Continuo a maravilhar-me com a leitura do consultório sexual da revista Maria, e pretendo partilhá-la com os estimados leitores.
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terça-feira, dezembro 26, 2006
sábado, junho 03, 2006
terça-feira, maio 09, 2006
A criação da mulher mutante
A revista Maria e congéneres, em tempos, foram úteis para as mulheres e contribuíram para a educação pública, ensinando o que faltava na escola, na família e no grupo social do café.
Nunca fui leitora assídua, mas apanhava os exemplares das colegas, os que encontrava nos consultórios, e mantinha-me informada. Sempre gostei de revistas cheias de conselhos sobre como tirar nódoas da roupa, diluir a catástrofe do sal em excesso na sopa, remendar erros de tricot, rega das sardinheiras, preenchimento e entrega de impressos de irs, solução de conflitos sociais, conflitos conjugais.
Foi assim que aprendi a fazer bolo-mármore com os tais efeitos psicadélicos do chocolate misturado à massa tradicional.
Estas revistas eram de leitura bastante gratificante, porque, a par dos conselhos práticos, motivavam as mulheres para uma vivência saudável e desinibida da sexualidade, motivavam-nas para o desenvolvimento de competências vocacionais fora de casa e da família, ensinavam-lhes uma nova forma de relacionamento com o parceiro, em que ambos tinham valor e responsabilidades por igual... Eu, que era uma menina de cidade, aprendi muito, pelo que posso intuir o impacto civilizacional que estas revistas terão tido naquilo a que chamamos província, e, nessa, no interior; e aí, em zonas congeladas no tempo.
A Maria e congéneres formaram uma geração de mulheres: a minha. Foi aí que aprendemos que a masturbação não provocava borbulhas nos rapazes, que não era um pecado mortal, que memorizámos desenhos com a fisiologia dos órgãos sexuais e aprendemos o que eram a uretra e as trompas de falópio, que seria possível engravidar praticando coito interrompido, mas que, sentarmo-nos numa sanita, seria inofensivo nesse aspecto, embora pudéssemos contrair fungos, bactérias, e o diabo a sete.
O consultório sentimental, que depois passou a sexual, sempre foi a primeira secção lida na Maria. Todos tinham vergonha, mas todos liam às escondidas, ou então em grupo, à gargalhada. Achávamos as perguntas ridículas, mas líamos as respostas, sempre formativas. Surgiam muitas questões sobre sexo na adolescência e a normalidade de certas práticas sexuais; rapazes, raparigas, homens e mulheres desfaziam mitos sobre contracepção: fazer amor de pé, afinal, não evitava a gravidez, e lavar muito bem a vagina com Bétadine, após o sexo, também não; mostravam-nos desenhos de diafragmas, preservativos enrolados e desenrolados, embalagens de pílulas e espumas e óvulos espermicidas. Explicavam muito bem os efeitos, e todos os aspectos práticos. Aconselhavam a visita a médicos, formas de falar com os pais em caso de acidente. Era muito bom, para dizer a verdade. Ensinava de forma despreconceituosa, informal, muito livre. A revista libertava-nos. Dos pais, dos professores, da pressão dos pares, dos preconceitos todos.
