Os homens portugueses ganham mais 25% do que as mulheres, realizando as mesmas tarefas. A notícia não constitui para mim qualquer novidade, mas faço questão que não passe em branco. É preciso lembrar que as mulheres têm muita luta para lutar antes de se afirmarem, um dia, iguais. A actual tendência para o apagamento das desigualdades, a negação dessa evidência, realizada pelas próprias mulheres, todas modernas, todas indiferentes às discriminações de que são alvo, tem contribuído bastante para uma regressão ao nível dos discursos e mentalidades.
Surpreendeu-me que esta diferença salarial, a nível europeu, fosse de quase 16 por cento. É excessivo para a realidade que julgava conhecer. Não se trata de mais uma questão portuguesa isolada no contexto europeu, mas de uma fragilidade, entre tantas outras, nomeadamente racistas e xenófobas das culturas europeias, e isso, claro, preocupa-me. Seria muito mais fácil lutar apenas contra as idiossincracias das culturas latinóides.