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terça-feira, março 07, 2017

A solidariedadezinha

Chegou hoje ao meu conhecimento que o Banco Alimentar contra a Fome, ao saber da existência de um projecto de protecção a animais abandonados, chamado, e bem, Banco Alimentar Animal, resolveu, através de uma dispendiosa sociedade de advogados, impedir a associação animal de usar a designação banco alimentar, como se se tratasse de uma marca na sua posse, acenando-lhes com processo judicial.

Os advogados da Ajuda Alimentar contra a Fome escrevem que:
«A alegada confusão «poderá ofender os milhares de dadores e voluntários do Banco Alimentar Contra a Fome», que podem associar a iniciativa do Banco Alimentar Animal à actividade do Banco Alimentar contra a Fome, «criando ainda a ideia de que a contribuição e ajuda das pessoas mais carenciadas [sic] se poderá equiparar ao apoio a animais, o que não é aceitável».
Tenho de parafrasear a mensagem para perceber bem: a designação Banco Alimentar Animal pode ofender os dadores e voluntários ao levá-los a pensar que a solidariedade animal e humana são equiparáveis, o que é inaceitável. Portanto, não queremos confusões. Ajudamos pessoas, mas não animais. Ajudar animais não dá prestígio, e tanto não dá que até estamos com medo que os nossos doadores se ofendam.
É mais ou menos o mesmo que proibir a existência de um documento intitulado Direitos do Animal porque já existe um outro chamado Direitos da Criança ou do Ser Humano. Pode ofender os seres humanos e as crianças.
Isto aborrece-me, porque em tempos pensei criar um Banco Alimentar da Blogosfera ou mesmo um Banco Alimentar para os Pássaros do Bairro, mas não pretendo levar com um processo da parte de que tem finanças para custear advogados tão ilustres.
Não sei se já aqui escrevi que tenho uma intuição de cão rafeiro, e que falho apenas em 20 por cento dos casos. Se calhar já, e não vos queria maçar outra vez, mas a verdade é que tenho mesmo uma intuição de rafeiro e me engano pouco. Sou como o Cavaco, mas em gordo, e em fêmea, e um bocado mais inteligente. Se me tivessem posto a farejar vestígios de cadáver no caso Maddie, já Kate e Gerry McCann... teriam visto o final ao caso.

Há uns anos que tenho esta coisa contra o Banco Alimentar contra a Fome, e não sei explicar porquê. Nunca me fizeram mal. Escapa a qualquer tentativa de entendimento racional da minha parte. Quem me conhece sabe que sou toda das solidariedades. Mas o Banco Alimentar contra a Fome...
Agora que percebi o formato selectivo da solidariedade que prestam, e como sou um cão muito rafeiro, tornou-se tudo claro de repente: os donativos que tiver a fazer serão encaminhados, doravante, para o Banco Alimentar Animal. Não vou dizer que tenho muita pena. Tenho pena é dos animais cuja referência pode ofender a solidariedadezinha.


quinta-feira, outubro 16, 2008

O preço do frango


No supermercado onde normalmente me abasteço, a carne de frango está a 1,75 euros. Se descontarmos ao preço final os custos de abate e transporte, concluímos que a vida de um frango valerá cerca de 50 cêntimos, ou seja, o preço da bica.
Os humanos dão grande valor às suas vidas, que consideram sem preço, mas se a maior parte das vidas humanas fosse taxável segundo valores realistas, com critérios assentes, por exemplo, na bondade das acções e dos sentimentos ou na capacidade produtiva, facilmente se perceberia que a existência do senhor Luís vale menos que a de uma barata de cozinha. É que não existe mal numa barata de cozinha, enquanto que no senhor Luís...
Desconheço o momento primevo da história da humanidade e do pensamento em que se atribuiu preço a contado à vida não-humana, mas foi um erro; toda a filosofia sobre comércio de animais está errada, e nós vivemos e compactuamos, convictamente, com um mundo profundamente errado.
A utilidade dos animais não reside na possibilidade de se tornarem alimento, como diz o Senhor no Velho Testamento. Os animais não racionais partilham a vida na terra com outros animais, entre os quais estamos nós. Se a racionalidade nos tivesse tornado realmente inteligentes, não os chacinávamos para manter a vida. Porque nenhuma vida consciente se pode manter inteira e limpa baseada na iniquidade. Ter perdido a inocência carrega-nos de uma responsabilidade maior relativamente ao mundo e aos seres que nele habitam. É uma responsabilidade que nos cabe só a nós e que não depende do livre arbítrio. É uma obrigação: aos humanos cabe proteger os seres mais fracos, e não explorá-los, dizimá-los.
No que respeita ao valor da vida, há um ponto em que os ateus e os crentes concordam: tenha ela sido um acaso ou resultado de uma intenção divina, a sua essência contém uma inexplicável "dimensão superior" que pode ser sentida, nomeadamente, através do normal desejo de manter uma vida longa e saudável. Esta "dimensão superior" é comum aos seres humanos e não humanos. É por isso que a vida de um frango não é menos importante que a de uma pessoa, por muito que a marquem a 1,75 euros.

terça-feira, setembro 16, 2008

Os homens não querem cuidar


Não, não é português. É um americano num centro de cuidados paliativos. Ou, se calhar, é gay.


