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terça-feira, dezembro 19, 2006

Natureza primária

As minhas anedotas preferidas são as mais simples, as que ilustram pequenas gaffes ou situações incongruentes do quotidiano, desmascarando a nossa natureza tão contraditória.
Ontem, contaram-me ao almoço uma anedota que me fez rir o resto do dia, mas, se calhar, só eu é que acho piada a isto.
Era uma manifestação de desempregados, e todos gritavam, "queremos trabalho, queremos trabalho, queremos trabalho". Aparece um empresário, acerca-se de um manifestante exaltado e diz-lhe, "ouça, amigo, eu posso resolver o seu problema; tenho trabalho para si". O manifestante responde-lhe, "oh, homem, sinceramente, com tanta gente que aqui está, e você tinha logo que vir ter comigo!".
Eu sei que parece uma daquelas deixas entre o palhaço rico e o palhaço pobre, mas continuo a rir-me com as coisas muito simples que fazem rir as crianças. Às vezes sinto que em alguns aspectos nunca cresci, e isso é o que ainda me espanta.


quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Reflexões sobre a proximidade física post mortem

O senhor bispo auxiliar de Lisboa, Carlos Azevedo, afirmou, no Domingo, em entrevista ao programa Diga lá Excelência, da Rádio Renascença, que, no que respeita ao facto de a irmãzinha Lúcia ficar sepultada juntos dos priminhos, antes da sua canonização, o acto justifica-se por se tratar de "permitir a proximidade física a quem esteve unido numa experiência espiritual profunda".
Isto deixou-me muito preocupada, porque não sei quem foram, em vida, aqueles ao lado de quem o meu paizinho está enterrado. Que saiba, não viveram, em conjunto, qualquer experiência espiritual profunda, a não ser a do sopro de vida individual, independente, mas simultâneo. A verdade é que as campas ao lado da do meu pai nunca têm flores. Nem nos Finados, nem no Natal, nem na Páscoa. Nunca. Os homens terão sido rejeitados pela família? Foram criminosos? Um tem um nome estrangeiro, do qual muito desconfio. Porque se isto da proximidade física na cova é importante, então temos de fazer muitos levantamentos ali ao cemitério do Feijó, já que a minha querida prima D., e o marido, B, que viveram casados 60 anos, estão enterrados em extremidades opostas do referido cemitério. E, então, está tudo mal, porque esses viveram mesmo, uma experiência espiritual profunda.
Bem, mas, se calhar, como uns anos antes de morrer se tornaram Testemunhas de Jeová, talvez não tenha tanta importância!

domingo, janeiro 22, 2006

Eufemismos

A eleição de Cavaco Silva para a Presidência da República vem tornar o País mais governável.

Resistir

Eis uma velha anedota sobre judeus, que ouvi já não sei onde nem quando, mas que me parece oportuna:
- chegou o dia final, o Apocalipse, amanhã vamos ser todos engolidos pelas águas, o pânico espalha-se e, no meio do caos total, um judeu diz à mulher, com a maior das calmas: temos 24 horas para aprender a viver debaixo de água!

sábado, agosto 20, 2005

E se o C.B. for... eu?!

"Como conseguiste tu, ó C.B., os aprofundados conhecimentos da mundividência feminina, de que te tens servido para construir esta Isabela? É que nem João Garcia de Guilhade, nem Pero Meogo... És perfeito demais, malandro! Essa Isabela é a tua melhor criação".
Este é o teor de grande parte dos mails que "ele" recebe no endereço pessoal, o qual eu controlo.
Não quero ser desmancha-prazeres, mas e se o C.B. não existir e tiver sido inventado pela Isabela? Como conseguiu ela os necessários conhecimentos aprofundados da mundividência masculina? Por que não pode a Isabela ser perfeita demais? Por que não pode o C.B. ser a sua melhor criação?

sábado, julho 23, 2005

C.B. e Isabela: a intimidade

O C. B., ontem, "agarrado já ao apaziguador cigarrinho poscoital", dengoso, eu ainda a ver se me orientava, saiu-se-me com esta, "e se agora chamássemos àquela merda O Mundo Ferpeito"?
Há momentos iluminados!

segunda-feira, julho 11, 2005

Esclarecimento à população


1. Até ao momento, nem o Ministério da Educação nem o da Ciência e Tecnologia nem a Porto Editora, a Texto ou congéneres, nem sequer a Associação de Professores de Português estabeleceram contactos com esta administração, visando a concessão de patrocínios; não nos foram, ainda, adjudicadas quaisquer empreitadas no âmbito do aperfeiçoamento das competências vocabulares da língua materna.
Por esse motivo, será liminarmente devolvida ao remetente toda a correspondência solicitando subsídio para compra de dicionários e gramáticas da Língua Portuguesa, o que acontece, periodicamente, sempre que a lagarta da fruta se lembra de esticar os cornichos para fora do caroço. Graças a Deus, é raro!

2. Nunca houve, da metade sensata deste blog, a intenção de transformar o que pode ser perfeito num ghetto para especialistas em Linguística, variante de dialectologia aplicada, especialidade em “variantes regionais paleontológicas”, mais concretamente, “gíria do calhau e do torrão das berças”.