A Maria merecia que lhe fosse prestada a devida homenagem. A Maria antiga, até aos anos 80 e tal, noventa e pouco. Hoje, é insuportável; é o contrário do que foi. Os artigos de capa não formam, apenas legitimam as tendências sexuais e sociais da moda. Consistem em conjuntos de regras tiradas do senso comum cultural sobre como prender um homem, sendo diferente na cama todos os dias; como prender um homem, realizando as suas fantasias sexuais; como prender um homem, cozinhando com especiarias; como prender um homem, usando artigos de sex-shop; como prender um homem de toda a maneira e feitio, porque a obsessão é prender o homem que se vai embora se não formos uma espécie de bonecas insufláveis falantes. O medo de perder o homem, e o que fazer para o evitar, é o assunto favorito. Depois, sexo diferente: prenda-o à cama, deixe que a prenda, tape-lhe os olhos, vista-se de enfermeira ou então de Batwoman; as maravilhas do sexo anal: deixe que o seu companheiro a inicie numa experiência nova - não, peço desculpa, estou a enganar-vos, agora é: seja tolerante e deixe que o seu companheiro lhe mostre que a penetração vaginal também é possível; que não é obrigatório usar algemas na cama e rasgar 3 conjuntos de lingerie de renda por semana. Há uns anos, os homens escreviam para o consultório sexual colocando questões sobre como convencer as mulheres a fazer aquelas coisas rudes e excitantes que viam nos filmes pornográficos, tipo penetração anal, dupla, sexo oral, esfregar o pénis numa parte qualquer, porque elas queixavam-se, não queriam, não era romântico. Hoje em dia, os mesmos homens escrevem a queixar-se: desejam sexo normalzinho e as mulheres só têm prazer de empurrão. Não queria dizer isto, mas não posso tapar o sol com a peneira. Isto construiu-se a pouco e pouco. Não se aprende a reciclar o lixo, é chato, mas se para prender um homem temos de nos converter ao sexo nasal, vamos lá alargar as narinas! Também leio perguntas de meninas de 20 anos pretendendo saber se se pode alternar entre anal e vaginal, tira aqui, mete ali, sempre com o mesmo preservativo. Acho bem que esclareçam as dúvidas, por motivos de saúde pública, mas o que leio e não está escrito, mostra-me que a revista existe, hoje, para divulgar e legitimar práticas sexuais que aprisionam as mulheres mais do que libertam. Aprisionam-nas a um conjunto de comportamentos que não têm como objectivo a sua realização pessoal ou profissional ou sexual, mas a dos parceiros. Aprisionam-nas à ilusão de que são livres, e, por isso, as mulheres têm horror a isso do feminismo. Não são feministas, mas femininas, e desfiam todo o discurso masculino sobre o assunto. Bem aprendido. Ensinam que somos livres na medida em que praticamos sexo livremente, alternativamente, com direito legal à contracepção, ao divórcio ou a viver em união de facto. Estimula-se nas mulheres um conjunto de medos que deviam ter já sido ultrapassados por uma pessoa realmente livre; medos relativos ao aspecto do corpo, ao que se veste como roupa interior ou exterior, promovendo uma série de consumos relacionados com sexo: roupa, produtos de beleza, produtos de estimulação, tratamentos corporais. As mulheres têm, assim, maior temor a umas mamas flácidas que a um tumor mamário. Ter barriga é uma catástrofe irremediável; a celulite justifica a total exclusão social. E é curioso que assim seja, porque tudo isto é parte do corpo feminino, como a barba e os músculos o são do masculino. As mulheres têm mamas flácidas após amamentar; aparece-lhes barriga e celulite assim que as hormonas acordam. A ideia consiste em transformar o corpo feminino num objecto mutante, permanentemente sujeito a recomposições, para que possa servir um ideal de prazer. Não se coloca a hipótese de uma mulher gostar da barriga e das mamas que tem. Todas estão, à partida, em falha. Todas devem odiar o seu corpo e desejar o da modelo da revista. Nenhum corpo real deve ser autorizado.
A revista Maria, e as outras, hoje, porque precisam de vender, e têm de acompanhar a cultura do tempo, não fazem mais que reflectir o culto do sexo como valor primeiro, como sucedâneo da heroína e de todos os outros prazeres que o estado limita. Não fume, compre um vibrador. Não coma, ponha silicone nas mamas. Não beba álcool, faça uma lipo-aspiração. Não foda à antiga, encene o sexo, compre adereços, e obrigue o seu corpo a decorar um texto autorizado: o de que somos todos sensuais deuses do sexo, temos todos intenso, inenarrável prazer numa vida sexual única, irrepetível e melhor que todas as outras, mesmo que tenhamos saudades de, em resumo, levar ou dar uma na enfadonha posição do missionário. Mas hoje é uma vergonha, isso do missionário, portanto iniciam-se as manobras pelo sexo oral, que não é coisa nada íntima para começar. Mas o que é isso da intimidade? Proporciona orgasmos plásticos?
