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sábado, agosto 30, 2008

Quietinho aí!


Ontem fui ao
Minipreço. Ir ao Minipreço não é um acontecimento em si. Vou todas as semanas. Mas ontem havia uma novidade: um agente da polícia do lado de dentro, de costas viradas para a porta, vigiava o estabelecimento. Pude observá-lo bem enquanto estava na fila da caixa. Os alvos de atenção do polícia eram escolhidos segundo o sexo e a raça. As mulheres não lhe mereciam preocupação e os brancos muito menos. Portanto, eu poderia, se quisesse, ter praticado alguns pequenos crimes à vontade. No entanto, dois jovens negros e altos que entraram lestamente para comprar pão e leite, foram alvo de grande vigilância. Partir-se do princípio de que todos os jovens negros são potenciais assaltantes revela enorme ignorância, incultura e falta de educação. Aquilo a que chamamos racismo é isso tudo junto.
Enquanto o polícia ia vigiando os negros que entravam fui-lhe tirando a radiografia: era um homem dos seus trinta anos, simples, aparentando a escolaridade mínima para o cargo, com aquele aspecto policial que confunde autoridade com exercício arbitrário do poder. Não tinha um ar inteligente nem vivaz, mas podia mostrar-se curioso, atento, pronto, activo. Não. Estava ali aquela figura de corpo presente a vigiar clientes negros que acabavam de sair do trabalho, cansados, desejosos de chegar a casa. Não creio que aquele homem pudesse defender-se de dois ou três atacantes que o agarrassem (lembro que estava de costas para a porta!). A pequena arma encontrava-se tão bem embrulhada e fora de mão, tão inofensiva, que duvido que tivesse tempo de a empunhar antes de ser atingido com uma murraça nos queixos. Este agente é a imagem que nos é oferecida da polícia portuguesa. Agentes preguiçosos, indiferentes, cheios de preconceitos, destituídos de poder, incapazes de exercer a sua missão como seria desejável. Para mim, aquele polícia estava a pedi-las. Se tivesse entrado uma quadrilha no Minipreço, sei lá se me teria oferecido para ajudar a manietar o agente e ir-lhe sussurando ao ouvido, quietinho aí!

quarta-feira, agosto 27, 2008

Um país do caraças para se viver


O comportamento dos indivíduos raramente é individual. As pessoas agem por imitação. Fazem o mesmo que vêem os outros fazer, tendendo a integrar-se nos grupos. Esta tendência não vale apenas para a moda, para os hábitos de lazer, vocábulos e expressões que não sabemos de onde vêm, autocolantes nos carros, compra massiva de écrans plasma, seguros de saúde, determinadas marcas, práticas sexuais, etc., etc. Aplica-se igualmente à criminalidade. É exactamente o mesmo fenómeno que ocorre quando alguém resolve suicidar-se atirando-se da Ponte 25 de Abril. Nas semanas seguintes, centenas de pessoas tentam atirar-se de pontes. A mente e vontade humanas funcionam segundo a fórmula "se os outros conseguem, eu também consigo", "se é fácil para os outros, também é fácil para mim". E sejamos sinceros, pôr termo à vida é fácil. Assaltar seja quem for ou o que for, é fácil. Sempre me admirei com a forma como tudo funciona em Portugal sem vigilância, na boa. Como tem sido bom circular por todos os cantos desta terra sem a presença ostensiva das polícias. No que respeita a questões de segurança, isto tem sido um país do caraças para se viver! Estive há poucas semanas em Barcelona, onde a polícia é quase omnipresente, e devo dizer que embora isso possa garantir uma segurança eficaz, incomoda. Lembra-me que os jardins do paraíso podem explodir a qualquer momento. Ontem, por exemplo, senti-me pela primeira vez bastante insegura na estação de correios da minha área, e apenas porque havia um agente da PSP a guardar-lhe a porta, e não é que me pareça má ideia. As pessoas e instituições têm de se defender das pragas de gafanhotos.
Estou em crer que a vaga de assaltos se trata de um crime sazonal e por contágio. Não tem nada a ver com imigração, como certas falanges da direita tentam passar. A constante divulgação mediática de actos criminosos promove a ocorrência de crimes semelhantes. Enquanto as aberturas e "últimas horas" dos telejornais derem destaque a assaltos à mão armada a bombas de gasolina, correios, caixas multibanco e carros de alta cilindrada, a ocorrência anormal de crimes deste género continuará a dar-se.
É Verão, mas um mau Verão, a praia tem estado impossível, as noites excessivamente frescas, não há dinheiro para diversões, a malta está de férias, perdeu hábitos de leitura, perdeu os valores fundamentais que eram oferecidos pela educaçãozinha à antiga, nomeadamente não matarás, não roubarás, não desrespeitarás isto e mais aquilo... portanto, por que não sacar o dinheiro da bomba da Costa, pela adrenalina, para comprar umas pastilhas, uns ténis de marca, arranjar umas gajas, sair no Telejornal, man. Eu sei que isto é falar à velha. Se calhar estou a ficar velha.


quinta-feira, outubro 11, 2007

Detesto Polícia



Não suporto a PSP nem a GNR e o seu batalhão de trânsito. Uma boa parte destas forças de segurança é constituída por indivíduos prepotentes, arrogantes e ignorantes sem remissão. Frequentemente, tenho vontade de lhes devolver as guias de multa com os erros ortográficos corrigidos, acrescentando que apresentam caligrafia demasiado infantil e incipiente, própria de quem fez o 9º ano porque já tinha 17 anos e não valia a pena andar a empatar.
Quando me informam que infringi o artigo 43 do código da estrada, dava imenso jeito que pudessem iluminar-me, e de preferência em Português, sobre o conteúdo do referido legislativo. Multem-me, mas multem-me com dignidade.

Detesto polícias, contudo tenho consciência de que o espaço público, e frequentemente o privado, quando se cruza com o público, depende deles, pelo que a sua missão se torna crucial para a segurança de qualquer estado. Por tal motivo não posso compreender que o Poder invista tão fracamente nas Polícias. Em formação, sobretudo. É intolerável e perigoso que uma profissão sobre a qual recai tanta responsabilidade, e da qual é obrigatório exigir idoneidade e sentido de justiça irrepreensíveis, receba salários miseráveis, não usufruindo de vantagens oferecidas, por exemplo, ao poder judicial. Não devemos esperar discernimento, nobreza e boa reputação apenas dos juízes. Exigir dos agentes policiais habilitações tão reduzidas, bem como rasteira formação humana, cívica e deontológica é um preço que as sociedades pagam alto. Custa-me dizê-lo. Fere os ideais nos quais preciso de acreditar, mas a verdade é que a nobreza de carácter e o zelo profissional pagam-se, compram-se. Com euros. Quem exige tão pouco e paga tão mal, só poderá esperar fracos e negligentes serviços.
Surpreende-nos que os agentes de autoridade sejam alvos fáceis de todo o tipo de corrupção, tentando desenrascar a vida ao aceitar subornos, ou motivando-os? Agridem cidadãos nas esquadras, fecham os olhos aos negócios da noite, melhor, até colaboram, integram os esquadrões racistas da praça para andar a filmar negros algemados contra muros, em acções policiais nocturnas? Pode pedir-se mais? A culpa não é deles, mas de um Estado para o qual a segurança é coisa tão pouco importante.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...