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domingo, maio 28, 2006

Desinfecções e feridas

A fobia à bactéria não é normal; dá-se demasiada importância ao bicho.
Eu cá, tenho aversão a ambientes muito desinfectados. Um espaço normal tem de ter as suas comunidades de bactérias e ácaros escondidas em qualquer vão. Infeccções por tudo e por nada, e mais alergias, são uma modernice insuportável. Antigamente não havia alergias; tenho muita pena mas não havia. Tínhamos umas borbulhagens atribuídas a qualquer insecto que tivesse passado pela roupa da cama, normalmente uma centopeia ou aranha venenosa, ou então era dos sangues ou do mudar da folha, e ponto final. Se não era nada disso, era pulga. Agora até as minhas cadelas são alérgicas às pulgas!
Quando fazíamos feridas desinfectavam-se com água oxigenada, passava-se mercurocromo, e polvilhava-se com sulfamidas. Deixavam-se ao ar para criar a crosta, que depois se coçava devagarinho, à volta da pelezinha nova, querendo arrancar, levantando um pouco, mas não chegando a tanto, porque a crosta estava ainda colada à carne viva por um coração de sangue; e era um prazer. Fechávamos os olhos. Coçar à volta da crosta, pressioná-la um pouco contra a pele por baixo, já sarada, muito fina, era um prazer tão intenso que sentíamos crescer água na boca. Antigamente dava gosto fazer uma ferida.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...