Cães e homens: os meus dois temas preferidos, pelo melhor e pelo pior. Ora vamos lá.
No último poste, alguns leitores lançaram a ideia de que um homem que se interesse por cães é gay. Não é verdade. Mas desenvolvamos a questão: o assunto merece atenção porque já tinha constatado que os homens não têm grande gosto por cães pequenos. Gostam de cães de caça, porque gostam da caça, mas não ficam a chorar o cão ficar perdido no mato enquanto eles regressam a casa com as lebres e as perdizes. Gostam dos chamados cães de poder, os doberman, os buldogues, os pitebuls, etc. Um cão de poder, como já referi, reafirma a masculinidade, ao permitir associações entre a força e agressividade do cão e as seu dono. Tenho cá a ideia que os homens estão para os cães, como para os carros: quanto maior e mais potente ele for, mais importante e viril aparentarei ser, porque a verdade é que não passo de um medíocre mesquinho, e sem força na verga, mas há que disfarçar.
No meu bairro, por exemplo, só vejo rapazes e velhotes a passearem cãezinhos. Não há muitos de 30 nem de 4o. Devem recear parecer amaricados, como dizia o leitor em poste anterior, ou, outra teoria minha, os homens relativamente jovens estão ainda demasiado cheios de si, da importância da sua imagem, de adrenalina e testosterona, e buscando satisfação, para se preocuparem com alguém. Os homens de certa idade são sacos de egoísmo, de egocentrismo e de vacuidade. Isto é científico.
Uma realidade que conheço bem: as associações de protecção a animais juntam menos homens do que mulheres preocupados com acções voluntárias do cuidado ao outro. São na sua maioria constituídas por mulheres. E não apenas as solteironas como eu, as que não têm filhos ou as viúvas e divorciadas, tudo mulherio perdido para o sexo até ver, que se vai entretendo com acções de benfazer. Estão cheias de mulheres casadas, com filhos, netos, trabalhos, absolutamente convictas que mais vale limpar as boxers de 50 cães do que passar uma tarde a aturar os complexos de superioridade dos maridos.
Tudo isto me leva a pensar que os homens, de forma geral, não gostam de cuidar, não querem cuidar, não lhes interessa o sofrimento alheio. Eles são todos "muito bons"! Nunca conheci um que pensasse não ser. E quando se lhes mete na cabeça que, para além de serem muito bons, são também muito idóneos e respeitadores, fazendo tudo como deve ser, aceitando a inevitabilidade da mudança, da vida, ainda pior. Cobardolas, é o que é! Quem os pode aturar! Até eu prefiro limpar as boxes da União Zoófila de fio a pavio, lavando o chão de joelhos com um esfregão encharcado em lexívia.

sábado, julho 15, 2006

O amor é certo

A hetero e homossexuais idealistas e altruístas, solteiras(os) e casadas(os) que queiram adoptar: sim, afinal é fácil adoptar um amor para toda a vida, e já hoje!

Quem vai este fim de semana para os lados de Sesimbra, localidade da Carrasqueira (não confundir com a que pertence ao concelho de Grândola!), pode adoptar cachorrinhos ou gatinhos abandonados ou vítimas de maus tratos.
A
Associação de Protecção aos Animais sem Lar do Concelho de Sesimbra (gostaria muito que visitassem este site!) realiza este fim de semana uma Feira de Adopção de Animais, nessa localidade, junto ao Lidl, ao lado do Plus, em frente ao SuperSol - das 10 às 19 horas.
Se não puder ou não quiser adoptar, mas tiver em casa cobertores velhos, toalhas, edredons, casotas, camas de animais, trelas, coleiras e restos de medicamentos ofereça-os à associação, porque será uma boa ajuda.
Também rações, mas isso já custa dinheiro.



Breve guia para adopção

As minhas três cadelas vieram todas da rua. Uma de cada vez. Abandonadas e em estado lastimável. Recolhi-as, alimentei-as, lavei-as, desparasitei-as, vacinei-as e mandei esterilizá-las.
Não é o caso destes animais para adopção, os quais já foram devidamente tratados antes de poderem ser adoptados.

Se pensam adoptar um animal creiam que, tal como um filho, é para cuidar responsavelmente toda a vida.
Não dá tanto trabalho como uma criança, nem pouco mais ou menos, mas as consultas no veterinário custam dinheiro, bem como as vacinas, os medicamentos para desparasitação interna e externa, rações, etc.
Levá-los à rua, quando está muito calor, muito frio, ou a chover, é um frete indescritível.
Outro senão: um animal dentro de um apartamento suja bastante, porque vem da rua com as patas sujas, porque lhe cai pêlo, porque aproveita todas as oportunidades para ir roubar coisas ao caixote do lixo. O aspirador é o electrodoméstico mais usado, de preferência diariamente.
Um animal novinho faz muitas asneiras: xi-xi por todo o lado, ao início; rói óculos, sapatos, telemóveis e respectivos carregadores; não distingue entre um osso e o pé da mesa. Portanto, quando se pensa adoptar um animal, tal como quando se pensa ter filhos, convém estar consciente de todas estas desvantagens que nos deixam bastas vezes furiosos.
Quem adopta um animal de companhia deve também pensar que nenhum animal doméstico é 100% doméstico. O cão continua a ser lobo; mantém comportamentos da espécie; tal como os gatos continuam a ser linces. E isso é interessante para compreender todo um vasto mundo idiossincrático que nos custa a entender.
Portanto, um cão e um gato querem companhia, mas também precisam de correr - não servem para ficar fechados em varandas ou todo o dia em casa, sozinhos.
Cocós: têm de ser todos apanhados dos passeios, obrigatoriamente. Se na zona onde vivem não há distribuidores públicos de sacos próprios para recolha, convém fazer stock dos que se trazem dos supermercados, etc.
Contudo... as vantagens são em maior número. Mas eu prefiro que saibam o que dói.

Línques para outras associações de animais que precisam de ajuda:

- SOS Animal
- Animal
- Pelos Animais
- Os Amigos dos Animais de Almada

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...