sexta-feira, agosto 15, 2008

Very silly season


Alguns leitores(as) têm imensa vontade de me conhecer, o que é natural, e portanto, aqui deixo imagens actualizadas.

Eu e as minhas amigas, ontem à noite, vestidas para arrasar o Bairro Alto.


Eu e as minhas amigas, hoje à tarde, a caminho da praia, com roupa apropriada mas sapatos errados.

Fotos de Leonard Nimoy

quinta-feira, agosto 14, 2008

A guerra colonial conta-se nos cafés da Margem Sul


É manhã cedo de Verão. Estão na esplanada do meu café, em mesas diferentes. Um, sozinho com o jornal do dia. O outro sozinho com a mulher e o jornal do dia. A mulher permanece totalmente indiferente à conversa que se desenrola entre as duas mesas da esplanada.
São veteranos da Guerra Colonial. Estiveram na mesma zona da Guiné com poucos meses de diferença, já no início dos anos setenta, perto do fim. Conversam sobre as referências comuns.

Lembras-te da Aldeia Formosa? Havia um preto a quem chamávamos o Pelé.
Sim, um dos que andava connosco na milícia.
Não, este Pelé era um gajo de lá, um gajo que vendia coisas fora do acampamento, e sabia tudo.Tu estiveste em Aldeia Formosa numa altura em que eu ainda não tinha chegado. Tínhamos ali um belo acampamento de obuses. Três obuses à maneira. Quando soube que íamos mudar pensei... asneira. Havia entretimento: uma companhia de teatro e um grupo de coral que eu organizei entre os rapazes. 85% dos homens da minha companhia eram do Baixo Alentejo, como eu, conhecíamo-nos todos. Da minha aldeia só se safaram três à guerra.
A certa altura o capitão disse, a partir de agora não quero cá mais mortes; deixámos de nos aventurar e começámos a emboscar a 500 metros do acampamento. Fazíamos o trabalho logo ali, não nos metíamos no mato, e nunca mais morreu ninguém.
No acampamento havia só dois frigoríficos com cerveja fresca, os dois a funcionar a petróleo. Quando a cerveja acabava, bebíamos bagaço em copos de água. Copos cheios. Ri-se.
Um vez tive um problema bravo com um rapazito, um preto que era de lá, não dos nossos. Estava a comer pão com chouriça que a minha mãe me tinha mandado, e sem querer atirei a tripa para o chão, e aquilo foi parar em cima do pé do negro. Que problema! O preto era muçulmano e achava que eu tinha feito aquilo de propósito para o desonrar, a pele do porco, e meteu comandante e tudo.



quarta-feira, agosto 13, 2008

A tarde


Ao final de tarde, o sol projecta-se lasso contra o casario a oriente, branco, ocre e pardo; o estuário do Tejo perfeitamente azul, como nos outros dias, assim à distância, e as copas dos pinheiros mansos destacando-se bem verdes, segundo as regras do cenário perfeito.
Há silêncio pela casa toda, embora ouça o vento abanar os estores, os espanta-espíritos, a folga da porta.
Os pombos continuam a pousar no telhado dos prédios vizinhos, agora à sombra, e uma das minhas canas de bambu tem novos rebentos.
Tudo o que existe à minha volta está vivo e em paz.


terça-feira, agosto 12, 2008

Não agridam os vossos homens, por favor


Foto de Emmanuel Honold (exemplo de publicidade negativa para a marca Ecko)

Parece que estou sempre a esquecer-me que os homens também são vítimas de violência doméstica. Falha minha, realmente; 12 por cento das queixas são apresentadas por homens. Vou explicar isto melhor: em 100 indivíduos agredidos pelos parceiros com quem supostamente dormem e coabitam, 12 são dos sexo masculino. Entre esses 12 há os que são agredidos pelas namoradas e esposas, e os que levam dos marmanjos barbudos com quem coabitam.

É dramático: o dia todo a trabalharem na estiva, a beberem bejecas para ganharem força onde têm pouca, e chegado o final do dia, ao chegarem a casa frageizinhos do álcool, ainda por cima levam. Um homem a precisar de uma soneca reparadora para no dia seguinte continuar a beber e a discutir bola com os amigos, e torna-se ali vítima de pancadaria da grossa.

Não batam nos vossos maridos e companheiros, por favor. Olhem que é uma coisa muito má e muito feia estarem a exercer sobre eles o poder que as mulheres já não lhes reconhecem. Não sejam vingativas. Não incorram nos exemplos que testemunharam sob a agência dos vossos pais, avós, tios, irmãos. Se lhes estiverem com raiva, é melhor chateá-los a um ponto em que só encontrem sossego de alma atirando-se voluntários da janela do 10º andar. Que seja uma decisão pessoal e voluntária da parte deles. Não nos cabe interfir nas decisões de vida dos nossos homens. Eles são livres, livres, livres.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Resiliência



A minha mãe não gosta de me ver os vernizes escuros. A minha prima afastada disse-me, hoje, isso não te parece claro demais?! As minhas colegas olham-me para as mãos de
revés, seja qual for o verniz, e imaginam-me vidas alternativas, que sinceramente... Os amigos acham que uma mulher como eu não deveria sequer pintar as unhas, que é pindérico, nada intelectual de esquerda.
Para uma mulher se colorir à sua vontade tem de desenvolver muita resiliência.

domingo, agosto 10, 2008

O que eles dizem I


No DN de hoje, página 16: "Morte de rapaz ainda está por explicar".
Um miúdo de 15 anos morreu enquanto jogava no computador. Não se conhecem as causas.

Diz o padrinho: "Sinto-me orgulhoso por saber que o menino passou os últimos minutos de vida a brincar com uma prenda que lhe dei."

sábado, agosto 09, 2008

As prostitutas andavam decentes


Foto: Anónimo, Nude Hiding her Face, Alemanha, 1920


A caminho de Alfarim com a minha mãe.

- Oh, mãe, e se fôssemos à praia do Meco?
- (ri-se) Só se fosse vestida.
- Não, nuazinhas.
- Nuazinhas andam elas todas nas outras praias, que bem as vejo na televisão. É um fiozinho a tapar o rabo e uma coisinha que só esconde o bico das mamas. Com a anca toda destapada... eu quer-me parecer que os homens já nem ligam.
- (rio-me) Ah, pois não. Antigamente é que era uma vergonha andar nu, não era, mãe?
- Antigamente, os homens ficavam malucos quando viam um bocadinho da perna. Olha, lá em Alcobaça havia as mulheres da casa amarela, as prostitutas; elas andavam decentes, mas nós sabíamos que eram prostitutas porque traziam menos de metade dos joelhos à mostra. Só uma coisinha de nada. Os homens iam esperá-las. Ficavam doidos com elas por causa dos joelhos.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...