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domingo, agosto 10, 2008

O que eles dizem I


No DN de hoje, página 16: "Morte de rapaz ainda está por explicar".
Um miúdo de 15 anos morreu enquanto jogava no computador. Não se conhecem as causas.

Diz o padrinho: "Sinto-me orgulhoso por saber que o menino passou os últimos minutos de vida a brincar com uma prenda que lhe dei."

sexta-feira, agosto 08, 2008

Filhos de um gajo qualquer


Estava eu a contar-lhe que lera no
El Pais que uma ministra do PP espanhol, com 40 anos, conservadora, mantendo, portanto, posições públicas contra o casamento de homossexuais, contra a dissolução da família tradicional, embora divorciada, se tinha feito inseminar artificialmente com esperma de um gajo qualquer, numa clínica em Barcelona, ou em Madrid, não me lembrava, e que agora era mãe de uma linda criança, só dela.
Respondeu-me que, em 90 por cento dos casos, os nossos filhos são também filhos de um gajo qualquer. E que quando não são, há sempre a hipótese de o amado pai dos nossos filhos se tornar, em poucos anos, num verdadeiro gajo qualquer.
A minha prima afastada é uma mulher muito prática, nada romântica. Já lhe disse que é por isso que os homens têm medo dela. Por este andar, coitada, ainda fica solteirona.

quarta-feira, maio 16, 2007

Comunicado do cão mais famoso do mundo

Hi, my name is Untouchable. Other pets are vacinated and all, like ordinary creatures, but not me, because I'm Mourinho's fur sweetheart.
I belong to a very, veryhandsome and rich man, with a loving family.
If you still don´t know, I inform you that my master is one of the most important men in the world and that he can treinate any team he desires, and if he loses here, he'll win and be rich elsewhere, because he is simply the best, like Tina Turner sings.
Tomorrow, early the morning, you english bastards living in Portugal, be aware of the bells at your doors, because my master already pressionated the portuguese ministry of Allgarve to send men in black to investigate your disgusting pet's vacinating licenses. They mess with my master and who messes with my master risks to iniciate another Mantorras case. At the minimum, understood?!
(Sorry for my doggy english!)



domingo, março 11, 2007

Os filhos dos outros

Sou míope, mas compenso com bom ouvido. Gosto pouco de café, mas ocupo os lugares onde este se consome, umas vezes lendo, outras fingindo, mas pagando sempre pelo comprazimento de escutar e observar os outros. Os portugueses falam baixo, ao contrário dos espanhóis, e da maior parte das culturas de Roma, o que muito me desgosta. Os discursos dos outros fascinam-me. As temáticas, vazios, mas também o vocabulário, os gestos, expressões.
Eis as conclusões que tirei relativamente aos discursos dos pais sobre os respectivos filhos:
- quando dialogam entre si sobre o futuro e educação dos rebentos dizem, "a Maria Francisca isto, o Lourenço Tomás aquilo".

- quando falam com terceiros sobre os prodígios da Maria Francisca ou do Lourenço Tomás afirmam "o meu filho já sabe isto, a minha filha conseguiu aquilo."
Quando os filhos fazem asneira, ou se existe discordância relativamente às suas acções ou pretensões, pais ou as mães dirigem-se mutuamente interpelações com o seguinte teor: "viste a merda que o teu filho fez?!, já sabes que a tua filha quer aumento da semanada?!"


Café Bagdad, Percy Adlon, 1987

sábado, fevereiro 04, 2006

O real e a palavra

A palavra fabrica a realidade. O real existe no silêncio, mas é a palavra que o exprime e torna perceptível. Uma existência privada do usufruto verbal, enquanto emissora ou receptora, não possui acesso a um mundo inteligível. Não o compreende, não pode recebê-lo, não pode devolver o pensamento criando novas realidades.

A palavra é a coisa, mesmo na ausência do objecto. A palavra é a terra. Frutifica, constrói. A palavra é o fogo. Trespassa, esmaga, destrói. Não precisamos de bombas para matar, basta-nos a palavra. Digo “bomba”, e morrem setenta pessoas. A última arma inventada é de todas mais simples, e os custos de produção são nulos: a linguagem verbal.

A este propósito, uma história que contei, há dias, numa caixa de comentários de outro blog: tive, em tempos, na mão esquerda, uma cicatriz que a atravessava na diagonal. Um rasgo escuro sobre a pele. Um salpico de óleo a ferver, enquanto fritava rissóis. Perguntavam-me, com frequência, o que tinha sido. Um dia, farta da enfadonha história real, “estava a fritar rissóis...” resolvi brincar com o assunto, e inventei um contexto que me pareceu inverosímil. Gosto de gente feliz ao meu redor.
“Quando era criança, acompanhando o meu pai numa caçada aos cudos, em Manjacaze, fomos subitamente atacados por um tigre esfomeado, que vigiava a mesma manada. Fui a presa seleccionada, por ser a mais frágil, mas a fera, antes de cair abatida por um tiro de espingarda, alcançou-me, ainda, derrubando-me com uma patada que me rasgou a mão. Esta é a marca!”
Disse isto com ar normal, e sem drama, não me ri. Um humorista não se ri das piadas que conta, ou a anedota não resulta. Quando acabei a história, e pude apreciar o silêncio dos ouvintes, não tive coragem de me desmentir. Não por mim, mas porque seria decepcionante. Admiravam-me.
A partir desse dia tornei-me uma pessoa respeitada. A cicatriz feita pelo óleo quente dos rissóis tornou-me alguém. Eu tinha enfrentado a morte e sobrevivido.
O meu pai foi realmente uma vez, que me lembre, à caça de cudos, perto do Xai-Xai. Não chegou a disparar a arma. Mulheres e crianças ficaram nos carros. Os homens regressaram de mãos vazias. Nunca vi um tigre na vida, a não ser no Jardim Zoológico.
Infelizmente, com o tempo, a mancha desapareceu.



O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...