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domingo, maio 27, 2007

Palhaços da vida real


Quando era pequena, os palhaços faziam-me rir, porque eram mais inocentes que eu. Caíam, e enganavam-se como as criancinhas. Portavam-se mal. O palhaço pobre desobedecia ao palhaço rico, tentava enganá-lo.
Os palhaços divertiam-me; eram um reduto de pureza mais pura que eu. Mas era teatro, a seguir tiravam os narizes, os chapéus e sapatões rasgados, e voltavam a ser homens iguais ao meu pai, ou a outros. Era mentira. Eu sabia. Era uma mentira que me fazia bem.

Os palhaços que me fazem rir, hoje, são palhaços todos os dias, em público ou em privado. São todos ricos, querem ser mais ricos, sobretudo mais famosos, e detestam o palhaço pobre, o piroso andrajoso, que desprezam. Não imitam a inocência, porque não a conhecem. São apenas ridículos. Gente mutante de gente. Não lhes chamamos palhaços, dizemos "aquele cromo". Rimos, mas é um riso com travo amargo. No fundo, gozamos: e o gozo amarga no fim. Aquilo é a vida, não a mentira que se despe quando acaba o espectáculo, e essa verdade é de um realismo quase insuportável.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Procurar; não resistir

O que me fascina no palhaço, enquanto símbolo, não é o facto de ter de subir ao palco, e fazer rir, porque the show must go on, no mesmo dia em que lhe morre a mãe, o bairro arde, o cancro lavra no pâncreas por mais duas horas apenas, e puf!; o que me fascina no palhaço é ser incapaz de não ir, incapaz de não rir, e fazer rir, mesmo que pudesse.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...