
O comportamento dos indivíduos raramente é individual. As pessoas agem por imitação. Fazem o mesmo que vêem os outros fazer, tendendo a integrar-se nos grupos. Esta tendência não vale apenas para a moda, para os hábitos de lazer, vocábulos e expressões que não sabemos de onde vêm, autocolantes nos carros, compra massiva de écrans plasma, seguros de saúde, determinadas marcas, práticas sexuais, etc., etc. Aplica-se igualmente à criminalidade. É exactamente o mesmo fenómeno que ocorre quando alguém resolve suicidar-se atirando-se da Ponte 25 de Abril. Nas semanas seguintes, centenas de pessoas tentam atirar-se de pontes. A mente e vontade humanas funcionam segundo a fórmula "se os outros conseguem, eu também consigo", "se é fácil para os outros, também é fácil para mim". E sejamos sinceros, pôr termo à vida é fácil. Assaltar seja quem for ou o que for, é fácil. Sempre me admirei com a forma como tudo funciona em Portugal sem vigilância, na boa. Como tem sido bom circular por todos os cantos desta terra sem a presença ostensiva das polícias. No que respeita a questões de segurança, isto tem sido um país do caraças para se viver! Estive há poucas semanas em Barcelona, onde a polícia é quase omnipresente, e devo dizer que embora isso possa garantir uma segurança eficaz, incomoda. Lembra-me que os jardins do paraíso podem explodir a qualquer momento. Ontem, por exemplo, senti-me pela primeira vez bastante insegura na estação de correios da minha área, e apenas porque havia um agente da PSP a guardar-lhe a porta, e não é que me pareça má ideia. As pessoas e instituições têm de se defender das pragas de gafanhotos.
Estou em crer que a vaga de assaltos se trata de um crime sazonal e por contágio. Não tem nada a ver com imigração, como certas falanges da direita tentam passar. A constante divulgação mediática de actos criminosos promove a ocorrência de crimes semelhantes. Enquanto as aberturas e "últimas horas" dos telejornais derem destaque a assaltos à mão armada a bombas de gasolina, correios, caixas multibanco e carros de alta cilindrada, a ocorrência anormal de crimes deste género continuará a dar-se.
É Verão, mas um mau Verão, a praia tem estado impossível, as noites excessivamente frescas, não há dinheiro para diversões, a malta está de férias, perdeu hábitos de leitura, perdeu os valores fundamentais que eram oferecidos pela educaçãozinha à antiga, nomeadamente não matarás, não roubarás, não desrespeitarás isto e mais aquilo... portanto, por que não sacar o dinheiro da bomba da Costa, pela adrenalina, para comprar umas pastilhas, uns ténis de marca, arranjar umas gajas, sair no Telejornal, man. Eu sei que isto é falar à velha. Se calhar estou a ficar velha.