segunda-feira, maio 19, 2008

Assuntos da actualidade III

Fumar um cigarro num local proibido, quando fomos nós a proibi-lo, pode configurar uma situação de imoral abuso de poder, a fazer lembrar atitudes próprias dos responsáveis pelos sistemas autoritários do passado, e do presente, mas grave, grave, e isso, sim, poderia tornar-se complicado, seria comprar um diploma e fazê-lo passar por uma situação normal e legítima. Isso aí é que...

Assuntos da actulidade II

Nereidinha

Chegou ao meu conhecimento, pela leitura de certos entretítulos no fait-divers semanal, que Cristiano Ronaldo prometeu ao seleccionador casar com com Nereida se conseguir atingir os seus objectivos no europeu de futebol. Não sei se tem a ver com número de golos ou mesmo com o sucesso total, ou seja, a taça de campeões europeus. Nereida está contente. Toda a família. Até eu, quando vi as mamas de Nereida na Imprensa, a semana passada, fiquei contente. A questão é, eu sei que as mamas, quero dizer, o amor vence todas as barreiras, e que Cristiano Ronaldo está febril de paixão, mas e se não cumpre os objectivos? Se não marca os golos que deseja, se não traz a taça, como fica o casamento? Será que Nereida já lho perguntou, ou não interessa nada, porque com casamento ou sem casamento o nome Ronaldo ajuda a vender nem que seja frigoríficos a esquimós?!

Assuntos da actulidade I

Fui apanhando umas aqui, outras ali, e cheguei esta semana à conclusão de que parece que vamos ter outro europeu de futebol. Acho que é no estrangeiro, porque é sempre no estrangeiro, mas não sei onde. A minha mãe disse-me, ao almoço, que vão fazer uma festa muita linda, no dia 1, quando eles partirem. Eles, deve estar a referir-se aos jogadores e técnicos da magnifica selecção nacional, e, pergunto eu, na minha santa ingenuidade, não houve um grande campeonato de futebol há dois anos, na Alemanha, se não estou em erro, que até lá foi a apaixonada Merche visitar o seu grande amor Ronaldo e tudo? Sim, mas agora é outro. A minha mãe sabe sempre tudo, porque tem o botão do comando encravado na TVI.
Devemos, portanto, preparar-nos todos para outro verão de grande consumo de cerveja e caracóis, associados à exibição da bandeira nacional em varandas e viaturas, gritos nos apartamentos da vizinhança e concentrações nocturnas de gente seminua na rotunda do Marquês. Lindo!

