Mostrar mensagens com a etiqueta gordas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gordas. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, março 07, 2017

Ontem acordei outra vez mais gorda

Foto: Leonard Nimoy


A foto de Leonard Nimoy apresenta-nos um objecto de carne em abstracto. Não é uma mulher nem um homem nem um porco ou um borrego. É carne gorda. Sem cabeça. A forma como a cabeça é escondida revela claramente que este objecto de carne não é uma pessoa, não tem identidade, não pertence ao mundo. É a gorda, ou o gordo.
Para quem carrega esse estigma desde sempre, e mesmo que a ele tenha sobrevivido digna e teimosamente, esta é uma imagem violenta, que expõe uma desigualdade baseada não em padrões culturais, raciais ou de classe, mas estéticos. É uma imagem dura, desconfortável ao olhar. Toca-nos a todos. Não queremos ser esse feio objecto de rejeição. Essa carne.
Somos desiguais porque somos gordos ou porque somos magros ou porque vestimos roupa esquisita ou rapamos o cabelo ou o temos demasiado comprido. O dia-a-dia assenta nas relações que mantemos com os nossos iguais ou desiguais, sendo que procuramos tanto uns como outros, e ambos nos confirmam. Ao longo da vida tenho-me sentido tratada de forma desigual por ser gorda, e não tolero bem que questionem as minhas razões - é assunto demasiado sensível para suportar que me digam algo como "ilusão tua" - , mas, por outro lado, pressinto que todos se sentem desiguais por motivos diversos. A desigualdade é uma excelente forma de controlo do grau de satisfação das massas, logo, das massas.


A baleia zangou-se


Ultimamente ando muito sensível às questões da gordura, e gostaria de abordar o assunto, embora a minha prima afastada considere que há temáticas menos próprias para um espaço como este, e que a minha credibilidade pode ser afectada, etc.
Considero que falar da minha gordura, e dos traumas dos gordos, não é apenas muito terapêutico, como acaba por ser um serviço prestado à comunidade de gordos anónimos que se sentem abaixo de humanos.
Ora, hoje, lá na fábrica, tivemos um plenário para discutir formas de luta contra o Governo, e alguém levantou a ideia da greve da fome, pelo que avancei, rindo-me, na galhofa, e prestamente declarei oferecer o meu corpo à causa como forma de juntar o útil ao agradável. Oferecia-me, portanto, como voluntária. Todos se riram, que eu tenho sempre muita graça, como todos os gordos têm muita graça, excepto quando estão sozinhos em casa frente ao espelho com os pneus da barriga.
Uma colega da linha de montagem, que por acaso até nem bate muito bem da bola, e deve ser por isso!, aproveitou para se pronunciar sobre o assunto: "era da maneira que passavas de baleia a sereia". Ninguém comentou, fez-se um silêncio breve, e avançou-se; mas eu não consegui sorrir até ao final do plenário, e perdi a graça toda a partir desse momento. Por segundos, regressei aos tempos da escola, quando ninguém me chamava pelo meu nome, porque eu tinha outro: era a baleia.
Sinceramente, acho que não há psicanálise nem psicologia que cure as feridas da rejeição. Após tanta terapia, como não tenho eu armas para reagir, como posso eu deixar-me incomodar pela referência a uma exclusão continuada de que fui alvo há tanto tempo? Bem, porque foi algo muito sério na minha vida, e porque, por muito consciente que possa estar da realidade, do que fui, do que sou e do que quero, continua sendo uma ferida não totalmente curada.
Faço questão de expor esta fraqueza, porque pretendo enfrentá-la: não quero mais tê-la, não quero mais sentir-me a gorda. Se meio mundo não vê em mim se não a gorda, que seja um problema de meio mundo, mas não meu.

Sei que este assunto não interessa aos leitores, e não interessa a ninguém de forma geral, e não tem graça nem literatura: que se lixe - estou-me literalmente nas tintas.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Very silly season


Alguns leitores(as) têm imensa vontade de me conhecer, o que é natural, e portanto, aqui deixo imagens actualizadas.

Eu e as minhas amigas, ontem à noite, vestidas para arrasar o Bairro Alto.


Eu e as minhas amigas, hoje à tarde, a caminho da praia, com roupa apropriada mas sapatos errados.

