Algo falhou, escrevia Ana Vicente, no DN de ontem, a propósito do crime praticado pelos adolescentes da Oficina de São José.
Algo.
Assim vago. Algo que não lhe diz respeito. Algo, apenas.
Tudo falha, todos os dias, em grande escala.
E a vítima, um homossexual travesti toxicodependente sem-abrigo brasileiro? Não falhou nada? Um homossexual de 45 anos está a viver na rua, onde se droga, dorme e recebe clientes, e aqui não falhou... algo? Tornou-se um alvo fácil por ser homossexual, travesti, toxicodependente, sem-abrigo ou brasileiro? Ou tudo? E era toxicodependente e sem abrigo, por que motivo? Por ser toxicodependente e brasileiro? Ou travesti?
Algo gigantesco falha todos os dias. Para todos. Por culpa de todos.
Algo.
Assim vago. Algo que não lhe diz respeito. Algo, apenas.
Tudo falha, todos os dias, em grande escala.
E a vítima, um homossexual travesti toxicodependente sem-abrigo brasileiro? Não falhou nada? Um homossexual de 45 anos está a viver na rua, onde se droga, dorme e recebe clientes, e aqui não falhou... algo? Tornou-se um alvo fácil por ser homossexual, travesti, toxicodependente, sem-abrigo ou brasileiro? Ou tudo? E era toxicodependente e sem abrigo, por que motivo? Por ser toxicodependente e brasileiro? Ou travesti?
Algo gigantesco falha todos os dias. Para todos. Por culpa de todos.
