A democracia não funciona. É grave termos chegado ao século XXI com um sistema governativo que continua a não saber representar aqueles que o elegem, e que permite que pelas falhas mal vigiadas da sua tessitura penetre toda a espécie de aldrabões e caciques. O que se passou a semana transacta no parlamento da região autónoma da Madeira é a prova de que a democracia é um sistema frágil, facilmente usurpado pela autocracia. Numa democracia genuína, Alberto João Jardim e os seus partidários nunca teriam permanecido tanto tempo no governo. Numa democracia genuína não seria possível eleger como deputado um individuo chamado José Manuel Coelho, que até possui uma bandeira do partido nazi para chamar aos outros... nazis. Numa democracia que repressentasse efectivamente a voz do povo, e os seus anseios, um ministério teria obrigatoriamente de rever uma política na qual não se revêm 80 por cento dos seus funcionários. Uma ministra da Educação cega aos protestos da quase totalidade dos funcionários do seu ministério não destoaria no governo do Dr. Salazar, se vivêssemos nesse tempo e contexto, e nesse caso não estranharíamos. É que nessa altura não tínhamos uma democracia. Ou tínhamos? Sinceramente, tenho cada mais dificuldades em perceber a diferença. É por isso que me parece que a democracia não está a funcionar.
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quarta-feira, novembro 12, 2008
Não vivemos em democracia
A democracia não funciona. É grave termos chegado ao século XXI com um sistema governativo que continua a não saber representar aqueles que o elegem, e que permite que pelas falhas mal vigiadas da sua tessitura penetre toda a espécie de aldrabões e caciques. O que se passou a semana transacta no parlamento da região autónoma da Madeira é a prova de que a democracia é um sistema frágil, facilmente usurpado pela autocracia. Numa democracia genuína, Alberto João Jardim e os seus partidários nunca teriam permanecido tanto tempo no governo. Numa democracia genuína não seria possível eleger como deputado um individuo chamado José Manuel Coelho, que até possui uma bandeira do partido nazi para chamar aos outros... nazis. Numa democracia que repressentasse efectivamente a voz do povo, e os seus anseios, um ministério teria obrigatoriamente de rever uma política na qual não se revêm 80 por cento dos seus funcionários. Uma ministra da Educação cega aos protestos da quase totalidade dos funcionários do seu ministério não destoaria no governo do Dr. Salazar, se vivêssemos nesse tempo e contexto, e nesse caso não estranharíamos. É que nessa altura não tínhamos uma democracia. Ou tínhamos? Sinceramente, tenho cada mais dificuldades em perceber a diferença. É por isso que me parece que a democracia não está a funcionar.
terça-feira, fevereiro 05, 2008
Gostamos de apanhar tautau
Lá na minha fábrica, a chefe de secção é execrável. Pelos corredores, todos lhe cortam na casaca, o mais possível, em sussurro.
Registei um sorriso geral de vingança satisfeita quando chegou com o carro amolgado, a semana passada. Eu não fui excepção. Primeiro que tudo a moral, mas, antes da moral, o ressentimento. Bem feita, ouvia-se; era um clamor geral sem fonética. A mulher merece.
Sendo o seu cargo decidido por eleição anual entre pares, qualquer pessoa normal pensaria que a ditadora histérica está há pouco tempo na função, e não voltará a ser alvo de sufrágio, mas a verdade é que a víbora é eleita consecutivamente há uns bons oito anos e não se prevê que saia. Ninguém fala em mudança. Estou em crer que os meus colegas adoram levar nas trombas, e temê-la, para a seguir lhe morderem na sombra. Uma coisa masoquista que não terá grande explicação fora da psicanálise.
Por esta, e por outras, habilito-me a defender a ideia de que os portugueses não acreditam na democracia, e, mesmo que acreditassem, varriam-na para debaixo do tapete. Os portugueses gostam é que o papá, ou a mamã, dêem tautau, e digam não, não fazes, não, não podes, e faço isto para teu bem, meu filho. Depois choram, reclamam e batem o pé, mesmo sabendo que não adianta, porque não está nas suas mãos, que bom, alguém decide a sua vida por eles, seja o que for, por isso até não se importam de ir para o quarto de castigo, obedientes e lindos meninos chorosos com a catarse realizada. Tenho a ideia que a maioria dos portugueses está na fase dos 12, 13 anitos. Ai, que medo da vida dos crescidos!
Registei um sorriso geral de vingança satisfeita quando chegou com o carro amolgado, a semana passada. Eu não fui excepção. Primeiro que tudo a moral, mas, antes da moral, o ressentimento. Bem feita, ouvia-se; era um clamor geral sem fonética. A mulher merece.
Sendo o seu cargo decidido por eleição anual entre pares, qualquer pessoa normal pensaria que a ditadora histérica está há pouco tempo na função, e não voltará a ser alvo de sufrágio, mas a verdade é que a víbora é eleita consecutivamente há uns bons oito anos e não se prevê que saia. Ninguém fala em mudança. Estou em crer que os meus colegas adoram levar nas trombas, e temê-la, para a seguir lhe morderem na sombra. Uma coisa masoquista que não terá grande explicação fora da psicanálise.
Por esta, e por outras, habilito-me a defender a ideia de que os portugueses não acreditam na democracia, e, mesmo que acreditassem, varriam-na para debaixo do tapete. Os portugueses gostam é que o papá, ou a mamã, dêem tautau, e digam não, não fazes, não, não podes, e faço isto para teu bem, meu filho. Depois choram, reclamam e batem o pé, mesmo sabendo que não adianta, porque não está nas suas mãos, que bom, alguém decide a sua vida por eles, seja o que for, por isso até não se importam de ir para o quarto de castigo, obedientes e lindos meninos chorosos com a catarse realizada. Tenho a ideia que a maioria dos portugueses está na fase dos 12, 13 anitos. Ai, que medo da vida dos crescidos!
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...