Tive um namorado que me beijava no porão do cacilheiro e me masturbava com cuidado, por debaixo da roupa, não fosse alguém aparecer. No outro dia encontrámo-nos e lembrámos esse tempo, e sorrimos. Era muito bom. A certa altura, confessou-me que a recordação mais erótica que guardava do nosso namoro era tão simples quanto isto: estávamos em casa dos meus pais, à porta, prestes a sair; enquanto eu falava com a minha mãe, marcando hora para chegar, meteu-me a mão por debaixo da saia só para me tocar o rabo, clandestinamente, mas encontrou um rasgão no collant, entre pernas, por onde fez deslizar dois dedos, que sentiram, para sempre, a textura e o calor dos meus pêlos púbicos. Talvez ele se tenha libertado da memória. Eu, que fiz um esforço para me lembrar, terei de viver, agora, desassossegada por esta imagem fantasma de uma luxúria tão inesperada quanto inocente. Ele tocou os meus pêlos púbicos através de um rasgão no collant. Era Inverno, portanto. Devia estar frio. Isto nunca mais voltará a acontecer.
Nunca fui leitora assídua, mas apanhava os exemplares das colegas, os que encontrava nos consultórios, e mantinha-me informada. Sempre gostei de revistas cheias de conselhos sobre como tirar nódoas da roupa, diluir a catástrofe do sal em excesso na sopa, remendar erros de tricot, rega das sardinheiras, preenchimento e entrega de impressos de irs, solução de conflitos sociais, conflitos conjugais.
Foi assim que aprendi a fazer bolo-mármore com os tais efeitos psicadélicos do chocolate misturado à massa tradicional.
Estas revistas eram de leitura bastante gratificante, porque, a par dos conselhos práticos, motivavam as mulheres para uma vivência saudável e desinibida da sexualidade, motivavam-nas para o desenvolvimento de competências vocacionais fora de casa e da família, ensinavam-lhes uma nova forma de relacionamento com o parceiro, em que ambos tinham valor e responsabilidades por igual... Eu, que era uma menina de cidade, aprendi muito, pelo que posso intuir o impacto civilizacional que estas revistas terão tido naquilo a que chamamos província, e, nessa, no interior; e aí, em zonas congeladas no tempo.
A Maria e congéneres formaram uma geração de mulheres: a minha. Foi aí que aprendemos que a masturbação não provocava borbulhas nos rapazes, que não era um pecado mortal, que memorizámos desenhos com a fisiologia dos órgãos sexuais e aprendemos o que eram a uretra e as trompas de falópio, que seria possível engravidar praticando coito interrompido, mas que, sentarmo-nos numa sanita, seria inofensivo nesse aspecto, embora pudéssemos contrair fungos, bactérias, e o diabo a sete.
O consultório sentimental, que depois passou a sexual, sempre foi a primeira secção lida na Maria. Todos tinham vergonha, mas todos liam às escondidas, ou então em grupo, à gargalhada. Achávamos as perguntas ridículas, mas líamos as respostas, sempre formativas. Surgiam muitas questões sobre sexo na adolescência e a normalidade de certas práticas sexuais; rapazes, raparigas, homens e mulheres desfaziam mitos sobre contracepção: fazer amor de pé, afinal, não evitava a gravidez, e lavar muito bem a vagina com Bétadine, após o sexo, também não; mostravam-nos desenhos de diafragmas, preservativos enrolados e desenrolados, embalagens de pílulas e espumas e óvulos espermicidas. Explicavam muito bem os efeitos, e todos os aspectos práticos. Aconselhavam a visita a médicos, formas de falar com os pais em caso de acidente. Era muito bom, para dizer a verdade. Ensinava de forma despreconceituosa, informal, muito livre. A revista libertava-nos. Dos pais, dos professores, da pressão dos pares, dos preconceitos todos.