Fotos de Leonard Nimoy

segunda-feira, junho 30, 2008

A vingança da gorda


Foto de Leonard Nimoy


É o funcionário novo lá na fábrica. Terá os seus 16 anos, idade legal para o trabalho, e anda a dar serventia. Tem a mania que é poeta. Se calhar é poeta, não sei, mas que eu sou cabra velha é uma certeza, e costumo dizer-lhe, olha lá, isto dos teus olhos são estrelas, eu percebo, eu e toda a gente, mas não tens maneira diferente de dizer a mesma coisa?
Ah, não interessa, responde-me o puto, as miúdas gostam. Está bem, meu amigo, mas a poesia é uma espécie de território sagrado, não é para engatar miúdas. Pode servir-te como isco, mas então chama-lhe isco. Prefiro que me digas, escrevi aqui este isco, veja lá, Isabela, o que é que acha. Percebes o que estou a dizer? Percebo. Não percebes nada. Não percebes nada de nada. Não fazes a menor ideia do que seja a poesia. E o pior que pode haver é um poeta vaidoso. São aos milhares, e não há nada pior. Um poeta vaidoso é pior que uma praga de pulgas na carpete da sala. Livre-nos Deus. Não percebes nada do que te digo, pois não? Percebo. Não mintas. Estás a zeros. Não estou nada.
Isto passou. O rapaz nunca mais me mostrou os poemas, graças aos céus.
Esta semana encontrei-o no autocarro. Sorrimos. É giro o rapaz. Tem as faces rosadas, ainda um certo ar de menino. Não fosse a vaidade poética, e simpatizaria mais com ele.

Saímos na paragem da fábrica, e quando se encontra a meu lado, mesmo junto à porta do autocarro, e lhe sorrio, descendo, o poeta vaidoso diz-me, veja lá não tombe o autocarro pró seu lado. Fixei-lhe o olhar, atravessando-o, já não sorrindo, e segui o meu caminho. Não tombe o autocarro?!; o sacana, o grande cabrão estaria a chamar-me gorda? Ai, pois estava, pois estava. Não tombe o autocarro, grande cumprimento matinal, sim senhor. E eu a pensar que me tinha livrado, com a adultícia, dos insultos adolescentes sobre a gordura. Lindo. Fiquei a matutar. O comentário jocoso devia ter caído em saco roto, mas não caiu, porque os fundos estão ainda bem cosidos. Devia ter-lhe dito, ó grande marmanjo, gorda é a tua vaidade. Devia ter-lhe dito, eu sei lá, qualquer coisa com espírito, que desvalorizasse a gordura, que desproblematizasse a questão. Mas não me ocorreu. Não fui capaz. Fiquei paralisada naquilo, no gorda, gorda, gorda... como um eco, como quem tem medo de elevadores ou de andar de avião.
A chamar-me gorda... Espera lá, espera, meu cabranito. Hás-de cá vir com os teus poemas da tanga, hás-de cá vir, hás-de, hás-de, meu menino!

domingo, março 16, 2008

Hino à carnuç... digo, à beleza

(Clique sobre a foto para aumentá-la.)

Uma foto de autor anónimo, tirada em França, cerca de 1875, que faz parte do meu tesouro de imagens. Agrada-me a alegria dos fotografados, tal como a encenação que as mãos de ambos realizam: as dela, postas religiosamente entre as mamas, como as de uma Nossa Senhora, e a dele, cravada no seu púbis, segurando-lhe a barriga ligeiramente descaída, reclamando posse e luxúria espirituosa.
Pode tratar-se de uma foto para consumo erótico ou de um retrato com a meretriz preferida, a da moda. Ela é adorável: acho-a bonita, de sorriso malandro, mas não estragado, exactamente como ele; redondinha, tão deliciosamente redondinha que tenho ganas de lhe trincar um pedaço da barriga, da anca, do braço, da perna. É uma das minhas gordas preferidas. Um pedaço de céu.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Gordas que nem texugos

Ultimamente, o sitemeter tem registado uma certa procura por gordas. Gordas assim, gordas assado, gordas a fazer isto ou aquilo, e até bloggers gordas, médicas gordas, professoras gordas, enfim, gordas, gordas, gordas.
Ora, como parece que mulher gorda, afinal, tanto vos convém, aqui a tendes para total regalo do que quer que seja que vos apeteça regalar. Como a oferta é reduzida, porque nos outros blogues parece mal, e estraga a estética do sítio, não posso perder este segmento de mercado.




Fotos de Amélie

domingo, janeiro 20, 2008

Uma gorda que não faz jogging e por isso não arranja namorado



Acabei de chegar a este comentário neste blogue, digitando omundoperfeito no Google. É um texto demasiado alucinado para não o partilhar com os leitores.

«Hi! I just found your blog because I know a portuguese lady that writes in a blog called omundoperfeito.blogspot.com, that translates to English as aperfectworld.blogspot.com! I love to annoy her because she is a fat lady, she does not do exercise like you do, and then she simply can't find a boyfriend and is always complaining about her sex life! It's a shame that you probably don't know portuguese and can't visit your Portuguese sister and make a few comments, because the debate is always interesting!
Your blog is fine, I don’t understand why you don’t get any comments!
I am a big fan of some music from Texas, particularly from Austin.
I’ll visit you again soon. Keep jogging!»

