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domingo, fevereiro 17, 2008

O animal que de verdade sou

Canal Odisseia. A mamã ursa-castanha roubava mel da colmeia que derrubara. As abelhas atacaram-na, pelo que fugiu para junto das crias, com a barriga cheia e uma ou duas picadas no focinho. Os ursinhos brincavam. Quando a mamã chegou, deitou-se de costas, expondo as quatro tetas húmidas, disponíveis. Os três bebés treparam para cima dela e, escarranchados no enorme corpo fofo, chupavam-lhe o leite, enquanto seguravam a saliência da mama e a pressionavam delicadamente, para que corresse mais, para que corresse melhor. Larguei o Público aberto sobre o sofá, e deixei-me estar boquiaberta, os olhos fixos no écran, sequiosa da teta sobrante e do corpo enorme e macio no qual também eu queria escarranchar-me, sem idioma, despida e igual, gozando o doce manto oloroso, para poder ser, de verdade, o animal que de verdade sou.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Toma-me e leva-me

Sou a única mulher de 45 anos que, à sexta-feira, às vezes ao sábado, se abraça aos ursos castanhos das lojas Natura Selection, segredando-lhes telepaticamente, "toma-me para ti e leva-me contigo". Estarem ali tão presos ao chão, imóveis, e terem sido fabricados em material sintético, não muda a autenticidade das minhas intenções.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...