Quando pára de chover sinto lá fora um raro silêncio molhado, e quero respirá-lo, guardá-lo nos pulmões às golfadas.
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terça-feira, novembro 28, 2006
quarta-feira, abril 12, 2006
Vista alegre
O ramo de flores mais alegre que já tive foi o que acabei de compor com malmequeres selvagens, brancos e amarelos, que colhi no baldio em frente, e coloquei, ralos, numa jarra baratucha de louça azul.
Não pretende ser nada, nem sequer um ramo de flores. É o mais simples. É perfeito.
Não pretende ser nada, nem sequer um ramo de flores. É o mais simples. É perfeito.
quinta-feira, dezembro 22, 2005
Laranjas no Inverno
Gosto tanto de laranjas! Compro as mais lindas no mercado, as de pele fina, as pesadas, as de um umbigo: mas saem-me ácidas. Podia viver de laranjas doces. De tangerinas. E clementinas. Na outra casa tinha um terraço branco. No Inverno, sentava-me à chapa do sol, com uma tigela de laranjas. Nunca tapava a cabeça, porque a minha cabeça não precisa de chapéus. Comia laranjas, enquanto o sol furava a teia do casaco, depois a da pele, depois a dos ossos; eu não era feliz, mas ao sol era feliz. Depois enterrava as sementes na terra dos vasos, ao lado das trepadeiras. Na Primavera, nasceram plantinhas de citrinos. Na outra Primavera, já eram arbustos pequenos. Na outra, arbustos maiores. Eu já semeei árvores. Algumas pessoas vieram cá só para comer laranjas e semear árvores. Agora já não tenho essa casa nem esses vasos. As minhas árvores, já não existem.
Foto daqui.
terça-feira, novembro 22, 2005
Faça-se a Luz
Uma mulher, um homem – disparidade em confronto paradoxal, ansiando ligar-se rasteiramente numa mesma paz, num mesmo nome: claridade cega, energia pura.
quinta-feira, junho 23, 2005
Graça
Transponho a porta do quarto como se mergulhasse no Ganges; descalço-me, dispo-me, o meu corpo rasga religiosamente o cheiro viscoso à água da noite, da manhã, que se fecha sobre mim, rápida, enquanto passo - e coloco no dedo o anel sagrado e rezo e afundo-me e renasço esgotada para respirar de novo.
quinta-feira, abril 28, 2005
sábado, março 26, 2005
«Faça-se a Luz»
O mundo perfeito cinge os corpos; abre-se, elástico, à sua passagem; retoma a forma intemporal; respirando, alimentado de vida própria, suspenso, alado, atmosférico: electricidade; pólos opostos, convergentes; positivo e negativo; claro e escuro; o mesmo. A árvore e a terra onde se enraíza; o fogo e a água que o controla. O mesmo. Uma mulher, um homem – disparidade em confronto paradoxal, ansiando ligar-se rasteiramente numa mesma paz, num mesmo nome: claridade cega, energia pura.
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...
