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domingo, janeiro 25, 2009

Os outros vão


João Aguardela morreu a semana passada, vítima de cancro. Não foi a única pessoa muito jovem e conhecida a morrer por estas causas, a semana passada, mas parei um ou dois minutos a pensar no seu caso particular.
Na primeira metade dos anos 90 tive uma paixão platónica pelo Aguardela. Conheci-o. Entrevistei-o numa Festa do Avante. Não faço a menor ideia se cantava bem, e nunca tive nenhum amor especial pelas músicas dos Sitiados. Era uma paixão centrada no indíviduo, ou melhor, no aspecto do indivíduo, que combinava bem a simbologia estética de duas figuras histórias: Jesus Cristo e Jim Morrison. João Aguardela deu corpo a um ideal romântico. Era uma figura romântica e eu, claro, sendo como sou, apaixonei-me. E, agora, pronto, morreu. Eu estou aqui vivinha da silva, cheia de projectos e de esperanças, e o meu ideal de beleza, morreu. Sobreviver aos que passaram por mim, mesmo que eu não tenha passado muito por eles, que é o caso, causa-me uma sensação de estranheza. Como se eu estivesse em falta. Como se fosse muito velha. Como se já tivesse vivido muitos anos.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...