Mostrar mensagens com a etiqueta lésbicas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta lésbicas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 19, 2008

As lesbianas


As habitantes da ilha de Lesbos interpuseram um processo contra uma associação grega de homossexuais: não permitem que as raparigas que apreciam raparigas se designem como lesbianas. Lesbianas são as mulheres originárias da ilha de Lesbos, e umas são sáficas, outras não. É isto que pretendem as lesbianas que não são lesbianas, mas da ilha de Lesbos.
Não sei que atitude vão tomar, a seguir, os Virgens de signo, por me parecer que causa muita confusão uma pessoa andar por aí a dizer, aos 40 anos, sou Virgem. O valor de mercado da pessoa em questão desce muito, porque se desconfia da identidade e capacidade sexual da criatura, o que nos dias de hoje não é nada cool.
Eu cá, quando um Virgem me diz que é Virgem, bem vejo o largo sorriso com que acompanha a afirmação, e fico a pensar, olha que se calhar, estás aí a rir-te todo e... és mesmo.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Bué d'amigas



"Ninguém me deixa tão húmida". Eis o que uma morena de cabelos compridos diz a outra de cabelos curtos, mais velha. A cena está quente. "Vamos para casa?", pergunta uma delas.
Enquadramento seguinte: uma casa com grandes janelas sem cortinas, toda virada para o mar; deve ser em Santa Mónica, Califórnia, ou coisa assim. Ambas vestem confortável lingerie preta, pelo que não percebo por que sentem tanta dificuldade em desapertá-la. Para um primeiro encontro não está nada mal.
Não sei se as lésbicas vêem muito a L Word. Os homens heterossexuais não perdem um episódio: entusiasma-os imenso o enredo cheio de mulheres de todos os estilos, despindo-se umas às outras e engalfinhando-se sem pudores. E os diálogos. A atenção que eles fixam nos diálogos! Até se pelam!
A mim, L Word [péssimo título] recorda-me umas sitcoms que passavam na tv no início dos anos 90, com jovens amigos que habitavam os mesmos bairros californianos ou nova-iorquinos, partilhando casas, cafés, camas, vivendo triângulos amorosos, às vezes hexágonos, criando e solucionando conflitos e problemas existenciais mais ou menos complexos; uns drogavam-se, outros eram betos; uns queriam mudar de vida, outros não; eram parvos, ou muito cool; adoeciam, curavam-se; engravidavam, abortavam, raramente tinham filhos... eram bué de modernos, e nós queríamos ser como eles. Alguém se lembra disto?
A L Word não é muito mais que uma série de amigos que são amigas e arfam muito. Constato, neste nomento, na RTP2:
"É verdade que nunca fizeste isto?"
(gemidos)
"Quero que te venhas", diz-lhe a de cabelo curto, como se estivesse ao quilómetro 35 da maratona.
"Meu Deus, meu Deus", responde a de cabelo comprido já a pisar a meta.


domingo, março 04, 2007

Os humanos não-humanos


As inscrições impressas nos pacotes de açúcar que nos colocam nos pires de café são cultura de massas, e a mensagem costuma ser fácil, permitindo identificação e reconhecimento imediatos. É a regra. Alguns trazem anedotas bacocas sobre maridos, mulheres e pares de cornos a rasar o chão, outros, perguntas de história do tempo em que eu andava na primária, coisas do género, "em que ano Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil"? Infelizmente, os pacotes de açúcar não ensinam grande coisa, porque seria um excelente meio para divulgação de mensagens construtivas.
Ontem, porém, colocaram-me, no pires, um pacotinho de açúcar, embalado pelos cafés Chaves de Ouro, contendo o texto do artigo 16º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Uma mensagem realmente interessante. E li, "Todos têm o direito de casar e de constituir família. No casamento, ambos os cônjuges têm direitos iguais."
Os pacotinhos de café são cultura de massas, repito, portanto, espera-se que o senhor Zé e a dona Eugénia leiam a mensagem e pensem, "pois, sim senhor, tá certo, casamento, família, iguais: Genita, qué que tu vais fazer pó jantar?!"; isto poderá ser assim tal e qual, mesmo que o senhor Zé assente a mão na dona Eugénia apenas porque sim, e ela consinta, porque até é mulher e, pronto, é fraca, ou seja, beta, porque parece que agora está na moda classificar os homens e mulheres como alfas e betas, tal como cães e lobos, sendo que há, portanto, fêmeas alfa, nas quais eu me incluo sem privilégio, como me escrevia um leitor, no outro dia, e as beta, lote a que pertencerá a dona Eugénia. E, de repente, ocorre-me que há fêmeas exactamente como eu, que foram à escola, que leram livros, e que continuam a levar porrada e a sujeitar-se a situações inenarráveis. E, também, que o senhor Zé a a dona Eugénia, em muitos, muitos casos perpetuaram-se no Tiago Bruno e na Cátia Vanessa, que eu bem os vejo.
Voltando ao acúcar, e juro não saber de onde vem tanto texto à volta de um pacote de seis por cinco, com apenas seis a oito gramas de conteúdo, o artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos que nele inscreveram não se aplica ao nosso país, e deveria, portanto, ser feita uma ressalva - em muito países, excepto em Portugal, etc. Porque em Portugal, nem todos têm o direito ao casamento: gays e lésbicas estão impedidos de o fazer. Porque em Portugal, nem todos têm o direito de constituir família: gays, lésbicas, mulheres e homens celibatários não têm acesso à procriação medicamente assistida. No caso dos gays e lésbicas, o acesso continua vedado à adopção. Nos casos que conheço de mulheres e homens solteiros candidatos à adopção, aceitaram ficar com crianças consideradas menos adoptáveis, ou seja, os restos, os rejeitados pelos casais, os meninos e meninas com deficiências psicomotoras.
Portanto, algo entra aqui em contradição: ou em Portugal não se aplicam as normas da Declaração Universal dos Direitos Humanos (e não!), porque estamos acima disso, porque somos melhores, porque temos as nossas tradições, e, nelas, gays, lésbicas e celibatários(as) não são humanos, ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos está errada do primeiro ao último parágrafo, e, portanto, gays, lésbicas e celibários não são humanos.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Eu também sou lésbica