3. Reafirmo o propósito individual de continuar a realizar duplicados esforços para moderar a mera ostentação de dotes verbais, que mal contenho, evitando o gratuito malabarismo estilístico, e assegurando, democraticamente, a qualquer alma detentora dos rudimentos da escolaridade básica obrigatória, mesmo com duas negas oficiais somadas a mais duas votadas por bom comportamento, o fácil acesso a este espaço.

4. Não é possível, contudo, negar a geminação fundacional deste blog a duas associações que muito têm contribuído para a manutenção dos níveis óptimos de desempenho até agora obtidos pelos seus criadores:
1º A Associação Internacional das Cabrazanas Assumidas (estes movimentos são sempre transfronteiriços, dado que a troca de experiências é fundamental para o aprofundamento das investigações em curso).
2º O Clube Unicamente Português dos Grunhos Empedernidos (embora reste um número ínfimo de exemplares em Espanha e Itália, é em Portugal que a espécie encontra o habitat propício à procriação, bem como ao desenvolvimento de núcleos gregários – associais, contudo).

Lamento não poder, de momento, fornecer os linques, mas quer a primeira quer o segundo se encontram em processo de actualização, dado o número anormal de inscrições que se tem vindo a registar desde que abrimos este espaço.

sexta-feira, julho 01, 2005

C. B. e Isabela: a verdade II


Não vale a pena continuarmos a esconder-nos atrás da máscara do anonimato. Isto, mais tarde ou mais cedo, vinha-se a saber. Aqui está: C. Barroso e Isabela após arrancaralhos, digo, arrancar alhos.

A verdade é esta: sou a madre superiora de um convento cujo nome não divulgarei, isto para não ser incomodada com buzinadelas ao portão, e ditos do género, "Ó Isabela, queres que te arranje a panela?" Haja juízo! Respeitinho.
Quem nos trata da hortaliça é o senhor Barroso. É um excelente hortelão. Ele rasga a terra com os instrumentos adequados. Ele semeia. Ele poda. Ele colhe. Agora deve andar de volta dos legumes. Um momentinho...
- Irmã Inocência das Dores, viu o senhor Barroso? Ah, pois... ! Vá com Deus, Irmã: não se esqueça das vésperas.
Parece que o senhor Barroso anda ali a regar os grelos. Temos grelos de toda a qualidade; de couve, de nabo... temos nabiças. E o senhor Barroso é incansável, todos os dias nos rega os grelos e vai observando a fruta, a ver quando se pode comer. É um bocadinho abrutalhado, às vezes deita-lhe muito a mão: apalpa demais - e a fruta ressente-se, fica tocada. Os pêssegos, por exemplo. Não se apalpa um pêssego de qualque maneira.
Seja como for, é quem nos vale, o senhor Barroso. Nunca estivemos tão bem servidas.

