No lugar do quarto onde pensei colocar o berço do meu filho, muito junto a mim, perto da cabeceira, pus as camas das cadelas. Uns açafates de verga forrados a mantas que eu própria crochetei, aproveitando restos de lã de há 20 anos. Umas alcofas, como a minha mãe lhe chama. As camas das minhas cadelas parecem-se com a alcofa na qual passei os meus primeiros meses de vida, mas sem rendinhas. Ouço-as respirar a noite inteira. Não choram e não tem crises de dentes, apenas mijam frequentemente fora do bacio. Ralho-lhes só um bocadinho. E limpo. Fazem-me aqueles olhinhos piedosos. Cedo.
Podemos ir adiando para o mais longínquo milénio a adultícia, e as coisas sérias da existência que nos levam a sair cedo da cama, mas não conseguimos adiar o nosso corpo por uma singela década.
Podemos ir adiando para o mais longínquo milénio a adultícia, e as coisas sérias da existência que nos levam a sair cedo da cama, mas não conseguimos adiar o nosso corpo por uma singela década.