Chegou hoje ao meu conhecimento que o Banco Alimentar contra a Fome, ao saber da existência de um projecto de protecção a animais abandonados, chamado, e bem, Banco Alimentar Animal, resolveu, através de uma dispendiosa sociedade de advogados, impedir a associação animal de usar a designação banco alimentar, como se se tratasse de uma marca na sua posse, acenando-lhes com processo judicial.
Há uns anos que tenho esta coisa contra o Banco Alimentar contra a Fome, e não sei explicar porquê. Nunca me fizeram mal. Escapa a qualquer tentativa de entendimento racional da minha parte. Quem me conhece sabe que sou toda das solidariedades. Mas o Banco Alimentar contra a Fome...
Agora que percebi o formato selectivo da solidariedade que prestam, e como sou um cão muito rafeiro, tornou-se tudo claro de repente: os donativos que tiver a fazer serão encaminhados, doravante, para o Banco Alimentar Animal. Não vou dizer que tenho muita pena. Tenho pena é dos animais cuja referência pode ofender a solidariedadezinha.
Os advogados da Ajuda Alimentar contra a Fome escrevem que:
«A alegada confusão «poderá ofender os milhares de dadores e voluntários do Banco Alimentar Contra a Fome», que podem associar a iniciativa do Banco Alimentar Animal à actividade do Banco Alimentar contra a Fome, «criando ainda a ideia de que a contribuição e ajuda das pessoas mais carenciadas [sic] se poderá equiparar ao apoio a animais, o que não é aceitável».
Tenho de parafrasear a mensagem para perceber bem: a designação Banco Alimentar Animal pode ofender os dadores e voluntários ao levá-los a pensar que a solidariedade animal e humana são equiparáveis, o que é inaceitável. Portanto, não queremos confusões. Ajudamos pessoas, mas não animais. Ajudar animais não dá prestígio, e tanto não dá que até estamos com medo que os nossos doadores se ofendam.
É mais ou menos o mesmo que proibir a existência de um documento intitulado Direitos do Animal porque já existe um outro chamado Direitos da Criança ou do Ser Humano. Pode ofender os seres humanos e as crianças.
Isto aborrece-me, porque em tempos pensei criar um Banco Alimentar da Blogosfera ou mesmo um Banco Alimentar para os Pássaros do Bairro, mas não pretendo levar com um processo da parte de que tem finanças para custear advogados tão ilustres.
Não sei se já aqui escrevi que tenho uma intuição de cão rafeiro, e que falho apenas em 20 por cento dos casos. Se calhar já, e não vos queria maçar outra vez, mas a verdade é que tenho mesmo uma intuição de rafeiro e me engano pouco. Sou como o Cavaco, mas em gordo, e em fêmea, e um bocado mais inteligente. Se me tivessem posto a farejar vestígios de cadáver no caso Maddie, já Kate e Gerry McCann... teriam visto o final ao caso.Há uns anos que tenho esta coisa contra o Banco Alimentar contra a Fome, e não sei explicar porquê. Nunca me fizeram mal. Escapa a qualquer tentativa de entendimento racional da minha parte. Quem me conhece sabe que sou toda das solidariedades. Mas o Banco Alimentar contra a Fome...
Agora que percebi o formato selectivo da solidariedade que prestam, e como sou um cão muito rafeiro, tornou-se tudo claro de repente: os donativos que tiver a fazer serão encaminhados, doravante, para o Banco Alimentar Animal. Não vou dizer que tenho muita pena. Tenho pena é dos animais cuja referência pode ofender a solidariedadezinha.