terça-feira, junho 21, 2005

C. B. e Isabela: a verdade!


E se a Isabela fosse um homem?, perguntava um anónimo há uns tempos? Posso ir mais longe: e se afinal, C.B., esse senhor menos assíduo, falasse fininho e fosse a minha legítima esposa?
Têm questionado a nossa identidade sexual, os nossos papéis: as pessoas lá têm a sua intuição!, percebem incoerências que acabamos por não controlar na pressa do post diário. A teia tem a malha larga, digamos.
Comecemos pelo C.B. Concordo que denota pouca consistência como personagem: oferece demasiado espaço à sua companheira de blog; não se impõe, deixa-a tomar as rédeas, “espraia-te para aí à vontade, miúda”, diz. Uns dias escreve poemas, os mais belos a seguir aos mais belos, às vezes dá-lhe para as agriculturas e vem, indignado, reclamar dos subsídios e burocracias comunitárias, bem como das engenheiras de salto alto que lhe aparecem na herdade e nas quais encontra uma única utilidade, nós bem sabemos qual; outros, solta-se-lhe uma nostalgia de macho cavernícola, e invectiva a fêmea, rasteirando a outra metade do blog, contrariando-a gratuitamente, enquanto sonha com o par de mamas da Laetitia Casta, as pernas da Latitia Casta, os olhos da Laetitia Casta... Convenhamos que a bela anca, a pele macia, a Laetitia Casta inteira a rojar-se pelo chão da caverna... só se for em nome da arte, do cinema e da fotografia de autor!
Personagem com defeitos de construção, mal elaborada; dir-se-ia pouco à vontade neste formato. Humana, apesar de tudo. Muito mais falha, portanto muito mais humana que essa Isabela.
Esse doce monumento chamado Isabela! Esse “fascinante” animal, “luz”, “vulcão”. Feminista e fêmea sem recurso. Por um lado, imbuída de um espírito de missão que pretende assinalar e cauterizar os males masculinos; por outro, sedutora e seduzível, desejável e desejante, perigosa, porque poderosa. Que mulher, meu Deus! Sejamos sinceros. Parece-vos real? Acham que este ser feminino, este rasto de fêmea olorosa e autónoma pode existir no nosso mundo? Não se percebe, à primeira, que a Isabela é demais!
Hoje, dia em que me abstive de trabalhar, e tenho tempo livre, decido contar toda a verdade.
A Isabela sou eu, Isolino, 42 anos, casado, professor de História de Arte há 20. A Isabela é a minha criação. Até hoje, a melhor coisinha que criei. Essa Isabela, se fosse real, seria minha, porque criei-a para mim, para o meu desejo, para a minha imperfeição. Se a Isabela existisse, meu Deus!, a minha Carla, que veio do Barroso e anda agora lá por fora a borrifar as alfaces, ficava em maus lençóis matrimoniais. E eu gosto da Carla! Se essa Isabela, essa escultura de sensualidade, sensibilidade, desejo, inteligência e risco existisse, eu estragava a minha vida, punha-a de pantanas, porque teria de ser minha e eu dela. Para sempre, minha. Para sempre colado aos seus olhos, lábios, a fazer-lhe tranças nos cabelos de ouro fino que lhe inventei, a repetir-lhe ao ouvido que a amava, como nenhum homem, nunca, lhe diria, nunca, e não saberia respirar sem o seu cheiro doce de fêmea, andar sem o som incerto dos seus passos quebrados, escutar o que não fosse a sua voz lenta e meiga. Isabela, o equilíbrio perfeito entre o excesso e a contenção: o mundo perfeito. Isabela: cede, mas não baixa; entrega, mas não perde; temo-la, mas nunca certa. Pede luta, conquista. Quer duelo. Dá trabalho. E, por ela, quero lutar, conquistar, duelar, ter trabalho. Vencida a guerra, que troféu, essa mulher nas minhas mãos! Morria para ter essa mulher. Quem não morria para ter essa "mulher cem por cento"? Se existisse, se eu, um de nós, amigos, conseguisse tê-la, o êxtase de Santa Teresa seria nada.
A Isabela foi desenhada para que cada um de nós se sentisse mais homem. É uma mescla bem conseguida das minhas divas; um pouco de cada uma: Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, Elisabeth Taylor, Isabela Rosselini, Jane Fonda, Anita Ekberg, Susan Sarandon... Estudei-as bem. Fotos. Filmes. Documentários. Fotografias. Confesso. Adoro estas mulheres. Adoro mulheres.

A minha Carla não está mal! É uma morena rebolona de cabelo crespo, jeitosa, fogosa. Dorme-se bem com ela. Gosta. E tem força. Não me queixo. A Isabela não passa de uma Carla com mais brilho, mais tinta, mais penteado, melhor vestida e calçada, com mais cremes, menos terra nas unhas, e educada, certo; A Carla veio da província, e isso marcá-la-á para sempre. Estudou pouco. Fui professor na terra dela. Trouxe-a comigo, porque me quis. Ela é que me quis; fui escolhido e deixei-me ir. Depois, arrebatei-a à solidão dos montes e dos rios.
Pura. Objectiva. Outras vezes, lírica. Escreve bem. Escreve os posts do C.B. E como me surpreendo que esta mulher sem tempo, que trata da horta, do pomar, do filho, da cozinha, da lida e me pergunta que camisa quero passada e se juntei as cuecas para lavar, escreva o que escreve e como escreve! Porque a personagem C.B. não mantém uma linearidade temática, mas qualidade, senhores e senhoras, vamos lá ver, eu sei o que é qualidade! A Carla escreve bem seja o que for, precisa é de tempo. A Carla sai do quintal, desembrulha-se com as tarefas da casa, pega no lápis enquanto eu ocupo o pc a inventar essa Isabela e mais o que gostaria que ela me fizesse, e anda ali 4 ou 5 dias de volta de um poema, de um texto. Aquilo demora, mas quando sai, sai bem, sai sem mácula. Tortura-se, bem vejo, mas como admiro esta mulher que veio do cu do mundo, sem nada, a não ser intuição animal e, apesar de tudo, tem esta “mão”. A Isabela é uma boneca que desejamos, uma caricatura; nunca, na verdade, chegará aos pés de uma mulher real, de carne, cujo talento eu não construí, que não bamboleia as ancas, que se enterra na lama do quintal a plantar cebolinho...
Eis toda a verdade. Sei que após esta revelação dificilmente enfrentarão a Isabela ou o C.B. com o mesmo olhar. Corro o risco inevitável. Mas a Isabela continuará a Isabela, apesar da barba na cara e do par de tomates, tal como o C.B. se manterá C.B., agora com a vozinha mais aguda. Estou a ouvi-lo(a) lá fora chamar o miúdo para a banheira!
A Carla, que me incentivou a criar este blog, que achou que eu precisava de gastar certas energias malfazejas (ela é que o nomeou, para dizer a verdade!) não vai gostar de saber, logo à noite, que revelei toda a verdade.
Carla, desculpa, sabes que só vivo com a verdade. Tu és, tu sabes, a minha Isabela! És tu o meu risco. Amar, amar é a ti, Carla. É a ti que amo!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...