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sexta-feira, agosto 08, 2008

Filhos de um gajo qualquer


Estava eu a contar-lhe que lera no
El Pais que uma ministra do PP espanhol, com 40 anos, conservadora, mantendo, portanto, posições públicas contra o casamento de homossexuais, contra a dissolução da família tradicional, embora divorciada, se tinha feito inseminar artificialmente com esperma de um gajo qualquer, numa clínica em Barcelona, ou em Madrid, não me lembrava, e que agora era mãe de uma linda criança, só dela.
Respondeu-me que, em 90 por cento dos casos, os nossos filhos são também filhos de um gajo qualquer. E que quando não são, há sempre a hipótese de o amado pai dos nossos filhos se tornar, em poucos anos, num verdadeiro gajo qualquer.
A minha prima afastada é uma mulher muito prática, nada romântica. Já lhe disse que é por isso que os homens têm medo dela. Por este andar, coitada, ainda fica solteirona.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Procriação medicamente assistida para todos

Em Portugal precisamos de aumentar a natalidade em 50 mil crianças por ano, e este é um dos argumentos do não no referendo à despenalização da IVG, motivo pelo qual, o líder do CDS-PP propôs que o governo aprovasse medidas de apoio à vida.
Considerando que o governo não está a pensar aumentar o salário dos portugueses, nem nada que se pareça, suponho que isto seja uma alusão lógica às técnicas de procriação medicamente assistida, que deverão ser facultadas, gratuitamente, a todas as cidadãs e cidadãos que desejem ser pais e/ou mães, quer sejam casados ou solteiros, heterossexuais ou homossexuais. Solteiros, homossexuais e lésbicas, etc., não só pagam impostos, como, embora custe muito a acreditar, são pessoas iguais a todas as outras, tipo gente a sério, portanto, por que raio haveriam de ser distinguidos em relação a outros cidadãos? Não teria qualquer sentido!
Se for isto, até me filio no CDS-PP.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Concepção sem sexo


Ainda incomoda muito, isto das mulheres desatarem a tomar decisões inovadoras, com o seu corpo e dinheiro, desafiando as regras sociais, e até as do que se considera razoável em ciência, sem pedirem autorização a ninguém. Isto de não se encostarem a um canto, de não se conformarem com a telenovela, de não abdicarem de uma vida porque não arranjaram um homem, de já não serem as tradicionais solteironas sem remissão, de se estarem nas tintas para a relação conjugal, de conceberem filhos sem sexo, sem um pai... incomoda, incomoda muito.
Vejamos o caso da espanhola, mãe aos 67 anos, com auxílio da reprodução medicamente assistida. Alegam que foi um perigo, que a senhora é velha, que daqui a dez anos pode deixar dois órfãos. Se foi um perigo, foi-o para ela! Se as crianças não viessem a nascer, o mundo continuaria igual, já que a sua existência depende exclusivamente da determinação desta mãe, do perigo que quis correr. Quem se incomoda se um homem for pai aos 67 anos? Ou aos 70? Um pai de 60 anos, e uma mãe de 20, podem sofrer acidentes e deixar filhos órfãos. Em Portugal acontece muito. Mas o que pode correr mal conta mais quando uma mulher está sozinha. Se houver um homem, mesmo que à beira do ataque cardíaco, a questão já não se põe. Os homens, se ficam viúvos, e com filhos, arranjam outra mulher; ou arranjam uma prima, uma cunhada, uma perceptora como no Música no Coração, que bonito! Mas uma mulher que decide ser mãe aos 67 anos, porque adiou a sua própria vida durante a vida inteira é egoísta. Cometeu um acto censurável. Tudo muda porque é mulher.
Eu acho que fez muito bem! Tem, logicamente, todo o direito do mundo a escolher o rumo da sua vida, inclusive o de ter os seus filhos, seja qual for a sua idade. Vai criá-los, como os criaria se fossem seus netos, e a filha tivesse ido trabalhar para o Algarve ou para o Norte ou para Espanha, e nunca tivesse tempo para vir a casa, o que em Portugal também acontece muito.
Que maravilha! Reformada e agora com dois bebés! E sem sexo, caramba; que concepção tão limpinha!
As mulheres desejaram isto desde que se conhecem: não precisarem de aturar um homem para serem mães. Finalmente, o mundo perfeito!

terça-feira, maio 16, 2006

Vamos lá ver se entendi

J. Saudek, The Flag, 1972























Pelo que pude ler neste artigo, depreendo que:

1. Como não tenho macho devidamente registado no civil ou nas finanças, estou prestes a tornar-me infértil por decreto-lei, condição biológica que poderei alterar administrativamente, mediante assinatura de contrato de casamento com o primeiro meliante que me venha bater à porta.

2. Enquanto celibatária não posso gerar um filho por inseminação artificial porque o meu estado civil indicia que não tenho um projecto de vida.

3. Não posso ter um filho fora de uma estrutura familiar biparental? E se o rapaz que tem vindo cá dormir às quartas, sextas e sábados se descuidou a semana passada, não sei..., estando eu em fase ovulatória? A gente não quer casar nem viver juntos: seremos considerados estrutura biparental, apesar disso? E se nos zangarmos amanhã e ele desaparecer da minha vida para sempre, ficando eu grávida? Eu, mulher celibatária, logo, infértil por decreto, que gera um filho fora das condições ideais da biparentalidade, terá projecto de vida suficiente para o incluir na sua vida? E se eu me casar em Junho com o rapaz, já grávida, e ele se fartar de mim na lua-de-mel, desaparecendo para parte incógnita, ser-me-á permitido criar o bebé num contexto de monoparentalidade? E terei projecto de vida, estando sem macho? E incluirá a criança?
Sinto-me baralhada.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...