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sábado, maio 28, 2005

Jardins de delícias



Tenho medo de aranhas, osgas e baratas. De ratos, de cobras e enguias. Tenho medo de filmes de terror, de ficar sem net, do preço da gasolina, da idade da reforma, do congelamento das progressões na carreira...
De homens não tenho medo, nunca tive - tirando o meu pai, ou, se calhar, por causa dele; jamais perco uma oportunidade para lhes mostrar quem é que os tem bem cheios, bem pretos, bem no sítio!
Mas, admito, existe uma situação (ok, talvez duas!) em que fraquejo perante o macho, em que concedo serem as suas armas as mais fortes, e me dou de imediato como vencida: quando descalçam os sapatos!
Senhor, mais valia enviarem-me para qualquer gazeamento da I Guerra Mundial; preferível La Lyz!

A questão de saúde pública que hoje pretendo aqui trazer, agora que o tempo aquece e se justifica amplamente, tem a ver com o ininteligível motivo por que não apresentam, os homens, pés macios, bem tratados, apresentáveis, como as mulheres. Pés que apeteçam olhar, com uns dedos lindos a sobressair fora da sandalinha, que apeteçam beijar e tudo.
Onde é que os homens foram desencantar a ideia peregrina de que os pés são para trazer entalados em sapatos irrespiráveis durante todo o ano? E que é suficiente lavá-los de vez em quando?
Conheci um funcionário público de secretaria, um homem asseado, que a primeira coisa que fazia, ao chegar a casa, todos os dias, pontualmente às 18h00, era depositar os pezinhos moles no bidé e lavá-los religiosamente com sabão de glicerina. Não eram pés, eram duas tiras de choco, brancas, mortas, feias...
Nós, mulheres, estávamos bem arranjadas se nos limitássemos a lavar os pezinhos. Era adeus fetiche!
Os pés dos homens são tão lindos como os nossos, mas é preciso que os deixem medrar, que os deixem ser lindos. Que usem sandálias quando é para usar sandálias e sapatos e botas quando é para usar sapatos e botas. Que cuidem deles como nós cuidamos, que cortem as unhas em vez de as arrancar, que lhes dêem uma forma, que lixem as calosidades, inclusive no calcanhar e na planta do pé (uma vez por semana - depois do banho!), e depois os hidratem, massajando-os com um creme mais ou menos gordo (todos os dias). Que os deixem apanhar sol, ficar morenos! Que lhes ofereçam um banho especial de folhas de eucalipto esmagadas ou de rodelas de limão ou de óleos naturais, de vez em quando. E se não souberem fazer nada disto ou não estiverem para tanto, entrem num(a) pedicure e diponham-se a gastar 10 euros para usufruir de pés decentes e desejáveis. Mas arranjem-nos, valorizem-nos!
E se têm pé-de-atleta, apliquem-lhe o Canesten, se faz favor, de manhã e à noite. Sim, pode ser com o hidratante. E vão ao médico, e peçam o anti-fúngico em comprimidos. Mas não nos matem de mau cheiro, por amor de Deus! Um par de peúgas de homem por lavar, dentro de uma casa, equivale a 10 caixotes do lixo entulhados na cozinha, com restos de sardinha, há pelo menos cinco dias!

Os pés não são rodas de tractor, são partes sensíveis do corpo. Lugares sensuais que não queremos desperdiçar por nada. Porque nós, no corpo dos homens, aproveitamos tudo. O centímetro que está ali adiante, e já lá chegamos!, pode ser ainda melhor que este aqui, este agora, debaixo dos nossos lábios. Queremos todos os bocadinhos; brincar com eles horas a fio.
Também queremos trincar-lhes os dedinhos dos pés. E outras brincadeiras, que agora talvez não seja hora... Mas queremos dedinhos e curvinhas apresentáveis, macios, saborosos, e não cepos grossos de madeira, escamados e encardidos.
Portanto, ó jardins de delícias!, tratem dos pezinhos agora, que nós, prometo eu, tratamos de vós depois.

Os mais belos pezinhos do mundo



Se a RTP e a RDP merecem subsídio estatal, penso que não seria despiciendo, nós, nO Mundo Perfeito, sermos agraciados com um apoio ministerial, nem que fossem uns bilhetes de cinema, uns convites para o teatro, uns livros mesmo com páginas trocadas, qualquer coisa que compensasse as horas que a gente não dedica à agricultura nem à arte.
Ou um patrocínio. A gente não se importava com um patrocínio da Bayer, da Sapec ou da Biochem.
Mas, logo a seguir, penso na crise, na Europa, no Terceiro Mundo; lembro-me que Camões nem a tença recebia, que Pessoa devia em todas as tascas de Lisboa... e lá me conformo.

Hoje, preocupada com a saúde dos adoráveis pezinhos dos meninos, colocando mesmo a hipótese de uns pés de homem bem brunidos poderem atiçar ganas fecundativas e contribuir para o incremento da taxa de natalidade - e se precisamos de população activa/contribuinte, nos próximos anos! - , sugiro duas excelentes marcas de produtos unissexo para cuidados de pés e unhas:

- Gehwol: um clássico! Adquire-se em lojas de produtos naturais, vulgo ervanárias, ou mesmo em casas especializadas em artigos de ortopedia. Os produtos Gehwol realizam autênticos milagres nos pezinhos, e existem para todos os fins: hidratar, alisar, amaciar, desodorizar, reparar fissuras, amaciar unhas, etc., etc. A autora deste texto deve a sua excelência podológica ao melhor ADN da Estremadura e à indiscutível qualidade da marca alemã.

- Vichy foot care: uma novidade que acabou de chegar às farmácias. Nunca usei, mas é Vichy, portanto, uma alternativa de qualidade a considerar.
As farmácias têm sempre inúmeros produtos para este fim. Bem como os hipermercados. Em casos menos graves, não é a marca que faz a diferença, mas o bom uso, o uso regular.

- A Body Shop, igualmente. É uma questão de entrar e ir lendo as etiquetas afixadas nas prateleiras. E perguntando, claro. Nos últimos anos aprendi que perguntar, resulta. Dizem-nos sempre mais qualquer coisa que não está escrita, transmitem-nos impressões pessoais e de outros clientes, por vezes úteis, e oferecem amostras diversas.

E agora, que vos deixei know-how, bem como receituário adquado, e a bem da humanidade, percam tempo com os pezinhos. E em vez de resmungarem, sentados na banheira com a lixa na mão, e o pé direito apoiado no joelho esquerdo, pensem nos beijinhos que vão receber, e que, se calhar, vão começar pelo lugarzinho de que se estão agora a ocupar. Apenas começar... digo eu!
E quando se começa por aí, meus queridos, só é possível subir!

Vichy foot care (nas farmácias).

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...