
Um filme sobre lésbicas é para mim tão escandaloso como a sopa de nabo e cenoura que acabei de engolir - cerca de meio litro!
Ainda nadava na placenta da minha mãe e posso dizer que já tinha estado dentro de uma mulher, onde gemi, mexi a boca e os dedos das mãos e os pés. E gostei, e mantive-me disposta a repetir.
Portanto, para mim, um filme sobre lésbicas será um no qual mulheres que trabalham na nossa empresa, que são da nossa família ou amigas, que se sentam ao nosso lado nos consultórios, e nos transportes, se relacionam como quaisquer pessoas. E depois, de vez em quando, ala para a cama. Mas não estou a ver que passem a vida a esfregar-se contra os azulejos da casa-de-banho do café lá de baixo. As que eu conheço não são assim.
Eu às vezes não sou lésbica; mas às vezes sou, e às vezes tenho cá uma vontade que nem vos digo. E talento.
Agora, quanto à série que aqui me traz, a que passa na 2 a partir das não-sei-quê, e que apresenta bolinha vermelha, e que verdadeiramente mantenho sem som, enquanto vou lendo e escrevendo textos para outra freguesia, pergunto-me porque motivo se intitula A Letra L.
L de lésbica? Não percebo. Só há Lésbicas?! O assunto é só aquele, mais nada?! Séries de lésbicas cuja única ocupação seja foder?
Sim, vejo que fazem pouco mais que... mas podia ser igualmente um A, um B, F, H, I, M ou W, O, K ou R, S, U, X, porque são letras igualmente lésbico-expressivas, ou não?!
Meu Deus, a expressividade da letra B e de um X, no sexo lésbico!
Na série, observo mulheres fazendo amor deitadas, em pé, rebolando-se embrulhadas, esticadas, abrindo-se, fechando-se, dobrando-se. Sempre que tiro os olhos dos relatórios e olho para o écran, há alguém em cima de alguém, entusiasmadíssimo, uma perna no ar, uma mama de lado, uma espalmada noutra... enfim, não tenho nada contra, juro mesmo, só inveja, mas... não fazem mais nada, não lêem relatórios como eu?! Não trabalham?! Ser lésbica é só foder, trocar de parceira, arranjar relações geométricas descritivamente mirabolantes? É que também quero! Quero já, digam-me por favor onde me inscrevo, onde assino por baixo?
A partir de hoje quero ser lésbica.
Sou lésbica, volto assim às origens, e não se fala mais nisso.
Ontem, olhei, e estavam umas a foder contra o vidro do tanque principal do Oceanário, com as sardinhas a passar em cardume, ao fundo, e fiquei preocupada com aquilo. E se o vidro se parte? Gastou-se muito dinheiro com o Oceanário, meus amigos, não é para estragar e matar peixinhos!
E pior, pus-me a olhar, e pareceu-me que a mulher de costas, uma que estava a esmagar uma doce menina contra o vidro do Oceanário, coitadinha, era muito, muito masculina; mas eu sou tão míope, e então pus-me a olhar um bocado melhor, porque aquela cena nunca mais acabava - também passaram os tubarões, e as raias, e os peixes-espada, deu para ver a fauna piscícola quase toda! - e descubro, muito de relance, que a mulher masculina era um homem!
Um homem?! Então mas as lésbicas fazem-no com homens?
Se querem que assine, vamos lá ver, ou sou lésbica ou durmo com homens, vamos lá a ver... agora as duas coisas...
Isto é que deve ser o fim do mundo como dizia a minha avózinha de quem nunca vos falei, a que me ensinou, mas eu esqueci, a história do meio-pinto.
Enfin (leia-se à francesa)!
(Postei imagem de umas meninas todas bronzeadas, e ao molho, embora não veja nada na caixa de edição nem no blogue - continua a trabalhar-se às cegas, por aqui! Valha-nos o texto!)