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segunda-feira, outubro 20, 2008

A verdade do sexo


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A masturbação é tradicionalmente um tabu, não porque prejudique a saúde - não é só sexo seguro, é também incesto seguro - ou porque seja ilegal, mas porque temos medo de que nela esteja a verdade do sexo: qualquer coisa que fazemos sempre sozinhos. Os nossos amantes seriam um mero coman­do ou uma dica para nos lembrar do nosso próprio delírio erótico. Seriam pessoas que nos põem em contacto com outro lugar, deuses ou deusas apesar de si próprios, porque, enquan­to pessoas, são demasiado complicadas para nos excitarem. E
o erótico é uma simplificação.
Então, porque mantemos, pelo menos aparentemente, o sexo com outras pessoas? Porque é que as incluímos? Se, com a masturbação, se trata de ter o sexo da maneira que se quer, com outra pessoa trata-se de o ter da maneira que não se sabia que se queria. Outras pessoas são outra coisa. A virtude da monogamia é a facilidade com que se pode transformar o sexo em masturbação; o vício da monogamia é que não nos dá outra coisa. Dois podem ser um a mais, mas um também pode.
Quando nos masturbamos, escusado dizê-lo, estamos sempre a ter sexo connosco. Não há nenhuma sugestão de infidelidade, excepto, em certo sentido, relativamente ao nosso parceiro. Mesmo que a masturbação seja o meio de encontrarmos intenso prazer erótico, as nossas fantasias masturbatórias são repetitivas e nada inventivas. É emba­raçoso contá-las e maçador ouvi-las. A masturbação, como a monogamia, não costuma dar uma boa história. Mas a mono­gamia é a coisa desejada.
O nosso compromisso com a monogamia depende do nosso apetite por boas histórias. E do nosso apetite pelo apetite. O único relacionamento verdadeiramente monogâmico é o que mantemos connosco.

Adam Phillips, Monogamia, 2008, Angelus Novus
Tradução de Abel Barros Baptista

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...