O comentador gosta de me aborrecer porque sou gorda, e não faço exercício. Podia ser porque sou chata, porque estou errada, porque tenho mau feitio, porque dou respostas tortas, porque não estou para aturar malucos, mas não, é por esse insuportável defeito: ser gorda. Tenho tido muito tempo ao longo da vida para pensar nos inconvenientes sociais disto de se ser gorda, sendo que o maior deles reside no facto de os outros nos olharem como uma espécie de deficientes por culpa própria. É possível um gordo fazer uma certa ideia do que significa ser cigano ou negro, e discriminado por esse facto, porque um gordo é discriminado todos os dias, olhado de lado. O gordo não tem apenas de lutar com o seu corpo, com o problema físico ou psicológico que o leva a engordar, mas trava, igualmente, uma luta contra o estigma que pesa sobre a sua aparência. Sinceramente, já houve dias em que me custou sair à rua. Não me apetecia levar com os outros. Suportar as alcunhas, os ditotes. Acho que ter sido gorducha desde a puberdade fez de mim uma pessoa desconfiada, reflexiva e só. Penso que um gordo é, como um alcoólico, gordo para sempre, mesmo que aparentemente seja igual a todos os outros. No que tenho de mais verdadeiro, de mais fundo, serei gorda para sempre.


sábado, janeiro 05, 2008

O mundo das gordas

Apareceu um médico no programa da Oprah, um que vai lá muito falar da gordurança na barriga, declarando que quem faz dieta, e pretende obter sucesso neste empreendimento, necessita de receber compensações em prazer. Uma dessas fontes poderá ser o sexo, outra, dormir profunda e regaladamente.
Fiquei feliz por saber que tenho acesso a uma delas.

sábado, outubro 20, 2007

segunda-feira, outubro 15, 2007

As gordas

Vou à rua com as cadelas. Passamos por um homem barrigudo, de camisa às riscas, sentado na mesma mesa, da mesma esplanada, todos os dias da semana, seja qual for a hora do passeio. Já não é novo. Gasta tempo. O homem fita-nos e interpela-as. Diz-lhes, "oh gordas!".
Sorrio-lhe, mas sinto-me sempre atingida.

terça-feira, maio 29, 2007

E Deus criou a gorda

Fotos: Amélia
(clique sobre as imagens para aumentá-las)



No final da rua Domingos Sequeira, em Lisboa, ao subir para Campo de Ourique, existe um outdoor da Clínica Persona que parece ter ficado esquecido da campanha do ano passado. Lê-se, em letras garrafais, "Eles não gostam de celulite"; atenção, trata-se de um portal para outra dimensão.

Se são corajosos, venham comigo. Atravessemos o portal. Do outro lado não há diferenças visíveis. A esquina da Caixa Geral de Depósitos, a do café A Tentadora, os eléctricos tocando, o trânsito difícil. Edifícios, pessoas, objectos; tudo igualzinho. No entanto, reparem, as mesmas coisas não têm o mesmo valor. As quatro fotos que aqui publico fazem ali parte de uma campanha publicitária para um novo perfume Dior. Estão a vê-las nos outros outdoors publicitários deste lado? Reparem, por favor.

As páginas de publicidade da Elle, da Vogue, da Marie Claire encontram-se pejadas de voluptuosas modelos com mais de 70 quilos, símbolos sexuais sem mãos a medir para entrevistas nas quais são obrigadas a explicar que regime seguem para manter curvas avantajadas. As mais sortudas não fazem nada. Tiveram a sorte de nascer assim. "São os genes", explicam. "Tive sorte. O meu pai era gordo. A minha avó era gorda..."





Estas mulheres, que todos desejam, e cujas imagens enchem páginas de blogues dedicados à beleza feminina, sentem-se obrigadas a relativizar o seu sex appeal. Sentem que é demais todo esse fascínio pelos seus corpos. Afirmam sentir-se mulheres normais, como quaisquer outras, que o corpo, afinal, não tem assim tanta importância, e que, "hoje em dia, os padrões de beleza têm tendência a tornar-se mais heterogéneos, neles cabendo, também, certo grau de magreza".

Nesta dimensão, a magreza é um estigma infame e um tabu. O assunto evita-se fora da esfera relacionada com os cuidados de saúde. Pode dizer-se a uma mulher que está mais gorda, "que linda estás, assim gordinha". Nunca, nunca se lembra o emagrecimento. Seria de muito mau gosto afirmar algo como "emagreceste imenso, ultimamente!" Evita-se!

