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quinta-feira, dezembro 22, 2005

Laranjas no Inverno

Gosto tanto de laranjas! Compro as mais lindas no mercado, as de pele fina, as pesadas, as de um umbigo: mas saem-me ácidas. Podia viver de laranjas doces. De tangerinas. E clementinas. Na outra casa tinha um terraço branco. No Inverno, sentava-me à chapa do sol, com uma tigela de laranjas. Nunca tapava a cabeça, porque a minha cabeça não precisa de chapéus. Comia laranjas, enquanto o sol furava a teia do casaco, depois a da pele, depois a dos ossos; eu não era feliz, mas ao sol era feliz. Depois enterrava as sementes na terra dos vasos, ao lado das trepadeiras. Na Primavera, nasceram plantinhas de citrinos. Na outra Primavera, já eram arbustos pequenos. Na outra, arbustos maiores. Eu já semeei árvores. Algumas pessoas vieram cá só para comer laranjas e semear árvores. Agora já não tenho essa casa nem esses vasos. As minhas árvores, já não existem.



Foto daqui.

terça-feira, novembro 22, 2005

Faça-se a Luz

Uma mulher, um homem – disparidade em confronto paradoxal, ansiando ligar-se rasteiramente numa mesma paz, num mesmo nome: claridade cega, energia pura.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...