domingo, agosto 31, 2008

Caixas de comentários outra vez


As questões sobre as desvantagens das caixas de comentários voltam periodicamente à blogosfera.

Dá-se-lhes excessiva importância. Os comentadores são apenas pessoas com opinões, como as que encontramos no nosso emprego, por exemplo, e com as quais temos de lidar. Ou não temos. O Blogger permite-nos eliminar ou não publicar comentários com toda a democracia. Quando apago um comentário muito estúpido presto um belo serviço à humanidade, e não me fica a pesar na consciência. Não tenho nada a ideia que qualquer maluco está no direito de me entrar estrebuchando pela casa dentro. No entanto, considero que existe um grau de loucura aceitável, que me diverte ou que pelo menos não me chateia especialmente. Se isto não é democracia...
Admito que a decisão de fechar os comentários durante cerca de mês e meio me concedeu umas férias santas. Agendei a maior parte dos postes e fui para onde tinha de ir, descansadinha, deixando o blogue a trabalhar sozinho. Mas não é o meu estilo. Gosto de comentar nos blogues alheios, gosto que comentem no meu. Poupar-me às más experiências poupa-me igualmente às boas, para além de que detestaria viver numa redoma. Por esse motivo, acabadas as férias, os comentários voltam a estar abertos.


sábado, agosto 30, 2008

Quietinho aí!


Ontem fui ao
Minipreço. Ir ao Minipreço não é um acontecimento em si. Vou todas as semanas. Mas ontem havia uma novidade: um agente da polícia do lado de dentro, de costas viradas para a porta, vigiava o estabelecimento. Pude observá-lo bem enquanto estava na fila da caixa. Os alvos de atenção do polícia eram escolhidos segundo o sexo e a raça. As mulheres não lhe mereciam preocupação e os brancos muito menos. Portanto, eu poderia, se quisesse, ter praticado alguns pequenos crimes à vontade. No entanto, dois jovens negros e altos que entraram lestamente para comprar pão e leite, foram alvo de grande vigilância. Partir-se do princípio de que todos os jovens negros são potenciais assaltantes revela enorme ignorância, incultura e falta de educação. Aquilo a que chamamos racismo é isso tudo junto.
Enquanto o polícia ia vigiando os negros que entravam fui-lhe tirando a radiografia: era um homem dos seus trinta anos, simples, aparentando a escolaridade mínima para o cargo, com aquele aspecto policial que confunde autoridade com exercício arbitrário do poder. Não tinha um ar inteligente nem vivaz, mas podia mostrar-se curioso, atento, pronto, activo. Não. Estava ali aquela figura de corpo presente a vigiar clientes negros que acabavam de sair do trabalho, cansados, desejosos de chegar a casa. Não creio que aquele homem pudesse defender-se de dois ou três atacantes que o agarrassem (lembro que estava de costas para a porta!). A pequena arma encontrava-se tão bem embrulhada e fora de mão, tão inofensiva, que duvido que tivesse tempo de a empunhar antes de ser atingido com uma murraça nos queixos. Este agente é a imagem que nos é oferecida da polícia portuguesa. Agentes preguiçosos, indiferentes, cheios de preconceitos, destituídos de poder, incapazes de exercer a sua missão como seria desejável. Para mim, aquele polícia estava a pedi-las. Se tivesse entrado uma quadrilha no Minipreço, sei lá se me teria oferecido para ajudar a manietar o agente e ir-lhe sussurando ao ouvido, quietinho aí!

sexta-feira, agosto 29, 2008

Ninguém tem três mãos


Fico muito aborrecida nas rotundas, porque poucos condutores se dignam fazer sinais de luzes indicadores da direcção, vulgo piscas, mas talvez esteja a ser injusta. Se as pessoas estão ocupadíssimas fazendo a curva com uma mão e falando ao telemóvel com outra, com que mão posso eu exigir que accionem a alavanca dos piscas?