As magras, essa subespécie entre o animal em más condições para abate e o deficiente culpado de o ser, incomoda, desagrada. Há imensas mulheres magras; estão por todo o lado, nas esquinas, nas paragens de autocarro, nos cafés bebendo garrafas de água das Pedras... Há imensas mulheres de 55 quilos descontentes com o seu corpo, sujeitando-se a tratamentos violentos, e caros, para conseguir engordar um pouco, ganhar celulite nas pernas, e gordura na barriga e nas ancas, já que desse objectivo depende a aceitação alheia, e, também, a que as próprias farão do total de si, não havendo outro aspecto a valorizar. Ou se é gorda e atraente ou se é nada; se vale nada. As magras são, obviamente, mulheres bonitas, como as gordas, mas o espelho não lhes devolve aquilo que não foram ensinadas a ver. Não se encontram, não se vêem, não se reconhecem como mulheres. São animais. Vacas escanzeladas.





O mercado do prazer valoriza exclusivamente a mulher gorda. Só os tarados procuram as magras. Diz-se, sobretudo pensa-se, que um homem só arranja uma magra se estiver desesperado. Entre eles, comentam que as magras, enfim, também desenrascam, para além de que são alvos mais fáceis, devido à ausência de auto-estima, e à dificuldade em arranjar parceiro sexual. E pronto, vendo bem as coisas, são mulheres, têm mamas e um buraco ao fundo das pernas, até dois. E quando se está desesperado, caramba...

O corpo feminino, nesta dimensão, continua a vender todo o tipo de produtos: sumos, cuecas, papel higiénico, cremes hidratantes, pneus, jantes, aparelhos de televisão, mas o mercado é cruel na sua selecção. Mulher que pretenda almejar uma carreira como modelo publicitário, ou de moda, como actriz, intérprete musical, apresentadora de televisão ou socialaite, esforça-se por atingir 65 quilos de peso mínimo. Recentemente, uma modelo com 64 quilos e trezentos viu-se impedida de desfilar na Moda Lisboa. Demasiado magra!
O problema da dimensão em que nos encontramos, e de onde espero possamos sair depressa, está em que os cidadãos são, desde crianças, bombardeados com mensagens profundamente negativas relativamente à magreza e à relação das magras com o seu corpo. No cinema, as crianças magras são preguiçosas, lentas, sujas e burras; às mulheres magras e esguias cabem os papéis maus: obsessivas, taradas, histéricas, ridículas, pérfidas; as anti-heroínas. Só as gordas podem almejar papéis de destaque românticos, sensuais, misteriosos, selvagens. A máquina de marketing musical procura candidatas anafadas para constituir as suas girls band. As tunas académicas cantam, até ao enjoo, "A mulher gorda / a mim só me convém /Como posso andar na rua/ sem as banhas de alguém?!" Nenhuma jornalista pensa chegar a pivot de telejornal sem competir com a Alberta Marques Fernandes, esse sensual portento moreno. Num meio no qual só a imagem de uma mulher cheia e redonda satisfaz o receptor, não é de espantar que a magra se veja relegada para uma espécie de gueto que, ao aceitar, acaba por legitimar.





Este problema, na dimensão onde ainda nos encontramos, advém de se ter fixado, durante décadas a fio, um modelo universal de beleza que estigmatiza a verdade: o corpo humano na sua verdade. Tal como um corpo humano é. Vário. Como se, na dimensão à qual pertencemos, e para onde seguiremos rapidamente, se Deus quiser, tivéssemos excluído as ruivas de sardas ou as morenas de cabelo frisado.

Imaginem, agora, caros leitores e leitoras, que na nossa dimensão... e saiamos agora, vamos lá, preparem o salto - Gancho, não se importa de levantar um pouco mais a perna, por favor?!-, cuidado!, três de uma só vez não passam; olhem os eléctricos, não atravessem à maluca... Desculpem... imaginem, agora, que na nossa dimensão reservávamos para as nossas formidáveis gordas, e gordos, claro, o tratamento que as bestas do outro lado guardam para tão belas magricelas?! Impensável, não é? Que coisa mais estúpida, mais sem sentido! Felizmente, estamos deste lado a salvo.

segunda-feira, junho 20, 2005

Finalmente, uma coisa a favor!


Jenny Saville, Plan, 1993

Revista Maria, a minha preferida, última edição, página 76:
As mulheres de "curvas" mais acentuadas têm tendência a viver durante mais tempo do que aquelas que têm pouco ou nada curvilíneo. Os investigadores descobriram também que as pessoas do sexo feminino com as ancas mais largas, estão protegidas contra as doenças do coração (pessoalmente acho que não há curva nem anca que nos proteja contra as "doenças do coração"!).
Mas saber que, afinal, posso começar a poupar nos cremes adelgaçantes, é notícia que me deixa encantada.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...