A Maria merecia que lhe fosse prestada a devida homenagem. A Maria antiga, até aos anos 80 e tal, noventa e pouco. Hoje, é insuportável; é o contrário do que foi. Os artigos de capa não formam, apenas legitimam as tendências sexuais e sociais da moda. Consistem em conjuntos de regras tiradas do senso comum cultural sobre como prender um homem, sendo diferente na cama todos os dias; como prender um homem, realizando as suas fantasias sexuais; como prender um homem, cozinhando com especiarias; como prender um homem, usando artigos de sex-shop; como prender um homem de toda a maneira e feitio, porque a obsessão é prender o homem que se vai embora se não formos uma espécie de bonecas insufláveis falantes. O medo de perder o homem, e o que fazer para o evitar, é o assunto favorito. Depois, sexo diferente: prenda-o à cama, deixe que a prenda, tape-lhe os olhos, vista-se de enfermeira ou então de Batwoman; as maravilhas do sexo anal: deixe que o seu companheiro a inicie numa experiência nova - não, peço desculpa, estou a enganar-vos, agora é: seja tolerante e deixe que o seu companheiro lhe mostre que a penetração vaginal também é possível; que não é obrigatório usar algemas na cama e rasgar 3 conjuntos de lingerie de renda por semana. Há uns anos, os homens escreviam para o consultório sexual colocando questões sobre como convencer as mulheres a fazer aquelas coisas rudes e excitantes que viam nos filmes pornográficos, tipo penetração anal, dupla, sexo oral, esfregar o pénis numa parte qualquer, porque elas queixavam-se, não queriam, não era romântico. Hoje em dia, os mesmos homens escrevem a queixar-se: desejam sexo normalzinho e as mulheres só têm prazer de empurrão. Não queria dizer isto, mas não posso tapar o sol com a peneira. Isto construiu-se a pouco e pouco. Não se aprende a reciclar o lixo, é chato, mas se para prender um homem temos de nos converter ao sexo nasal, vamos lá alargar as narinas! Também leio perguntas de meninas de 20 anos pretendendo saber se se pode alternar entre anal e vaginal, tira aqui, mete ali, sempre com o mesmo preservativo. Acho bem que esclareçam as dúvidas, por motivos de saúde pública, mas o que leio e não está escrito, mostra-me que a revista existe, hoje, para divulgar e legitimar práticas sexuais que aprisionam as mulheres mais do que libertam. Aprisionam-nas a um conjunto de comportamentos que não têm como objectivo a sua realização pessoal ou profissional ou sexual, mas a dos parceiros. Aprisionam-nas à ilusão de que são livres, e, por isso, as mulheres têm horror a isso do feminismo. Não são feministas, mas femininas, e desfiam todo o discurso masculino sobre o assunto. Bem aprendido. Ensinam que somos livres na medida em que praticamos sexo livremente, alternativamente, com direito legal à contracepção, ao divórcio ou a viver em união de facto. Estimula-se nas mulheres um conjunto de medos que deviam ter já sido ultrapassados por uma pessoa realmente livre; medos relativos ao aspecto do corpo, ao que se veste como roupa interior ou exterior, promovendo uma série de consumos relacionados com sexo: roupa, produtos de beleza, produtos de estimulação, tratamentos corporais. As mulheres têm, assim, maior temor a umas mamas flácidas que a um tumor mamário. Ter barriga é uma catástrofe irremediável; a celulite justifica a total exclusão social. E é curioso que assim seja, porque tudo isto é parte do corpo feminino, como a barba e os músculos o são do masculino. As mulheres têm mamas flácidas após amamentar; aparece-lhes barriga e celulite assim que as hormonas acordam. A ideia consiste em transformar o corpo feminino num objecto mutante, permanentemente sujeito a recomposições, para que possa servir um ideal de prazer. Não se coloca a hipótese de uma mulher gostar da barriga e das mamas que tem. Todas estão, à partida, em falha. Todas devem odiar o seu corpo e desejar o da modelo da revista. Nenhum corpo real deve ser autorizado.
A revista Maria, e as outras, hoje, porque precisam de vender, e têm de acompanhar a cultura do tempo, não fazem mais que reflectir o culto do sexo como valor primeiro, como sucedâneo da heroína e de todos os outros prazeres que o estado limita. Não fume, compre um vibrador. Não coma, ponha silicone nas mamas. Não beba álcool, faça uma lipo-aspiração. Não foda à antiga, encene o sexo, compre adereços, e obrigue o seu corpo a decorar um texto autorizado: o de que somos todos sensuais deuses do sexo, temos todos intenso, inenarrável prazer numa vida sexual única, irrepetível e melhor que todas as outras, mesmo que tenhamos saudades de, em resumo, levar ou dar uma na enfadonha posição do missionário. Mas hoje é uma vergonha, isso do missionário, portanto iniciam-se as manobras pelo sexo oral, que não é coisa nada íntima para começar. Mas o que é isso da intimidade? Proporciona orgasmos plásticos?
