A minha amiga sueca contou-me que no seu país, há uns anos, uma ministra foi obrigada a demitir-se do cargo, após a Imprensa ter descoberto que usava o cartão de crédito do governo para comprar chocolates Toblerone nas bombas onde parava para meter gasolina. O cartão de crédito adstrito às despesas de representação! Toblerone!
A minha amiga sueca acha graça à politica portuguesa. Ri-se e pergunta-me, "mas ele não cai?", "mas vocês não exigem a sua demissão?", "mas como é isso possível", e a seguir telefona para a Suécia e ri-se muito enquanto diz Portugal, Portugal, e uma outra palavra que me soa a palonços, palonços.
Numa democracia moderna, o caso "diploma da Moderna" teria afastado qualquer político do activo. A honra é uma coisa séria, e, quando se perde, está perdida. Ora, se o "diploma da Moderna" apenas feriu o primeiro-ministro, mas de forma alguma o desapeou do cavalo, a polémica sobre os lamentáveis projectos de construção civil numa câmara do centro-norte, não o matará. Quer dizer, Sócrates já está suficientemente morto. Apenas se mantém como chefe do governo cuja principal medida tem consistido na informatização da administração pública. Que os cidadãos não possuam competência para usar o referido software, ou mesmo hardware, não lhe diz respeito. Eduquem-se nas "Novas Oportunidades". Já não é mau. Ele também se formou depois dos 40, e etc., etc. E adquiram portáteis Toshiba.
Realmente, o primeiro-ministro não tem grande saída no que respeita ao caso divulgado pelo jornal Público a semana passada. Se os projectos de facto lhe pertencem, então não respeitou a exclusividade a que estava obrigado enquanto deputado, cargo que exercia à época. Mas isto não lhe causará mais mossa. Alcançar um diploma com data de Domingo é feito de que nem todos se poderão gabar, mas quebrar o dever de exclusividade...
No entanto, a questão do Domingo é importante, como se vê pelos projectos que podem conhecer seguindo o línque (legenda da foto). Um engenheiro de Domingo não pode ser tão expedito como um de segunda-feira. O engenheiro de Domingo fica na cama até às tantas, anda de fato de treino, vai lavar o carro ao Elefante Azul e engana-se a contar centímetros porque bebeu três copitos ao almoço, e está no seu direito. Porque é Domingo. Como pode alguém pretender que o cidadão Sócrates assine projectos melhorzinhos?! Há coisas que o homem realiza sem grande competência: uma é projectar edifícios, a outra, governar um país.