domingo, maio 18, 2008

O macho heterossexual

Foto Denis Marchaud

Homem jovem, sério, estudado, bem empregado numa multinacional. Casou cedo e tem a vida equilibrada; mulher executiva, magra, bonita, vestida com discrição e bom gosto, dois filhos, bons carros, cão, dog sitter sempre que passam férias no estrangeiro, reuniões periódicas com a família, vida stressante, compensada pelos prazeres de uma qualidade de vida média-alta. Tiveram os filhos tarde, por opção, pelo que puderem gozar longamente os prazeres da vida conjugal sem responsabilidades. Bom aluno, bom marido, bom pai. Às sextas, reunião com os colegas fora da empresa; umas cervejas descontraídas, sem paneleirices, antes de voltar a casa; discussões inflamadas sobre futebol, as estratégias dos treinadores, sempre sem solução à vista, risota, as gajas da empresa, as que têm marido e são boas, as que não têm e são boas, mas um gajo agora... prisão... elas até as mensagens do telemóvel nos lêem; bloqueia-as, pá, bloqueia, queres que eu te diga como é que isso se faz?; só se for o Raul, desde o divórcio faz o que quiser, arranjou um apartamento, mete lá quem quer; as taxas de juro de aplicações financeiras, e a ausência de perspectivas para um desenvolvimento da economia, a médio prazo, ou não, a longo; fait-divers: o car jacking, pá, o pior é um gajo resistir, deixá-los levar tudo, e meter bloqueadores do sistema, sai caro, mas... não, resistir, não, viram o que aconteceu à outra que estava casada com o fulano da televisão?! Não! É preciso saber fazer as coisas. Cabeça. E a gaja que é homem e está grávida, até foi ao programa da Oprah, diz que agora é gajo, tirou as mamas, mas deixou ficar o grelo, e está grávido, grávida, tu já viste o caraças?! Estamos lixados. E a cena do Ronaldo. Pá, que galo. E eram boas, os gajos, viste? Até eu caía. Quem é que não caía? O meu tio dizia que a mulher mais boa, mais boa que já viu na vida era um gajo. Isto certinho. Já ninguém distingue ninguém.
Risota. Sabia bem. Chegando a casa, despe o casaco, manda os miúdos para a cama. Apaga-lhes a luz. Beija a mulher, cansada da semana, deitada no sofá a ver qualquer coisa no Hollywood, linda, sempre. Pergunta-lhe, andaste a beber, já jantaste? Comi qualquer coisa com a malta. Petiscámos Não queres comer? Há salada fria com salmão. Não, deixa. Ainda vou trabalhar um bocado, e encaminha-se para o escritório. Trazes sempre que fazer, diz-lhe ela. Chega de trabalho, hoje é sexta.
Um momento de sossego, respira fundo, arregaça as mangas da camisa, recosta-se no assento da cadeira e verifica o e-mail. Nada de especial. Coisas que podem ficar para segunda. Olha para a porta, escuta lá fora os ruídos da televisão, conecta-se ao Man Hunt, entra no chat e escreve, Olá, 40 anos, 1,78m, 84Kg, magro, definido, não assumido procura não assumido, interessa a alguém?

sábado, maio 17, 2008

A essência do fogo

John Maeda, Traffic, 2002


Às vezes parava de ler e chorava. Era preciso chorar antes de recomeçar. Reler a mesma página, mas avançar apesar das lágrimas. A leitura era um experiência excessivamente forte. Só a música podia vergar-me com a mesma intensidade ao nada que eu era. A humanidade que criara a literatura e a música, não valia nada, era excremento. Como é que a beleza, a unicidade, a verdade, a essência do fogo poderia provir de uma criatura tão reles como o ser humano?

quinta-feira, maio 15, 2008

Dependências

Passo todos os dias frente a um antigo móvel de pau-preto que veio de casa da minha mãe. Um pequeno móvel com gavetas para uso diverso. Há uma cujo conteúdo conheço muito bem, mas que recuso abrir. Sinto a enorme tentação de o fazer, diria, uma pulsão, mas não o faço. Penso, e se abrisse, mas não abro. Posso abri-la. Ninguém me impede, ninguém vê, ninguém saberia. Contudo, jurei nunca mais abrir uma gaveta cheia de nada. Sou uma gaveto-dependente em recuperação.

quarta-feira, maio 14, 2008

Nem à lei da bala


Não havia quartos individuais, só camaratas, e nós dissemos está bem. Deitei-me. Sete camas, mas não havia ninguém. Só nós. Era um velho amigo com quem já tinha dormido sem esperanças. Um amigo que se tinha deitado comigo por favor, quer dizer, por ser homem, e porque um homem nunca se nega, e porque os meus lábios tinham não sei quê que o deixavam perturbado, com boas hipóteses de ser mentira. Eu bem via as amantes que lhe iam passando pela mão. Isto sem favor para nenhuma das partes, eu tinha demasiada categoria para sua namorada, era demasiado bonita, demasiado sensível, demasiado esperançosa. Eu era uma mulher de quem era preciso gostar, e ele sabia disso.
Mas agora estávamos naquela situação, sendo que não nos encontrávamos há centenas de anos.
Não foi embaraçoso. Ele despiu-se e deitou-se. E eu pensei, bolas, isto vai dar molho.
Não me desagradou. Achei melhor ir à casa-de-banho. À cautela seria melhor fazer xi-xi, que isto, pá, uma mulher, é uma chatice.
Quando voltei, a camarata estava cheia de gente, e ele quase a dormir.
Abracei-o e pensei que também estava bem assim.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...