Tive um namorado que me beijava no porão do cacilheiro e me masturbava com cuidado, por debaixo da roupa, não fosse alguém aparecer. No outro dia encontrámo-nos e lembrámos esse tempo, e sorrimos. Era muito bom. A certa altura, confessou-me que a recordação mais erótica que guardava do nosso namoro era tão simples quanto isto: estávamos em casa dos meus pais, à porta, prestes a sair; enquanto eu falava com a minha mãe, marcando hora para chegar, meteu-me a mão por debaixo da saia só para me tocar o rabo, clandestinamente, mas encontrou um rasgão no collant, entre pernas, por onde fez deslizar dois dedos, que sentiram, para sempre, a textura e o calor dos meus pêlos púbicos. Talvez ele se tenha libertado da memória. Eu, que fiz um esforço para me lembrar, terei de viver, agora, desassossegada por esta imagem fantasma de uma luxúria tão inesperada quanto inocente. Ele tocou os meus pêlos púbicos através de um rasgão no collant. Era Inverno, portanto. Devia estar frio. Isto nunca mais voltará a acontecer.
segunda-feira, setembro 26, 2005
Técnicas de caça
A minha namorada adora colocar-me gelo por todo o corpo. Já estou farto desta situação, pois devido às correntes de ar cheguei a ficar constipado. Será o comportamento dela normal?
J.M. - Santarém
Ela chupa-me os mamilos. Não faço ideia onde a minha namorada ouviu dizer que os homens se excitam desta forma. A verdade é que me irrita bastante, mas não lho consigo dizer.
G.L. Tavira
(Revista Maria, edição desta semana.)
Meninas, parece-vos justo sujeitar os vossos namorados a tais sevícias, só porque leram, na Máxima, uns artigos, que até eu podia ter escrito, sobre como pô-los malucos a ponto de, finalmente, revelarem algum talento?
Pobres rapazes, sujeitos a correntes de ar, a constipações...; chuparem-lhes os mamilos...?! Desta vez estou do lado deles: não se faz: e prejudica a economia do país; é desmoralizá-los!
Os homens não precisam de preliminares. Macho que é macho, o único preliminar que reconhece consiste na emissão de um som de uma só sílaba: não!
Não vale a pena estudar o kama-sutra: basta um não. Mas trémulo. E depois outro. Umas negas hesitantes seguidas de sucessivas pequenas concessões, que eles pensam ter alcançado mercê do seu elaborado esforço de caça.
Explico: lá nos alicerces dos seus cérebros hominídeos, somos ainda o animalzinho inocente e tenro que eles querem abater para comer, o qual, óbvio, foge, por instinto, à perseguição. E do que eles gostam é da fuga seguida da perseguição, da armadilha, do jogo de estratégia e antecipação e, finalmente, do abate, que lhes servirá para manter a auto-estima, "ainda os tenho no sítio", coisa e tal. Portanto, não descansam enquanto não enfiam o balázio na corçazinha mansa que as águas da ribeira volvia, volvia.
O meu conselho sobre preliminares para homens é, pois, o seguinte: sempre "não", "não posso", "não fiz a depilação", "sou da igreja evangélica e nós não podemos", "não estou preparada", etc.: confio totalmente na vossa imaginação; sempre a afastar-lhes as mãozinhas, mas nunca completamente, como se não tivéssemos força, coitadinhas, como se não fôssemos capazes de lhes assentar uma joelhada nos tomates.
"Não, não, não", mas suave, assim como se não soubéssemos bem, permitindo, por fraqueza, umas abertazinhas aqui, acolá, mais adiante. Entendido?
Depois, depende de cada uma de vós, ou se deixam caçar, e, se estiverem muito esfomeadas, lá terá de ser, ou adiam o repasto para uma próxima caçada.
Eu era capaz de adiar, porque, lembrem-se, um caçador a sério não descansa enquanto não reencontra o lindo exemplar de cervozinho do monte que quase feriu, mas não conseguiu abater.
