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quarta-feira, maio 16, 2007

Comunicado do cão mais famoso do mundo

Hi, my name is Untouchable. Other pets are vacinated and all, like ordinary creatures, but not me, because I'm Mourinho's fur sweetheart.
I belong to a very, veryhandsome and rich man, with a loving family.
If you still don´t know, I inform you that my master is one of the most important men in the world and that he can treinate any team he desires, and if he loses here, he'll win and be rich elsewhere, because he is simply the best, like Tina Turner sings.
Tomorrow, early the morning, you english bastards living in Portugal, be aware of the bells at your doors, because my master already pressionated the portuguese ministry of Allgarve to send men in black to investigate your disgusting pet's vacinating licenses. They mess with my master and who messes with my master risks to iniciate another Mantorras case. At the minimum, understood?!
(Sorry for my doggy english!)



domingo, janeiro 21, 2007

É que os portugueses adoram o chicote!


Não me surpreende nada que Salazar esteja entre as dez figuras nacionais que os portugueses mais amam! Não têm conto as vezes que ouço, pelo País fora, nas mais diversas classes sociais e culturais - não é um discurso exclusivo de motorista de táxi -, que "isto precisava era de um Salazar", que "Salazar até dava voltas no túmulo se soubesse o ponto a que chegámos".
É natural que o portuguesinho, que gosta de ser ordenado, de ter medo, de falar mesquinhamente nas costas, de se sentir desgraçadinho, nada fazendo para mudar o fatum, porque foi educado na tal Grande Ordem em que um Grande Pai se responsabilizava por todas as decisões, tomando as rédeas da Grande Casa, gerindo-a de acordo com os seus desígnios, que, mesmo se não se compreendessem, haviam de ser os melhores, porque os pais querem sempre o nosso bem, não conheça outra forma de ver, pensar e respirar.
Os portugueses estão chateados com a Democracia, e é natural! A Democracia dá trabalho. Exige participação. Uma pessoa tem de lavar-se, vestir-se, sair de casa e pronunciar-se, e o portuguesinho quer o trabalho feito, mesmo que não seja à sua vontade, porque pode sempre entreter-se com lamentações, cortando na casaca do Grande Pai às escondidas. De maneira que não se saiba que ele discorda. Para não vir a ser prejudicado se as coisas mudarem... diga-se baixinho!
Se Salazar estivesse vivo, e no exílio, alguém o faria regressar, e haviam de votar nele nas próximas eleições legislativas. Melhor, já lá estava. Mesmo morto, os Portugueses continuam à sua procura noutras figuras paternais de cara fechada, sérias, teimosas como Ferreira Leite, Maria de Lurdes, Portas.
Os portugueses carecem desse Pai inflexível com o cavalo-marinho pendurado atrás da porta, omnipresente. Sentem-lhe a falta. O orgulho com que narram as cargas de pancada que apanhavam em pequenos, com o cinto, ou à chicotada! Até se regalam de contar tais histórias. Riem-se à boca larga. Grandes tempos! E quando andavam cheios de fome a roubar fruta nos pomares dos vizinhos, e eram corridos a tiro de caçadeira?! Ah, que saudades! Esses tempos maravilhosos em que aos sete eram postos a aprender um ofício, e entregavam o mísero ganho em casa! Ah, e quando se dividia uma sardinha por três! Isso sim! Outra época!

Porque "Salazar não deixava que houvesse miséria". Porque "Salazar recolhia as raparigas pobres e dava-lhes educação, e não era esta pouca vergonha". Porque "Salazar não queria ninguém descalço!" Porque "Salazar era um homem sábio, casto, poupado e dedicado ao seu labor, que nunca roubou um tostão um povo".
Se eu tivesse nascido há uns dez, vinte anos, ainda corria o risco de pensar que Salazar tinha sido um doutor santo, como o doutor Sousa Martins, que eu nem sei se está na lista dos portugueses mais importantes.

domingo, janeiro 14, 2007

Varões sem colhões

Padrão dos Descobrimentos, Belém, Lisboa

Não sei por onde andei nos últimos anos, não dei conta do que se passou à minha volta; sinto, de repente, que acordei numa outra era, a do ranking, e raios me partam se isto não me cheira tudo a estado-novismo!

