
Licenciei-me em Comunicação Social, trabalho em part-time no atendimento de uma empresa de telecomunicações, e, para me distrair, criei um blogue muito giro onde escrevo manifestos sobre a liberdade sexual das mulheres do sexo XXI, e as vantagens terapêuticas do sexo anal, do bondage, e isso. Para além do mais, sou casada, e adoro sexo, mas o meu marido, que é professor de Filosofia numa escola de Sacavém, e traz quilos de testes para corrigir, acaba por não ter tempo para me satisfazer como gosto, ou seja, imenso à bruta. Há uns meses fiz-lhe um ultimato, e atirei-lhe: "Toni, desculpa, mas não pode ser: não quero ficar ressabiada como a Isabela; sabes bem que preciso de, pelos menos, tipo... um, dois orgasmos por dia; portanto, se não podes, vou buscá-los onde existem: passo a prostituir-me para gozar. Porque quero gozar, gozar doidamente, aqui, acolá, e mais adiante, e ninguém tem nada a ver com isso. Aproveito e ganho mais qualquer coisa para a gasolina e o cartão de crédito, livre de impostos. Junto o útil ao agradável".
Respondeu-me ele, levantando os olhos de um trabalho sobre Descartes, integralmente copiada da internet, "fazes bem, querida; antes das férias do Natal, não só não tenho tempo para ti, como nem pensar em levar-te ao clube de swing. A prostituição não tem mal nenhum, e, se eles te chamarem puta, pelo menos sabes que não é do entusiasmo da função. Entretens-te. Se gostas... Por mim... Tu é que sabes... Eu, para dizer a verdade, tenho é medo que te enchas de celulite estando parte do dia sentada no call center; e esquece a ideia de te inscreveres para as limpezas do Almada Fórum. Sabes bem que a lixívia te descasca a pele toda, para além de que espirras com o cheiro dos detergentes. Pede a carrinha emprestada à minha irmã, que ela agora já só trabalha no Passerele, e não te esqueças de levar rolos do papel de cozinha e toalhetes refrescantes."
Respondeu-me ele, levantando os olhos de um trabalho sobre Descartes, integralmente copiada da internet, "fazes bem, querida; antes das férias do Natal, não só não tenho tempo para ti, como nem pensar em levar-te ao clube de swing. A prostituição não tem mal nenhum, e, se eles te chamarem puta, pelo menos sabes que não é do entusiasmo da função. Entretens-te. Se gostas... Por mim... Tu é que sabes... Eu, para dizer a verdade, tenho é medo que te enchas de celulite estando parte do dia sentada no call center; e esquece a ideia de te inscreveres para as limpezas do Almada Fórum. Sabes bem que a lixívia te descasca a pele toda, para além de que espirras com o cheiro dos detergentes. Pede a carrinha emprestada à minha irmã, que ela agora já só trabalha no Passerele, e não te esqueças de levar rolos do papel de cozinha e toalhetes refrescantes."
