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sexta-feira, agosto 22, 2008

Quanto ganham as mulheres?


Os homens portugueses ganham mais 25% do que as mulheres, realizando as mesmas tarefas. A notícia não constitui para mim qualquer novidade, mas faço questão que não passe em branco. É preciso lembrar que as mulheres têm muita luta para lutar antes de se afirmarem, um dia, iguais. A actual tendência para o apagamento das desigualdades, a negação dessa evidência, realizada pelas próprias mulheres, todas modernas, todas indiferentes às discriminações de que são alvo, tem contribuído bastante para uma regressão ao nível dos discursos e mentalidades.
Surpreendeu-me que esta diferença salarial, a nível europeu, fosse de quase 16 por cento. É excessivo para a realidade que julgava conhecer. Não se trata de mais uma questão portuguesa isolada no contexto europeu, mas de uma fragilidade, entre tantas outras, nomeadamente racistas e xenófobas das culturas europeias, e isso, claro, preocupa-me. Seria muito mais fácil lutar apenas contra as idiossincracias das culturas latinóides.


sexta-feira, junho 06, 2008

Olhem que não sou muito dada ao línque!

Um texto excelente, de Sofia Loureiro dos Santos, que subscrevo integralmente, desmascarando os mecanismos sociais que hoje se vão afinando para confinar as mulheres, subtilmente, ao milenar papel doméstico e reprodutor, porque parece que sai mais barato tê-las em casa, e a criançada leva mais nalgada castigadora.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Querida, vou trocar-te por outra

No People & Arts passa um programa de troca de esposas.
Durante duas semanas, os elementos femininos dos casais largam os seus lares e integram agregados familiares estranhos, dos quais saem, igualmente, as mulheres que se ocuparão dos seus.
As esposas largam a casa, obrigatoriamente, e nunca os maridos, pelo que deduzo que as regras assentem na filosofia de que o proprietário do imóvel, bem como da união, é o homem, sendo que o elemento portátil, o qual se acha legítimo mudar, como um sofá ou uma arca frigorífica, a mulher.
Este tipo de programas, embaraçosos, lamentáveis, ajuda-me a demonstrar que a emancipação da maior parte das mulheres, sobretudo as casadas, ainda não aconteceu, ou aconteceu pouco e mal, sendo que as mais elementares reivindicações do feminismo se encontram por realizar.
Gostava que os leitores meditassem 15 segundos sobre estes indícios de cultura patriarcal, aparentemente tão inofensivos.


terça-feira, dezembro 18, 2007

Só o casamento me tornaria uma senhora

No Central, onde me delicio a ler o Correio da Manhã, o senhor Gonçalo, para aí 28 anos, empregado de mesa, solteiro sem namorada, disse-me:
- Menina, se já leu o jornal, passe ali aquele senhor que está à espera.
Olhei. O senhor era o Bruno, um miúdo meu vizinho que brincava com o Pantufa, e entrou há uns anos para engenharia. Tem para aí 23 anos. Consta que dá explicações de Matemática.
Eles, a quem assoei o ranho com lencinhos às flores, já são todos senhores. Eu é que ainda sou uma menina.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...