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terça-feira, fevereiro 10, 2009

Da moral


Ah, e também houve aquela vez, para aí em 1976/77, assim ao final do dia, depois de sair da escola, na papelaria ao lado da estação dos autocarros, em Alcobaça, em que roubei um postal com o pôr-do-sol para mandar aos meus pais, que por acaso detestavam postais com o pôr-do-sol.
Não é que precisasse do postal, mas todas as minhas colegas roubavam pequenos objectos do balcão, e muito embora considerasse tudo aquilo baixo demais para os meus padrões, caramba, era fácil, e eu queria experimentar. E um dia, zupt, surripiei o tal postal do expositor, meti-o no caderno, ou no bolso e, pronto, nunca mais me esqueci, tenho que viver com isto, completamente impossibilitada de dizer em voz alta, eu cá nunca roubei nada. Lá vem a maldita da recordação. E um postal que não devia custar mais de 5 tostões! Honestamente, se estava na fase das experiências, mais valia ter-me dado para o charro.


segunda-feira, abril 16, 2007

De Fornos de Algodres para Miami na maior das calmas


Desde que a vítima não seja eu, acho piada aos ladrões. Qualquer aventureiro disposto a assaltar entidades abastadas, sobretudo as que conseguiram as respectivas fortunas roubando e explorando, excita a minha simpatia, satisfazendo o meu mais secreto desejo de justiça e vingança.
Alguns ladrões fascinam-me. Admiro a coragem do golpe, a inteligência dos planos. A arte, mais livre que a ciência e a vida quotidiana, tem explorado esta tendência emocional para valorizar aquele que, roubando, equilibra ilegalmente a balança do muito e do pouco. Gosto de ladrões de jóias e de bancos, em grande, criativos, que estudam os golpes, que delineiam planos ao milímetro, escapando à segurança máxima. Gosto de ladrões com sorte. Que artistas!
Noutra ordem de importância, acho graça aos que assaltam bancos com pistolas de esguicho de água, arriscando-se incompreensivelmente. Tal capacidade de se atirarem para a frente, parando só quando dói, maravilha-me, diverte-me.
Inversamente, merece-me desprezo a gatunagem encoberta dos viciados, caloteiros e corruptos - escroquezitos impotentes, sem nobreza nem arte nem circo. Ladroagem desesperada e sem brio.
Não será esse o caso de Paulo Almeida, que se tornou, há semanas, um herói pícaro português. Paulo saiu de Fornos de Algodres, apanhou voo para os Estados Unidos, e, no dia seguinte, com bigode aparado e serviço roaming activado, assaltava um banco em Miami, na maior das calmas, sem armas, conhecedor de duas únicas expressões em língua inglesa: cámone e tanquiu.
Eu gostava que Paulinho fosse um ladrão a sério. Mas não me parece. Paulinho foi enganado. Que pena! Assaltar um banco na América seria um sonho!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...