J.M. - Santarém
Ela chupa-me os mamilos. Não faço ideia onde a minha namorada ouviu dizer que os homens se excitam desta forma. A verdade é que me irrita bastante, mas não lho consigo dizer.
G.L. Tavira
(Revista Maria, edição desta semana.)
Meninas, parece-vos justo sujeitar os vossos namorados a tais sevícias, só porque leram, na Máxima, uns artigos, que até eu podia ter escrito, sobre como pô-los malucos a ponto de, finalmente, revelarem algum talento?
Pobres rapazes, sujeitos a correntes de ar, a constipações...; chuparem-lhes os mamilos...?! Desta vez estou do lado deles: não se faz: e prejudica a economia do país; é desmoralizá-los!
Os homens não precisam de preliminares. Macho que é macho, o único preliminar que reconhece consiste na emissão de um som de uma só sílaba: não!
Não vale a pena estudar o kama-sutra: basta um não. Mas trémulo. E depois outro. Umas negas hesitantes seguidas de sucessivas pequenas concessões, que eles pensam ter alcançado mercê do seu elaborado esforço de caça.
Explico: lá nos alicerces dos seus cérebros hominídeos, somos ainda o animalzinho inocente e tenro que eles querem abater para comer, o qual, óbvio, foge, por instinto, à perseguição. E do que eles gostam é da fuga seguida da perseguição, da armadilha, do jogo de estratégia e antecipação e, finalmente, do abate, que lhes servirá para manter a auto-estima, "ainda os tenho no sítio", coisa e tal. Portanto, não descansam enquanto não enfiam o balázio na corçazinha mansa que as águas da ribeira volvia, volvia.
O meu conselho sobre preliminares para homens é, pois, o seguinte: sempre "não", "não posso", "não fiz a depilação", "sou da igreja evangélica e nós não podemos", "não estou preparada", etc.: confio totalmente na vossa imaginação; sempre a afastar-lhes as mãozinhas, mas nunca completamente, como se não tivéssemos força, coitadinhas, como se não fôssemos capazes de lhes assentar uma joelhada nos tomates.
"Não, não, não", mas suave, assim como se não soubéssemos bem, permitindo, por fraqueza, umas abertazinhas aqui, acolá, mais adiante. Entendido?
Depois, depende de cada uma de vós, ou se deixam caçar, e, se estiverem muito esfomeadas, lá terá de ser, ou adiam o repasto para uma próxima caçada.
Eu era capaz de adiar, porque, lembrem-se, um caçador a sério não descansa enquanto não reencontra o lindo exemplar de cervozinho do monte que quase feriu, mas não conseguiu abater.
sábado, setembro 24, 2005
Amor, havia necessidade de expores assim a nossa vida íntima?
Revista Maria, ainda quente, acabada de sair do quiosque:
«Consultório íntimo», p. 72
Sou um homem de 40 anos, com alguma experiência, Eis que, agora, sou surpreendido por uma mulher que, incrivelmente, me provoca um orgasmo de duração dez vezes maior e acompanhado de espasmos. Nesses três minutos pareceu-me ter experimentado o meu primeiro orgasmo feminino. Será isso possível?
J.F. - Porto
segunda-feira, junho 20, 2005
Por estas e por outras é que vivo sozinha!
Foto - Adolf (em Xupacabras)
Esta questão é colocada por um leitor, ao consultório da revista Maria, edição de hoje.
No outro dia fiquei escandalizado, quando cheguei a casa e vi a minha mulher a masturbar-se na mesa da cozinha enquanto fazia o jantar. Ainda não conseguimos falar no assunto.
( p. 70)
Caro amigo, pelo que posso deduzir, o cavalheiro ficou escandalizado pelo confronto com o acto onanista da sua senhora. Não imaginou que ela pudesse dar-se a essa vergonha! Meu amigo, se a esta altura da relação o senhor e a sua esposa não são capazes de falar sobre masturbação, e se tal lhe parece escândalo e andam os dois envergonhados, parece-me a mim que a sua senhora tem boas razões para se andar a esfregar na mesa da cozinha. Eu cá, se estivesse no lugar dela (e duvido que estivesse, porque tinha-o rifado à terceira tentativa!) esfregava-me por qualquer superficiezinha convexa que me aparecesse.
