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domingo, fevereiro 17, 2008

Infértil

No lugar do quarto onde pensei colocar o berço do meu filho, muito junto a mim, perto da cabeceira, pus as camas das cadelas. Uns açafates de verga forrados a mantas que eu própria crochetei, aproveitando restos de lã de há 20 anos. Umas alcofas, como a minha mãe lhe chama. As camas das minhas cadelas parecem-se com a alcofa na qual passei os meus primeiros meses de vida, mas sem rendinhas. Ouço-as respirar a noite inteira. Não choram e não tem crises de dentes, apenas mijam frequentemente fora do bacio. Ralho-lhes só um bocadinho. E limpo. Fazem-me aqueles olhinhos piedosos. Cedo.
Podemos ir adiando para o mais longínquo milénio
a adultícia, e as coisas sérias da existência que nos levam a sair cedo da cama, mas não conseguimos adiar o nosso corpo por uma singela década.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Toma-me e leva-me

Sou a única mulher de 45 anos que, à sexta-feira, às vezes ao sábado, se abraça aos ursos castanhos das lojas Natura Selection, segredando-lhes telepaticamente, "toma-me para ti e leva-me contigo". Estarem ali tão presos ao chão, imóveis, e terem sido fabricados em material sintético, não muda a autenticidade das minhas intenções.

sábado, agosto 20, 2005

Iniluminável


Antes de rezar e a bela Ave-maria dos perdidos, repisando casa palavra como se pudesse vê-la cumprida, deixa-me reviver os rostos humanos escorraçados da minha gambiarra de estrelas, os que foram iluminando as estradas vazias por onde passei, passando sem retorno, perdida na distância da minha iniluminável insatisfação.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...