O Diário de Notícias estabeleceu o ranking do português mais importante, e venceu Luís de Camões. Não tenho nada contra. Qualquer um servia, excepto D. Afonso Henriques, não só por não ser português, como por ter dado início a um processo político lamentável, cujas consequências todos sofremos, quase mil anos depois. Por acaso até ficou em segundo lugar, perceba-se, caso seja perceptível!

Mas sobre Luís de Camões, enquanto português mais importante, algo há a dizer. O artista era bom artista, sim senhor. A lírica é maravilhosa; oh, quem não conhece o fogo que arde sem se ver! Mas, caros colunistas permanentes do Diário de Notícias, Os Lusíadas, digo-vos na melhor das fés, é secante! Já li uma meia dúzia de excertos da obra, para aí umas vinte vezes cada, e quanto mais leio...menos gosto! Nenhum, entre vós, pode ter votado em Camões pel' Os Lusíadas! Seria insano! Que tenham votado por ser o zarolho mais famoso, ainda vá! Toda a gente sabe que Os Lusíadas foi tipo uma de tese de doutoramento, a ver se subia na carreira, que Camões defendeu diante de D. Sebastião, que obviamente não percebeu patavina, e, não percebendo, a julgou de elevado valor, porque em Portugal se valoriza tudo o que é chato e incompreensível. Camões tem uns artigos mais pequenos que são muito mais giros!
Os Lusíadas é texto ilegível, sem notas de rodapé, as quais, neste caso, faziam falta; urge traduzir aquilo para português, trabalho de que poderia ocupar-se algum dos nossos mais insignes tradutores de grandes clássicos, como Frederico Lourenço ou Vasco Graça Moura. É que, até lá, é impossível lê-la, a não ser com os melhores intuitos sadomasoquistas. Se ainda não se vendem exemplares de Os Lusíadas nas lojas de quinquilharia boundage, aconselho vivamente. Dói mais que pendurar chumbos nos testículos, presos por anzóis, todos em cascata.
Logo no primeiro canto, primeira estrofe, é urgente traduzir os vocábulos e expressões “armas”, “barões assinalados”, “Ocidental praia Lusitana”, “Taprobana”, “Novo Reino” e “sublimaram”. Se Os Lusíadas estivesse, efectivamente, escrito em Português uma pessoa não sentiria a obrigação de explicar ao senhor Zé, “homem, olhe que essas armas não são, objectivamente, apenas armas, e os barões assinalados não pertencem necessariamente à nobreza”.
Para além do mais, Camões dava erros ortográficos grosseiros; atentemos na seguinte estrofe, colhida ao acaso num canto da obra, um qualquer, acho que foi o décimo-segundo. “Dá a terra Lusitana Cipiões,/ Césares, Alexandres e dá Augustos;/Mas não lhe dá, contudo, aqueles dões/ Cuja falta os faz duros e robustos./ Octávio, entre as maiores opressões/compunha versos doutos e venustos;/Não dirá Fúlvia, certo, que é mentira,/ Quando a deixava António por Glafira.
Mesmo fazendo por ignorar o erro na grafia do plural, meu Deus, que referências chatas de morte! Meu Deus, como tudo isto se assemelha a um dicionário de nomes próprios, dos que os futuros papás compram para escolher os nomes dos futuros bebés! E, meu Deus, terei eu percebido o narrador afirmar que a terra Lusitana produz varões sem colhões?! Vocábulo que já existia à época, o qual Camões poderia ter seleccionado enquanto rima, desobrigando o aviltamento ortográfico da obra?! E dá-se um texto destes na escola?! Que exemplo é este?! E obrigam-se crianças que comunicam segundo códigos do novo milénio, como por exemplo, “oi td bm. taum ja n dxs nd? ve xe aprxs pr ka Bjks Adrt Rspd” a ler esta estucha?!
E pergunto eu, retoricamente, foram os varões molezinhos, os varões sem dões, digo, colhões que elegeram Camões como o português mais importante? E progrediram o suficiente na leitura da obra completa para ter chegado a esta estrofezinha?! Leram mesmo a estuchazinha?!


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...