Pergunto, o senhor dá-se ao trabalho de tocar com a sua virginal mãozinha anti-onanista na pombinha da sua senhora, só para verificar a existência de condições necessárias à prestação de serviços mínimos? Não lhe pergunto se já experimentou mergulhar... Desculpe! E a sua senhora, tem autorização para verificar a consistência da sua capacidade para a prestação de serviços mínimos?
De qualquer forma, caro amigo, pense que a vida é curta e estamos aqui para rejubilar; um bilhete de cinema já custa 5 euros; uma boa garrafa de vinho, outro tanto; o queijo da serra não se lhe pode chegar e uma pessoa tem direito ao seu divertimentozinho gratuito.
No outro dia fiquei escandalizado, quando cheguei a casa e vi a minha mulher a masturbar-se na mesa da cozinha enquanto fazia o jantar. Ainda não conseguimos falar no assunto.
( p. 70)
Caro amigo, pelo que posso deduzir, o cavalheiro ficou escandalizado pelo confronto com o acto onanista da sua senhora. Não imaginou que ela pudesse dar-se a essa vergonha! Meu amigo, se a esta altura da relação o senhor e a sua esposa não são capazes de falar sobre masturbação, e se tal lhe parece escândalo e andam os dois envergonhados, parece-me a mim que a sua senhora tem boas razões para se andar a esfregar na mesa da cozinha. Eu cá, se estivesse no lugar dela (e duvido que estivesse, porque tinha-o rifado à terceira tentativa!) esfregava-me por qualquer superficiezinha convexa que me aparecesse.
Pergunto, o senhor dá-se ao trabalho de tocar com a sua virginal mãozinha anti-onanista na pombinha da sua senhora, só para verificar a existência de condições necessárias à prestação de serviços mínimos? Não lhe pergunto se já experimentou mergulhar... Desculpe! E a sua senhora, tem autorização para verificar a consistência da sua capacidade para a prestação de serviços mínimos?
De qualquer forma, caro amigo, pense que a vida é curta e estamos aqui para rejubilar; um bilhete de cinema já custa 5 euros; uma boa garrafa de vinho, outro tanto; o queijo da serra não se lhe pode chegar e uma pessoa tem direito ao seu divertimentozinho gratuito.
E depois, sabe, a culinária, numa base diária, também se torna fastidiosa. Eu, no seu caso, tinha entrado da cozinha e solicitado a partilha das tarefas. O senhor nem imagina a quantidade de tarefas que se podem partilhar numa cozinha. Estou a lembrar-me de algumas, neste momento; agora, desculpe lá, vou ali pôr um chazinho ao lume, mas já venho. Deixe-se estar aí sentadinho.
Finalmente, uma coisa a favor!
Jenny Saville, Plan, 1993
Revista Maria, a minha preferida, última edição, página 76:
As mulheres de "curvas" mais acentuadas têm tendência a viver durante mais tempo do que aquelas que têm pouco ou nada curvilíneo. Os investigadores descobriram também que as pessoas do sexo feminino com as ancas mais largas, estão protegidas contra as doenças do coração (pessoalmente acho que não há curva nem anca que nos proteja contra as "doenças do coração"!).
Mas saber que, afinal, posso começar a poupar nos cremes adelgaçantes, é notícia que me deixa encantada.
quinta-feira, maio 26, 2005
O meu "consultório íntimo"

Foto de Henri Cartier-Bresson
Enquanto o resto do País se preocupa com o deficit, os novos valores do IVA, as reformas, em suma, o apocalipse!, (a-quase-mais-perfeita) metade deste blog vai aprofundando conhecimentos sociológicos através da leitura atenta do famoso "Consultório Íntimo" da revista Maria. Provavelmente, o mais encantador "consultório íntimo" do mundo!
Deixava de bom grado as minhas trinchas, os meus pincéis, os meus óleos e acrílicos, os meus projectos e suportes, para me dedicar de alma, e corpo, e a tempo inteiro, ao serviço do referida secção da revista, não só redigindo as respostas - não posso concordar com a actual psicóloga de serviço! - como dando apoio pessoal, humanizado, a todos estes problemas que, justificadamente, afligem leitoras e leitores.