quarta-feira, agosto 27, 2008

Um país do caraças para se viver


O comportamento dos indivíduos raramente é individual. As pessoas agem por imitação. Fazem o mesmo que vêem os outros fazer, tendendo a integrar-se nos grupos. Esta tendência não vale apenas para a moda, para os hábitos de lazer, vocábulos e expressões que não sabemos de onde vêm, autocolantes nos carros, compra massiva de écrans plasma, seguros de saúde, determinadas marcas, práticas sexuais, etc., etc. Aplica-se igualmente à criminalidade. É exactamente o mesmo fenómeno que ocorre quando alguém resolve suicidar-se atirando-se da Ponte 25 de Abril. Nas semanas seguintes, centenas de pessoas tentam atirar-se de pontes. A mente e vontade humanas funcionam segundo a fórmula "se os outros conseguem, eu também consigo", "se é fácil para os outros, também é fácil para mim". E sejamos sinceros, pôr termo à vida é fácil. Assaltar seja quem for ou o que for, é fácil. Sempre me admirei com a forma como tudo funciona em Portugal sem vigilância, na boa. Como tem sido bom circular por todos os cantos desta terra sem a presença ostensiva das polícias. No que respeita a questões de segurança, isto tem sido um país do caraças para se viver! Estive há poucas semanas em Barcelona, onde a polícia é quase omnipresente, e devo dizer que embora isso possa garantir uma segurança eficaz, incomoda. Lembra-me que os jardins do paraíso podem explodir a qualquer momento. Ontem, por exemplo, senti-me pela primeira vez bastante insegura na estação de correios da minha área, e apenas porque havia um agente da PSP a guardar-lhe a porta, e não é que me pareça má ideia. As pessoas e instituições têm de se defender das pragas de gafanhotos.
Estou em crer que a vaga de assaltos se trata de um crime sazonal e por contágio. Não tem nada a ver com imigração, como certas falanges da direita tentam passar. A constante divulgação mediática de actos criminosos promove a ocorrência de crimes semelhantes. Enquanto as aberturas e "últimas horas" dos telejornais derem destaque a assaltos à mão armada a bombas de gasolina, correios, caixas multibanco e carros de alta cilindrada, a ocorrência anormal de crimes deste género continuará a dar-se.
É Verão, mas um mau Verão, a praia tem estado impossível, as noites excessivamente frescas, não há dinheiro para diversões, a malta está de férias, perdeu hábitos de leitura, perdeu os valores fundamentais que eram oferecidos pela educaçãozinha à antiga, nomeadamente não matarás, não roubarás, não desrespeitarás isto e mais aquilo... portanto, por que não sacar o dinheiro da bomba da Costa, pela adrenalina, para comprar umas pastilhas, uns ténis de marca, arranjar umas gajas, sair no Telejornal, man. Eu sei que isto é falar à velha. Se calhar estou a ficar velha.


segunda-feira, agosto 25, 2008

Sobre os avistamentos da Maddie



Este Verão, após a série de avistamentos de Maddie por todo o mundo, os quais se seguiram à retirada do estatuto de arguidos que recaía sobre os seus pais, resolveram estes dispensar a segunda equipa de investigadores privados altamente qualificados, por não ter conseguido apresentar quaisquer resultados sobre o paradeiro da menina, mesmo após tentativa de infiltração numa rede pedófila belga.

Devo dizer que o fenómeno "avistamento de Maddie" também a mim me aconteceu. Estas férias vi a criança uma data de vezes, loirinha, toda vestidinha de cor-de-rosa, tal e qual como nas fotos divulgadas: o mesmo corte de cabelo, coradinha e angelical, dizendo num inglês perfeito, onde está a mamã?, quero a mamã. À distância também me pareceu ter uma marca no olho, em alguns casos até duas - facto atribuível à minha alta miopia e respectivos fenómenos de ilusão óptica produzidos.
Sobretudo no Algarve, aconteceu-me todos os dias. Cheguei a vê-la em sítios distintos, com duas ou três horas de diferença, pela mão de diferentes raptores, provavelmente devido à mudança de turno. A maior parte das vezes, como estratégia de disfarce, já lhe tinham trocado o vestidinho, o chapéu e os sapatinhos. Mas era a mesma Maddie. Pareceu-me sempre tão bem integrada nos agregados de raptores, brincando com outras Maddies iguais a ela, que resolvi nunca informar a polícia nem o staff do Gerry, Kate e respectivo fundo, não fossem eles dizer, sim, é ela, é uma aparição da nossa Maddie. Sou pela felicidade das crianças.

sábado, agosto 23, 2008

A filosofia de baixo custo do autocarro aéreo



A Spanair declarou que o avião que na passada semana se despenhou no aeroporto de Madrid não apresentava problemas técnicos, tendo sido alvo de inspecção há oito meses. Com os aviões não sei, mas os automóveis, que para maior sossego, mesmo que ilusório, circulam com as rodas no chão, costumam ir à revisão de seis em seis meses, e há sempre qualquer coisa a precisar de substituição. São as velas, o filtro de óleo, a junta do carter, se é que isso existe...