Um filme sobre lésbicas é para mim tão escandaloso como a sopa de nabo e cenoura que acabei de engolir - cerca de meio litro!
Ainda nadava na placenta da minha mãe e posso dizer que já tinha estado dentro de uma mulher, onde gemi, mexi a boca e os dedos das mãos e os pés. E gostei, e mantive-me disposta a repetir.
Portanto, para mim, um filme sobre lésbicas será um no qual mulheres que trabalham na nossa empresa, que são da nossa família ou amigas, que se sentam ao nosso lado nos consultórios, e nos transportes, se relacionam como quaisquer pessoas. E depois, de vez em quando, ala para a cama. Mas não estou a ver que passem a vida a esfregar-se contra os azulejos da casa-de-banho do café lá de baixo. As que eu conheço não são assim.

Eu às vezes não sou lésbica; mas às vezes sou, e às vezes tenho cá uma vontade que nem vos digo. E talento.

Agora, quanto à série que aqui me traz, a que passa na 2 a partir das não-sei-quê, e que apresenta bolinha vermelha, e que verdadeiramente mantenho sem som, enquanto vou lendo e escrevendo textos para outra freguesia, pergunto-me porque motivo se intitula A Letra L.
L de lésbica? Não percebo. Só há Lésbicas?! O assunto é só aquele, mais nada?! Séries de lésbicas cuja única ocupação seja foder?
Sim, vejo que fazem pouco mais que... mas podia ser igualmente um A, um B, F, H, I, M ou W, O, K ou R, S, U, X, porque são letras igualmente lésbico-expressivas, ou não?!
Meu Deus, a expressividade da letra B e de um X, no sexo lésbico!

Na série, observo mulheres fazendo amor deitadas, em pé, rebolando-se embrulhadas, esticadas, abrindo-se, fechando-se, dobrando-se. Sempre que tiro os olhos dos relatórios e olho para o écran, há alguém em cima de alguém, entusiasmadíssimo, uma perna no ar, uma mama de lado, uma espalmada noutra... enfim, não tenho nada contra, juro mesmo, só inveja, mas... não fazem mais nada, não lêem relatórios como eu?! Não trabalham?! Ser lésbica é só foder, trocar de parceira, arranjar relações geométricas descritivamente mirabolantes? É que também quero! Quero já, digam-me por favor onde me inscrevo, onde assino por baixo?

A partir de hoje quero ser lésbica.
Sou lésbica, volto assim às origens, e não se fala mais nisso.

Ontem, olhei, e estavam umas a foder contra o vidro do tanque principal do Oceanário, com as sardinhas a passar em cardume, ao fundo, e fiquei preocupada com aquilo. E se o vidro se parte? Gastou-se muito dinheiro com o Oceanário, meus amigos, não é para estragar e matar peixinhos!
E pior, pus-me a olhar, e pareceu-me que a mulher de costas, uma que estava a esmagar uma doce menina contra o vidro do Oceanário, coitadinha, era muito, muito masculina; mas eu sou tão míope, e então pus-me a olhar um bocado melhor, porque aquela cena nunca mais acabava - também passaram os tubarões, e as raias, e os peixes-espada, deu para ver a fauna piscícola quase toda! - e descubro, muito de relance, que a mulher masculina era um homem!
Um homem?! Então mas as lésbicas fazem-no com homens?
Se querem que assine, vamos lá ver, ou sou lésbica ou durmo com homens, vamos lá a ver... agora as duas coisas...
Isto é que deve ser o fim do mundo como dizia a minha avózinha de quem nunca vos falei, a que me ensinou, mas eu esqueci, a história do meio-pinto.
Enfin (leia-se à francesa)!


(Postei imagem de umas meninas todas bronzeadas, e ao molho, embora não veja nada na caixa de edição nem no blogue - continua a trabalhar-se às cegas, por aqui! Valha-nos o texto!)

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...