Mostrar mensagens com a etiqueta Sarkozy. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Sarkozy. Mostrar todas as mensagens

domingo, julho 06, 2008

Ingrid e os media



Estamos todos de acordo relativamente à boa nova que constituiu a libertação de uma série de reféns em poder das FARC. Imagino o calvário que será para os que ficaram ainda aprisionados. De que medidas de retaliação terão sido alvo devido à fuga deste grupo? Onde estarão, e em que condições, neste momento?

Falo do assunto porque, no meio de todo este barulho, há algo que me incomoda. Primeiro, no meio de todos reféns chegados, fala-se e filma-se sobretudo a antiga candidata presidencial colombiana, Ingrid Betancourt. Ingrid Betancourt tranforma-se, assim, de mártir às portas da morte, em estrela mediática que descreve o seu dia-a-dia perante as câmaras.
Segundo, o presidente Sarkozi vai retirando dividendos políticos da libertação: beija-a respeitosamente, em exuberante campanha de marquetingue da sua pessoa, escuta-a reverencialmente, enquanto a doce Carla Bruni se arrepia, de mão na cara, cada vez que Ingrid fala na experiência da selva: os picos, as pulgas, as carraças, as tarântulas, e o resto da bicharada... Depois, no hotel, o filho de Betancourt apaga-lhe a luz do wc, sem querer, e ela declara ter pensado estar de novo em poder das FARC. Não sei, não sei, não quero ser injusta, mas acho que nesta altura esperaria mais contenção mediática da parte de uma pessoa que sofreu experiências tão traumatizantes.

sábado, janeiro 26, 2008

O vendilhão da França

Sarkozy e Carla Bruni em Gizé, Cairo, nos último dias de 2007


Não me interessa a vida privada de Sarkozy. Se gosta de falar de rabos, como li hoje na Imprensa, e contar anedotas picantes, qual o número que calça, se usa cuecas especiais, quantas vezes traiu Cécilia, ou ela a ele, quando casará com Carla Bruni ou se já casou, se lhe tremem as veias da testa por vinho italiano, quanto vezes esteve no Algarve ou se julga ser Napoleão Bonaparte nos momentos de delírio privado. Não quero saber.
As figuras públicas de Estado têm todo o direito às suas idiossincracias, mas a excessiva exposição torna-as ridículas, cómicas, intoleráveis. Como é que aqueles que me aumentam o tempo para a reforma, me roubam o hospital e o centro de saúde podem ter a lata de gozar férias de luxo no Egipto, nas minhas barbas, acompanhados de namoradas-modelos, sorrindo, usando festinhas nos respectivos dorsos?! Não quero nem ver. Com que cara me vêm pedir sacrifícios?
Pelo menos, José Sócrates tem o bom-senso de não se passear com a namorada junto às pirâmides de Gizé, ou em Petra, sob uma chuva de fotógrafos. Se se atrevesse a passar um fim-de-semana romântico, que fosse, de mãos dadas, na Serra da Estrela, haveríamos de o gozar alarvemente. Havia de ser certinho.
Ora, os conselheiros de imagem de Sarkozy não pensam assim. E isto porque o actual namoro do presidente francês não visa melhorar-lhe aleatoriamente a imagem, mas distrair a atenção dos meios de comunicação franceses e internacionais das medidas políticas que pretende aprovar em França, as quais inveja ao seu homólogo português, cuja coragem política muito admira.
Reclama Sarkozy, perante as críticas, que não chamou os fotógrafos durante a visita que realizou com Bruni, na véspera de Ano Novo, ao Cairo, bem como nas que a antecederam e precederam. Não terá chamado ele, posso crer, mas os jornalistas serviram bem os seus interesses, e por isso não foram enxotados nem mantidos à distância, o que as fotos comprovam. Se Sarkozy não estivesse interessado na sua presença teria poupado nas poses, a visita não teria acontecido ao pôr-do-sol, essa hora mágica para as lentes das câmaras, e a proximidade estabelecida seria outra, bem como, em consequência, a qualidade da imagem.
As fotos publicadas em todo o mundo não jogam apenas a masculinidade do presidente junto do eleitorado, ao pretender ser visto e imaginado privadamente com o troféu desejado, mas a serenidade com que se pretende que os franceses encarem o que se seguirá. A sorridente Bruni está ali para amaciar vozes. Providencialmente, declara-se de esquerda. Que cereja em cima do bolo! Sarkozy é, afinal, um presidente sensível, apaixonado, romântico. Melhor, aberto, dialogante. E um homem com eles no sítio, ideia que convém fixar desde que Cécilia abandonou o barco. A política poderia ser uma actividade nobre, mas, infelizmente, não passa disto: marketing sem lei.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...