
Uma brasileira foi detida ao tentar passar para dentro de uma prisão, em São Paulo, vinte gramas de cannabis, um telemóvel, respectivo carregador e um cartão de chamadas, escondidos na vagina. Dá vontade de rir, mas a realidade não tem graça alguma; não deve ter feito rir a moça, que foi presa por tráfico.
Dá-nos menos vontade de rir, mas o fenómeno é o mesmo: esta semana, um passageiro da KLM vomitou, em desespero, alguns sacos de droga que engolira e principiavam a rebentar-lhe no estômago - cerca de noventa. Foi conduzido ao hospital, e detido.
Continua a surpreender-me que sociedades civilizadas, perante a descoberta de casos de autosevícias, com fim mercantil, a que indivíduos se prestam para sobreviver, tenham, como única resposta, a força da Lei pela Lei.
A saúde da rapariga e do homem seriam as prioridades e, de resto, uma correcta investigação policial que conduzisse à descoberta e desmantelamento dos promotores do tráfico, dentro ou fora de prisões. Tudo o resto é inútil, porque erra o alvo.
A mesma sociedade civilizada que detém correios de droga à beira da morte, noticia que noventa por cento das notas em circulação trazem vestígios de cocaína.
A sociedade civilizada precisa avidamente dos consumos que oficialmente não consome, mas pelos quais penaliza alguém: não os produtores, inatingíveis; não os consumidores, que snifam usando notas de 100; mas os correios da droga, os que atravessam barreiras fronteiriças, e nos seus corpos, para as ganhar - duas ou três com que dar feijão com arroz aos filhos.
Dá-nos menos vontade de rir, mas o fenómeno é o mesmo: esta semana, um passageiro da KLM vomitou, em desespero, alguns sacos de droga que engolira e principiavam a rebentar-lhe no estômago - cerca de noventa. Foi conduzido ao hospital, e detido.
Continua a surpreender-me que sociedades civilizadas, perante a descoberta de casos de autosevícias, com fim mercantil, a que indivíduos se prestam para sobreviver, tenham, como única resposta, a força da Lei pela Lei.
A saúde da rapariga e do homem seriam as prioridades e, de resto, uma correcta investigação policial que conduzisse à descoberta e desmantelamento dos promotores do tráfico, dentro ou fora de prisões. Tudo o resto é inútil, porque erra o alvo.
A mesma sociedade civilizada que detém correios de droga à beira da morte, noticia que noventa por cento das notas em circulação trazem vestígios de cocaína.
A sociedade civilizada precisa avidamente dos consumos que oficialmente não consome, mas pelos quais penaliza alguém: não os produtores, inatingíveis; não os consumidores, que snifam usando notas de 100; mas os correios da droga, os que atravessam barreiras fronteiriças, e nos seus corpos, para as ganhar - duas ou três com que dar feijão com arroz aos filhos.