Andei pela primeira vez de avião em 1971. Andar de avião, nessa época, era uma festa: mandávamos fazer roupa nova, íamos ao cabeleiro, às vezes até pintávamos a cara e as unhas, os amigos e conhecidos iam despedir-se de nós ao aeroporto, e a viagem compensava. As hospedeiras tratavam-nos com luxo, havia presentes para as crianças, sacos da companhia aérea para os adultos, rebuçados, bebidas e refeições gratuitas, e não me lembro de serem catering de terceira classe. Ao viajar de avião gozava-se a própria viagem. Ao longo dos anos 70 e 80 terei feito cerca de 40 viagens, todas internacionais de longo curso, em diversas companhias aéreas do mundo civilizado ou selvagem e nunca me ocorreu que um avião pudesse cair. Sim, podia acontecer, eventualmente, mas era coisa tão rara, e não haveria de ser comigo lá dentro! Por uma questão de lógica, partia do princípio que uma viagem de avião era algo bem preparado e que alguém velava para que tudo corresse muito bem, porque não se brinca com a vida de centenas de pessoas.
Um avião metia respeito. Era uma máquina grande e poderosa, e os pilotos, os deuses que a comandavam. Lembro-me de haver uma varanda no aeroporto da Portela de onde víamos os aparelhos levantar voo e aterrar. Quando entrava num avião, tinha a impressão, e creio não estar errada, que muita gente tinha andado de volta dele, verificando-o milimetricamente, preparando-o por dentro e por fora para a viagem a realizar. Hoje não. Hoje, os aviões nos quais viajo são uma espécie de autocarros de carreira. Tenho vindo a ganhar algum medo de me meter lá dentro. Passo a explicar.

Por questões relacionadas com a crise e etc., viajo quase só nas companhias de baixo custo, aquelas em que para se arranjar espaço para ler um tablóide é necessário dobrá-lo em quatro, nomeadamente a Easy Jet e a Vueling. Selecciono quase sempre voos a partir da hora de almoço, porque eu, de manhã, é mais caminha. Ora, o que verifico é que os aparelhos chegam ao destino A às 12:37 e partem para o destino B às 13:15. Chegando a B às 16:30, voltam a levantar voo para A ou para C às 17:22. Aterram em a A ou C às 19:45, de onde voltam a partir para B ou D às 20:38, e, sinceramente, pergunto-me, até um bocado a medo, quando parará o aparelho. A acumulação de viagens é tal, que se entrar num voo em Lisboa às 19:00, o que me acontece com frequência, encontro nos porta-revistas da minha fila, situados nas costas dos assentos da frente,e em grande confusão, periódicos de diversas origens. De vez em quando tenho a sorte de apanhar o El País e o The Guardian, por exemplo, mais uma qualquer revista francesa. Entretanto habituei-me a deixar os meus jornais e revistas portugueses para benefício dos passageiros seguintes. Tal abundância de periódicos, que ninguém se dá ao trabalho de recolher entre viagens, atesta a quantidade de viagens que o aparelho fez, e o cansaço da própria tripulação. Quer-me parecer que esta filosofia dos voos em série, e sem descanso da máquina, não garante grande segurança, mas o tempo o confirmará. Infelizmente, não sem tragédia.


Mão à palmatória


Para quem observa os outros calada, torna-se claro que os homens podem abarrotar de defeitos, mas não precisam de uma causa para se juntarem ou apoiarem mutuamente. Para o bem, e também para o mal, existe união entre eles. Por outro lado, a maior parte das mulheres mantém relações superficiais, encontra-se sempre pronta a conjurar contra as outras, raramente apresenta espírito de grupo, quer no trabalho, quer fora dele, guardando o melhor de si para os namorados e maridos, que frequentemente agradeceriam que os deixassem em paz. Muitas, muitas mulheres detestam-se entre si, competindo num salve-se quem puder próprio de uma situação de guerra. E é, sim, ainda, a guerra dos destituídos de poder, que se aliam ao próprio carrasco, contra o semelhante, para garantir a melhor sobrevivência possível.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...