
João Aguardela morreu a semana passada, vítima de cancro. Não foi a única pessoa muito jovem e conhecida a morrer por estas causas, a semana passada, mas parei um ou dois minutos a pensar no seu caso particular.
Na primeira metade dos anos 90 tive uma paixão platónica pelo Aguardela. Conheci-o. Entrevistei-o numa Festa do Avante. Não faço a menor ideia se cantava bem, e nunca tive nenhum amor especial pelas músicas dos Sitiados. Era uma paixão centrada no indíviduo, ou melhor, no aspecto do indivíduo, que combinava bem a simbologia estética de duas figuras histórias: Jesus Cristo e Jim Morrison. João Aguardela deu corpo a um ideal romântico. Era uma figura romântica e eu, claro, sendo como sou, apaixonei-me. E, agora, pronto, morreu. Eu estou aqui vivinha da silva, cheia de projectos e de esperanças, e o meu ideal de beleza, morreu. Sobreviver aos que passaram por mim, mesmo que eu não tenha passado muito por eles, que é o caso, causa-me uma sensação de estranheza. Como se eu estivesse em falta. Como se fosse muito velha. Como se já tivesse vivido muitos anos.
Na primeira metade dos anos 90 tive uma paixão platónica pelo Aguardela. Conheci-o. Entrevistei-o numa Festa do Avante. Não faço a menor ideia se cantava bem, e nunca tive nenhum amor especial pelas músicas dos Sitiados. Era uma paixão centrada no indíviduo, ou melhor, no aspecto do indivíduo, que combinava bem a simbologia estética de duas figuras histórias: Jesus Cristo e Jim Morrison. João Aguardela deu corpo a um ideal romântico. Era uma figura romântica e eu, claro, sendo como sou, apaixonei-me. E, agora, pronto, morreu. Eu estou aqui vivinha da silva, cheia de projectos e de esperanças, e o meu ideal de beleza, morreu. Sobreviver aos que passaram por mim, mesmo que eu não tenha passado muito por eles, que é o caso, causa-me uma sensação de estranheza. Como se eu estivesse em falta. Como se fosse muito velha. Como se já tivesse vivido muitos anos.