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terça-feira, agosto 05, 2008

Puppy, puppy











Algumas considerações totalmente aleatórias sobre Marilyn Monroe:


1. Podia chegar cinco horas atrasada a uma sessão de fotografias. Ninguém reclamava. Os meus amigos não me perdoam 20 minutos de atraso na bicha da ponte.

2. Se fosse viva, seria apenas dois anos mais nova que a minha mãe. Para seu mal, haveria de estar toda esticada e fazer confissões do tempo da Maria Cachucha, como a Beatriz Costa.

3. Foi um desperdício de vida e beleza. Quando somos jovens e belas e com tendências auto-destrutivas, a urgência total não está em procurar um homem e uma caixa de hipnóticos, mas um psicólogo, um bom psicólogo, três vezes por semana, tal como se toma um antibiótico, um analgésico, um retroviral.

4. Não foi apenas uma mulher bela. A sua imagem era doce e inocente como a de um cãozinho com poucas semanas. É tal doçura que a mantém viva, como iconografia do feminino e de um ideal de existência que não há, nunca houve entre adultos que lutam para pagar os empréstimos bancários.

5. Morreu cinco meses antes de eu nascer. Graças a Deus não sou a sua reencarnação.

terça-feira, fevereiro 28, 2006

olhava



havias de ver ruir as novas casas, erguidas sobre as velhas, e oferecerias a outra face e calarias o que ainda fosses capaz de dizer

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Daqui a muito tempo, quando for feliz

Ontem, ao fim da tarde, em São João da Caparica, havia marés vivas. A vassoura do vento varria, para Norte, ao correr da crista das ondas, uma chuva fina, branca, quase gasosa. Um fumo. As ondas galgavam-se, atropelavam-se já ao longe, bem altas, e rebentavam como leite. Sentia-se o barulho muito forte das correntes, não apenas nos ouvidos, mas no estômago. A luz incidia filtrada de rosa-sépia sobre as dunas; um par de namorados beijava-se; ninguém na areia molhada.
Um dia, quando for feliz, o que chamarei a isto?




(No Kontiki bar tínhamos bebido, primeiro em silêncio, depois rindo um bocado, um lindo jarro de sangria branca com abacaxi, morango, kiwi, papaia e laranja - mas já tenho vergonha de contar estas partes!)

As praias que não são privadas

A praia de São João da Caparica tem estacionamento privado. Dois euros por dois minutos, duas horas, ou o dia inteiro; Verão ou Inverno. A praia não é privada, só o estacionamento.
Acontece que os autocarros para o lado de São João, o lado direito, quando chegamos à Costa, são muitíssimo escassos. Penso que exista apenas um - o que faz o percurso Fonte da Telha-Trafaria. Não tenho a certeza. A selecção de frequentadores da praia está, portanto, metade feita. Mas mesmo que os transportes públicos fossem frequentes, considerando que o areal fica um bocado distante da estrada principal – mil e tal metros, julgo - ficava feita, naturalmente, o resto da selecção.
São João é uma praia para automobilistas. Não é privada, claro, porque não se ia agora privatizar uma praia, mas o sacana do estacionamento é que tem de ser pago (ou então, ir a pé desde o povão da Costa, ou deixar o carro lá longe, na estrada, a um quilómetro e tal).


Isabela, ontem, no momento em que chegou ao areal de São João da Caparica


Chegados à entrada, deparamo-nos com a casota do segurança, magrito, de bigode, devidamente fardado, investido do seu omnipotente poder de porteiro, e pagamos a tremer, mansos, mansinhos, enquanto o agente da KGB nos passa um papel à bilhete de cinema antigo, que colecciono na prateleira da porta do meu lado, no carro, e que têm inscrito o nome de uma sociedade qualquer de empreendimentos, sediada em Feijó city – o agente da CIA sobe-nos, manualmente, aquela coisa que sobe e desce, e é uma emoção, parece mesmo uma daquelas fronteiras nos países do terceiro mundo, um posto de controle numa zona de guerra, enfim, ontem, o agente da Mossad até me tirou a matrícula do carro, de sobrolho carregado. Tive medo. Tive muito medo. E se me pedisse a autorização para circular, a guia de marcha, se me revistasse toda, se me observasse as entranhas do veículo com aqueles espelhos de meter por baixo...


Isabela, ontem, em São João da Caparica, pensando em como lixar o agente KGB-CIA-Mossad


Bem, depois disto tudo, entra-se no paraíso? Entra, de facto, a praia é maravilhosa, os bares, em madeira, têm magníficas esplanadas batidas pelo sol de Inverno, viradas para o mar, protegidas do vento. Mas o estacionamento, aquele que nos vendem por dois euros, não existe; é terra batida. É chegar e arrumar. O primeiro segmento da estrada, até ao Kontiki, foi de alcatrão, no passado remoto, agora é uma sucessão de crateras vulcânicas. O restante percurso, na direcção das praias mais encostadas à Cova do Vapor, nunca viu tapete.
Certo, eu dou dinheiro aos arrumadores todos, aos drogados, aos romenos, aos alunos do Chapitô que brincam com fogo no Chiado; eu dou dinheiro a tudo o que é maluco e me estende a mão. Com certeza que têm de comprar heroína, tabaco, vinho, sandes, não interessa; justifica-se. Eu colaboro, sim senhor. Agora, quando estou a pagar para entrar em São João da Caparica, pago o quê? Ninguém toca, unplugged, um tema punk? Ninguém brinca com o fogo? Ninguém arranja a estrada e constrói, efectivamente, um parque de estacionamento?


sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Premonição



Estou?! Sim, bom dia dona Eugénia. Liga-me à senhora directora, por favor?!
Maria Teresa, más notícias: acordei doente... não posso ir! Pois, eu sei, mas deve ser uma crise de bílis, que não aguento a cabeça em pé... algum iogurte fora do prazo. Eu sei, Maria Teresa, mas a minha cabeça... é impossível, estou praticamente em estado de coma... sim, a gente, depois, na segunda, logo vê isso. Xau, bom fim-de-semana, filha!

quinta-feira, agosto 04, 2005

Eu tomo conta de ti

As mulheres sempre a amaram.
A minha mãe teria gostado que eu fosse uma Marilyn, e eu, sinceramente, tenho tentado, episodicamente com sucesso...
Marilyn corresponde ao estereótipo do doce, bom anjo louro que todos adoram. E deve ter sido doce e boa, tanto quanto amarga e má. Foi uma pessoa, e, naturalmente, as pessoas são-no.
A beleza Marilyn não está na moda por excesso de doçura. O seu olhar para a câmara fotográfica não permite fantasias de luxúria. Permite o abraço, o beijo, eventualmente, o amor.
Marilyn deixou-nos essa vontade de a abraçar, de lhe dizer, “sim, eu gosto de ti; sim, eu vou tomar conta de ti”. Não a imagino nas fotos de moda que hoje se fazem. Não a imagino feia, esborratada, com um ar triste ou arrogante. Marilyn sorriu sempre, com o seu melhor sorriso. Sorriu nos tempos do álcool, de copo na mão.
Por isso, as mulheres amam-na.

Marilyn Monroe (01/06/1926 - 04/08/1962)

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...