
Ao longo da semana coleccionei todos os pacotes de açúcar que acompanharam cafés, galões e diversos chás que fui bebendo. Ao todo, contei hoje, 38 saquetas contendo cerca de 9 gramas de açúcar cada um. Façamos as contas: multiplicando 9 gramas por 38 pacotes, obtemos um consumo de 342 gramas semanais, ou seja, 1,368 por mês. Quase um quilo e meio de açúcar! Não é pelo preço do açúcar, claro, mas parece-me doce a mais. Somando-o ao dos pastéis de nata, e aos açúcares naturais contidos nos alimentos mais inofensivos, acabamos por nos tornar numa gigantesca escultura açucarada, com dentes cariados, pneu na cintura, mas nem por isso criaturas mais doces.
As pessoas sempre se sentiram felizes com guloseimas, em todos os tempos, mas estas não estavam tão disponíveis, e os meios de subsistência eram escassos e incertos como hoje não nos é possível conceber. No campo, era necessário garantirem o pão e o toucinho para o jantar. Era preciso encher a barriga porque era precisa força para trabalhar. Qual açúcar! Uma colher rasa do mascavado no café tomado à noite! Muito bem racionado: uma colher para o pai e só meia para a mãe e filhos. Quando havia.
A minha mãe gosta de recordar comigo os tempos em que ia à romaria com o irmão mais novo, por volta de 1933, e gastavam dois tostões: um na ilustração de um santinho da devoção, e outro guardado religiosamente para um pirulito - o único que saboreavam ao longo do ano. E chegava. Eram felizes. É isso que sinto quando ouço a minha mãe contar-me a vida tal como a viveu antes da II Grande Guerra, e depois. Eram felizes. O nosso tempo, privilegiado como se tornou, confundiu o açúcar com a felicidade. De acordo com a minha mãe, hoje, os pobres consomem como os ricos do seu tempo. E, no entanto, são tão tristes!
As pessoas sempre se sentiram felizes com guloseimas, em todos os tempos, mas estas não estavam tão disponíveis, e os meios de subsistência eram escassos e incertos como hoje não nos é possível conceber. No campo, era necessário garantirem o pão e o toucinho para o jantar. Era preciso encher a barriga porque era precisa força para trabalhar. Qual açúcar! Uma colher rasa do mascavado no café tomado à noite! Muito bem racionado: uma colher para o pai e só meia para a mãe e filhos. Quando havia.
A minha mãe gosta de recordar comigo os tempos em que ia à romaria com o irmão mais novo, por volta de 1933, e gastavam dois tostões: um na ilustração de um santinho da devoção, e outro guardado religiosamente para um pirulito - o único que saboreavam ao longo do ano. E chegava. Eram felizes. É isso que sinto quando ouço a minha mãe contar-me a vida tal como a viveu antes da II Grande Guerra, e depois. Eram felizes. O nosso tempo, privilegiado como se tornou, confundiu o açúcar com a felicidade. De acordo com a minha mãe, hoje, os pobres consomem como os ricos do seu tempo. E, no entanto, são tão tristes!