Esta semana, duas senhoras de Lisboa lastimam-se da ardência conjugal dos maridos. Os casos merecem compreensiva atenção e resposta.
Deixava de bom grado as minhas trinchas, os meus pincéis, os meus óleos e acrílicos, os meus projectos e suportes, para me dedicar de alma, e corpo, e a tempo inteiro, ao serviço do referida secção da revista, não só redigindo as respostas - não posso concordar com a actual psicóloga de serviço! - como dando apoio pessoal, humanizado, a todos estes problemas que, justificadamente, afligem leitoras e leitores.
Esta semana, duas senhoras de Lisboa lastimam-se da ardência conjugal dos maridos. Os casos merecem compreensiva atenção e resposta.
Primeiro:
Desde há uns tempos o meu marido parece um louco na cama. Eu ate gosto, mas, aos 45 anos, ele parece estar no auge da potência. Acho que não consigo saciá-lo. Que devo fazer?
Bem, minha senhora, se isso é a crise de meia idade, bendita crise, bendita meia idade!
Estou a ver duas soluções: primeira - relaxe e aproveite; se acha que não consegue saciar o seu marido, deixe correr, e aceite a dádiva de abundância que essa verdadeira gema sexual lhe pretende proporcionar; segunda - se o assunto a incomoda sobremaneira, e não consegue dar conta dele, faculte-me o numero de telemóvel do seu marido: contactá-lo-ei para marcar o início de uma terapia adequada, fazendo todo o acompanhamento pessoal.
Segundo:
O meu marido está a ficar insuportável! Fazemos sexo quando chegamos do emprego, enquanto cozinho, durante o duche e até em locais publicos! Nem me larga quando estou menstruada! Preciso de descanso, pois ele deixa-me dorida. Como devo proceder?
Minha cara senhora, minha cara senhora... quando diz "enquanto cozinho", refere-se ao descasque das batatas ou à fase em que vigia o estufado? Trata-se de um pormenor que me preocupa. É perigoso em qualquer dos casos. Cuidado com a chapa do fogão, que às vezes escalda as mãozinhas. Parece-me uma situação insuportável para si, coitada, mas, se me facultar o número de telemóvel do seu marido, contactá-lo-ei para marcar o início de uma terapia adequada, cujo acompanhamento pessoal tomarei a cargo, ao longo de todas as fases do tratamento.
quarta-feira, maio 04, 2005
Em quinquagésima mão, e depois?!
Revista Maria, edição nº 1382, semana de 4 a 10 de Maio, €0,65, (crucifixo banhado a ouro por apenas + €1,25).
Página 1, rubrica “Em Primeira Mão”
Título: Diana e Carla têm novos amores
Corpo da notícia: As participantes do Big Brother 4 estão a aproveitar da melhor forma os efeitos da Primavera. Depois de uma relação conturbada com Zé, Diana tem novo namorado. O jovem chama-se Marco e a ex-concorrente do programa da TVI diz-se muito contente com o novo amor e a nova vida, pois as mudanças não se limitaram ao plano amoroso, estendendo-se ao profissional. É que Diana interrompeu os estudos na faculdade para começar a trabalhar numa loja. Por outro lado, a atraente Carla, que proporcionou algumas cenas tórridas durante o reality show, confessa também ter encontrado a sua alma gémea em Ricardo e o casal já vive junto. Parece que, desta feita, as meninas encontraram a merecida felicidade.
Profissão dos alvos de notícia: ex-concorrentes de programa de televisão e atraentes.
Assunto que motiva a notícia: novos namorados - o Marco (será o da Marta?) e o Ricardo (o das “cenas tórridas” também era Ricardo, ou são as anestesias gerais que já se fazem sentir?).
Culpado dos acontecimentos relatados na notícia: os efeitos da Primavera.
Informação suplementar que enriquece a notícia: estão muito contentes – tanto que a primeira até largou a faculdade para trabalhar numa loja; a segunda encontrou a sua vigésima-quinta alma gémea com quem faz a sua quadragésima-sexta tentativa de vida em comum.
Moral da notícia: encontraram a merecida felicidade.
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...




