yes we can heal this nation... [Bem, a nossa já não.]

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...