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domingo, setembro 09, 2007

Aos jornalistas interessados em questões de género


Como detesto notícias sobre mulheres que singraram em "mundos tradicionalmente masculinos", mantendo-se, apesar de tudo, femininas num mundo de homens e máquinas! É um destaque que as singulariza negativamente, que faz dela seres excepcionais, invulgares, procurando-se, embora, justificar a alegada excepcionalidade, ao acrescentar informação sobre a manutenção dos hábitos feminis: roupa, acessórios, maquilhagem. Por outras palavras, exercem num mundo de homens, mas, sosseguem as hostes, não são homens.
Objectivamente, parece que os profissionais de informação estão a fazer grande coisa pela política da igualdade de género, mas, subjectivamente, o que o nosso cérebro compreende é exactamente o contrário; tal
tratamento de excepção continua a veicular, entre-linhas, a mensagem do que "não é normal". Contraproducente.
O que eu e as outras mulheres pretendemos é que mecânicas, canalizadoras e ladrilhadoras deixem de ser notícia, embora nos interesse continuar a vê-las integradas em reportagens ordinárias sobre o mundo do trabalho.
Isso, sim, seria uma bela ajuda. Isso, sim, seria avançar.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Isto é uma espécie de humor negro?!

Acabo por fazer uma segunda leitura aos jornais no momento em que os folheio para deitar fora; procuro alguma coisa que valha a pena recortar e guardar ou scanar, e eis que, ocasionalmente, reparo numa legenda, num subtítulo, e leio.
Hoje, exactamente neste contexto, aconteceu-me ler uma reportagem má, muito má, mesmo. O lead era um esfregão de lugares comuns e desinformação; as legendas continham afirmações tão precisas como "Um pinhal é um pinhal. Dispensa palavras"; a reportagem abria com uma frase curtíssima, na qual os dois vocábulos essenciais para compreender a realidade evocada se encontravam numa língua bastante estrangeira, sem se esclarecer o seu significado, onde quer que fosse.
Verifiquei quem tinha sido o profissional responsável por tamanha alarvice, pensando para mim, "mas pagam para se escreverem merdas destas?!", e preparava-me para compor aqui um poste a malhar forte e feio. A malhar bem, porque este início de velhice anda a deixar-me sem paciência; porque quem não sabe fazer bolos, por muito que goste deles, não deve meter a mão na massa: dá mau nome à doçaria. Há para aí muito outro trabalho para fazer! A filha da minha manicure, por exemplo, veio de Kiev a semana passada, não sabe Português, e está a trabalhar desde quarta no Almada Fórum, em atendimento ao público, com contrato assinado! Não minto.
Infelizmente, quanto ao malhanço, não posso! Dez segundos antes de iniciar este texto, ocorreu-me inserir o nome do jornalista no Google, ao menos para lhe ver a cara antes, e descubro que a referida pessoa... morreu. O raio do jornal nem era antigo nem nada. Mas morreu, pronto. Escreveu aquela merda, que não deixa de ser uma merda por ter morrido, e morreu. E eu, claro, já não posso malhar, porque nos mortos não se mexe.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...