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quinta-feira, janeiro 03, 2008

Os fumadores são nossos amigos

Na fábrica onde trabalho sempre houve uma sala de fumo. Nos intervalos entre empreitadas, os meus colegas fumadores saíam à pressa da linha de montagem e enfiavam-se lá dentro, fumando os cigarritos do seu prazer. Não incomodavam ninguém.
Ontem, a sala foi fechada. Agora, os meus colegas fumadores vão à rua. Obviamente, acabar com uma sala de fumo onde ela já existia é ridículo e não serve ninguém.

E que tal mascar tabaco?

Um amigo sueco é grande viciado em snus - tabaco sueco para chupar. Traz consigo duas caixas, sempre: uma com saquetas semelhantes às da imagem, que vai entalando nos maxilares, e outra onde coloca as que consumiu, porque não lhe passa pela cabeça atirá-las para o chão.


Não me incomoda que as pessoas bebam até cair ou inalem coca, desde que, naturalmente, curem as suas nódoas negras e acarretem sozinhas as vantagens e desvantagens dos seus vícios. Também não me importa que produzam quilos de lixo, desde que não o atirem para o chão, reservando-o para os contentores próprios. A mim, confesso, custa-me um bocado apanhar as poias das cadelas que passeio lá fora, e o acto tira-me alguma classe momentânea, pelo menos aos olhos dos outros transeuntes, mas vergo a espinha e recolho-a em pequenos sacos que atiro para o primeiro caixote do lixo. É a minha obrigação enquanto cidadã. É assim que tem de ser, porque a minha liberdade individual não deve restringir as liberdades dos outros.

Quem vive em sociedade tem de compatibilizar as suas liberdades com as dos demais. Trata-se de um elementar exercício de cidadania.
O que vinha acontecendo até hoje é que os fumadores gozavam de direitos especiais. Vivíamos, sim, o fundamentalismo dos fumadores. Um mundo de pernas abertas para eles. A permissão do fumo em espaços fechados e públicos tem sido o equivalente a roer as unhas no café, e, a seguir, cuspir os despojos para a mesa ao lado. O que acharia o senhor Antunes, a beber a sua meia de leite, ou não, enquanto lê o calmo jornal, se eu, na mesa contígua, me lembrasse de lhe atirar para cima meia dúzia de lascas de unha? Eu bem sei que os fumadores sentem que estão a ser perseguidos, que são vítimas de uma terrível injustiça, remetidos para um terrível gueto de exclusão, etc., etc. , mas a coisa é simples: não têm razão. Nunca tiveram. Ninguém lhes nega o direito a fumar, têm é de guardar para si o seu vício ou o seu hobby, como quer que o encarem. O grande problema é que até ontem aquilo que os fumadores consideravam a sua liberdade, tratava-se apenas do seu conforto, em detrimento do dos que partilham consigo o espaço social. O conforto dos fumadores tem sido a prisão dos outros, o gueto dos outros.

Quando estou a beber o meu café, a minha presença apenas incomoda o outro na medida em que não goste do meu aspecto ou do que me ouve dizer. Não ajo de forma a prejudicar a integridade de ninguém, mas os fumadores tem agido de forma a prejudicar-me com o fumo que produzem, o qual me afecta do ponto de vista físico e imediato. Lamento ver-me obrigada a recordar isto aos eminentes poetas, escritores e pensadores que lêem O Mundo Perfeito, mas o exercício democrático do direito a fumar colide com o exercício democrático do direito a não fumar. Considerando que o natural é não fumar, por se tratar o consumo de tabaco de um comportamento desnecessário à vida, portanto acessório, sobretudo perante a urgência de que se reveste o acto de respirar, é da mais elementar justiça que os fumadores se adaptem a um espaço que não é só deles mas de todos. Se isto lhes custa muito, paciência. É assim que deve ser.

Soluções? E que tal mascar folhas de tabaco?

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...