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segunda-feira, abril 17, 2006

Primavera II

Comprei três raminhos de cana de bambu decorativo para colocar num vaso de vidro transparente. Há muito que queria fazê-lo.

Encontrei uma bonsai muito bonita em promoção no Jumbo. Gostei do redondo desalinhado da árvore, e da cor das folhas. Comprei. Estive uma hora na net procurando informação sobre a espécie, a rega e exposição solar. Já sei tudo. É uma zelkova serrata e vai viver comigo para toda a vida.



Ao final do dia ofereceram-me um pé de orquídea rosa e cor-de-chá, com 10 flores abertas. Que beleza! Não tinha nenhuma jarra disponível, pelo que tive de improvisar um frasco de Mokambo daqueles que vou guardando por baixo do lava-louças: tenho verdadeiro horror a deitar fora coisas que podem vir a ser úteis. A orquídea é uma flor sofisticada e cai bem num frasco vazio de café. Tira-lhe as manias. É como se tirasse o colar de pérolas e vestisse as calças de ganga.




Não aspirei o chão. Não passei a ferro. Não preparei o material para amanhã.
Foi um dia feliz

terça-feira, janeiro 10, 2006

O futuro, a curto prazo

Hoje fui aos saldos.
Comprei uns collants de rede preta, daqueles que são muita rede e pouco collant e que não sei muito bem para que servem. Tenho uma vaga ideia.
Quatro euros e noventa e cinco cêntimos de rede inútil: baratíssimos!
Para os poder usar, quando for caso disso, vou, amanhã, à minha esteticista, marcar um tratamento à celulite que me vai custar uns bons 400 euros.

sexta-feira, abril 29, 2005

Escolher sapatos


www.aerosoles.com

A sandalinha é a preta. Comprei-a há um mês, e ainda não a estreei. Precisava de um outro par meia-estação. Mais contido, mais primaveril, mais "meio caminho". Branco. Creme. Um par de sapatos tem de permitir todas as combinações cromáticas possíveis.
Usar sapatos é uma ciência requintada. Um par de sapatos, como uma peça de roupa, não se limita a proteger. Possui uma linguagem própria, que se entende ou não. Que revela ou esconde. Veste ou despe um pé. E um pé de mulher detém certo poder. É preciso saber usá-lo, ou seja, saber muito bem como se quer vesti-lo e despi-lo e quando e onde.

Na última semana, em busca do par de sapatos perfeito para a Primavera, entrei em cerca de 40 lojas. Ora, isto, supondo que cada uma dispõe, para mulheres, de um stock de 50 exemplares diferentes, terei visto, até hoje, 2000 pares de sapatos e sandálias. Nenhum era o que procurava! Ou demasiado arejados ou excessivamente fechados. Ou de salto muito alto e desequilibrante ou com ele raso, baixo - o que, como se sabe, não enaltece o rabo, e não colabora, em nada, para o movimento pendular de que tanto gostamos. Ou muito design futurista ou muito retro enfeitado.
Não pode ser! Tem de haver aqui alguma sensatez, algum meio-termo. Tem de existir o sapato de Primavera que procuro: suficientemente casual para usar com calças de ganga, mas com o toque juvenil-romântico que possibilite combiná-lo com uma saia de linho cor-de-rosa. Um sapatinho que se possa calçar no emprego, sem ser muito vistoso, mais avec quelque chose que permita levá-lo à vernissage sem parecer que se cai ali directa do trabalho.
Ou seja, o sapato que me escapa; ou que, para meu mal, ainda ninguém engendrou, o que me obriga a continuar com os de Inverno ou, em alternativa, a estrear as sandalinhas fetichistas que estava a guardar lá mais para diante.

Resta-me informar que o meu número é o 37 e meio.

domingo, abril 03, 2005

100%

Estacionei, subi pelas escadas rolantes que desembocam no meeting point do centro comercial, a fervilhar de povoléu; esfomeada, ferida de colossal neura. Precisava de comer qualquer coisa rapidamente, um leite creme, por exemplo, um avantajado leite creme no restaurante típico alentejano, qualquer coisa substancial, porque a fome era muita; já não comia desde o almoço, ou seja, já lá iam 3 horas...
A caminho do piso 2, onde seria possível saciar-me, atravessei o labirinto de corredores com lojas que, nos centros comerciais, obrigatoriamente temos de cruzar até chegar aos lugares que interessam. Parei numa montra de anéis; ficavam-me todos bem e imaginei-os na minha mão, esticando os dedos; olhei para a montra de relógios modernos, deitei-lhes o olho, lembrei-me de como preciso de um relógio decente; passei uma loja de roupa e estaquei, hipnotizada: uma blusa de linho branco, 100%, levemente bordada por finíssimo fio azul, corte medieval... que bem ficava com as calças de ganga novas. Entrei, arrebatei-a do bastidor, escolhi uma écharpe esvoaçante a condizer... entretanto, os olhos foram bater numa outra, excelente algodão, 100%, decotada no peito e nas costas para lá do razoável, estampada, duas orquídeas cor de lava, exactamente no tom da saia nova, comprada com as calças...
Escolhi uma gargantilha a condizer, para que o peito não ficasse tão nu. Gabinete de provas.
E não é que aquilo me ficava deliciosamente, como se tivesse sido costurado de propósito para o meu corpo, o meu tom de pele, a minha cor de olhos e cabelo! Tudo. Mirei-me, aprovadora. Saí do gabinete de provas para me observar no espelho maior, de longe... Remirei-me, ofereci-me com agrado a todos os olhares - que agradeci, com um leve sorriso.
Retornei ao gabinete de provas, dobrei com cuidado a farpela, procurei o cartão de crédito, e, num ápice, dei comigo na caixa; logo a seguir, fora da loja, com um saco na mão. Feliz, feliz, feliz... sem vestígios de fome, enojada só de pensar em leite creme, os olhos a brilhar, fabuloso humor...
Fui sentar-me, muito civilizadamente, numa pequena mesa redonda do Café de Roma, a beber, com classe, uma meia de leite com adoçante, de perna cruzada, pescoço levantado, sentindo-me a mulher mais sexy do planeta, antecipando os maravilhosos dias que a metereologia me vai oferecer, esta semana, para que possa estrear os trapinhos novos e sair à rua como uma deusa - é como me vou sentir quando me olhar ao espelho, dez segundos antes de atravessar a porta! - caminhando natural e indiferentemente, fazendo de conta que não sei que estou maravilhosa, que sou maravilhosa, fazendo de conta que sou todo o meu perfume, a totalidade da minha cor, o rasto a fêmea que deixo atrás dos meus passos.

A moral da história, claro, deixo ao vosso critério.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...