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quarta-feira, junho 25, 2008

Como eles falam das mulheres


Vinham entrando no café a falar de mulheres. Dois homens. Um deles, jovem, alto, de cabelo ondulado, pele clara. O outro, de 40 e tal, 50, envelhecido, cabelo branco, crespo, pele escura, baixo. Ambos vestidos com roupa de trabalho num dia feriado. Oficina. Biscates em obras. Uma ou outra.
Conversavam e discordavam. O mais velho parecia defender uma mulher que o mais novo rejeitava. E argumentava, a Liliana não! Perante a negação, o mais novo impede-lhe o andamento, encostando a mão ao seu peito, o braço esticado, indignado, quase perdendo a estribeiras, a Liliana não?!, a Liliana não?!, só a Liliana foram duas vezes, ali no escritório, lá em cima, que ela me assediou... uma vez ia eu nas escadas, agarrou-se a mim, parecia maluca, a querer beijar-me, a querer beijar-me... Eu é que tive de a afastar e dizer-lhe, eh-la-oh, que é isso?!, tás maluca ó quê?!, senão...

Depois reparou em mim, o mais novo, ou melhor, percebeu a minha indisfarçável atenção, e continuou em voz mais baixa, mas ainda audível, e já viste as pernas da gaja, já viste a maneira como a gaja anda? Aquilo é gado batido.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Quando o Jarbas me trazia o café au lait é que era bom

Luz da manhã, tal como não a vejo.


As manhãs muito matinais sempre me doeram.
Eu e Deus sabemos o esforço com que saio da cama, abro os olhos, e me ponho em estado ligeiramente decente para encarar as primeiras horas, com péssimo humor, olhos e voz de ressaca até ao almoço. É assim desde que me lembro, Inverno ou Verão, mas pior no Inverno, e nunca, nunca consegui disfarçar. Não suporto escutar rádio, o trânsito, a temperatura, nada.

Preparo tudo aquilo de que preciso na noite anterior: roupa, pasta, quaisquer objectos necessários, porque de manhã o meu corpo limita-se aos mínimos de sobrevivência. O próprio barulho da ventoinha do aquecedor me incomoda, enquanto me visto e calço.

Hoje, precisei de ir muito cedo a Lisboa.

Chegada, inscrevi-me numa dada lista, e fui tomar o pequeno-almoço a um destes novos cafés que se chamam coffee house, e que se dividem em três áreas distintas, destinadas a consumidores distintos ou horas distintas, não percebo nem tenho interesse, mas já agora descrevo: primeira, cadeiras de palha clara; segunda, um corredor com mobiliário em madeira-mel; terceira, fundo em sofás de couro preto; é um bairro de prédios muito finos, e não existia nenhum outro lugar de comes e bebes aberto tão cedo.

Fui a primeiríssima cliente. Enquanto consumia o mesmo de sempre, o que peço nos cafés e pastelarias normais, galão e croissant, mas, neste, mais caros, mais pequenos e de pior sabor, tudo sem excepção, fui torturada por uma chinfrineira musical pop, de batida electrónica inaudível e irreconhecível. Um horror de ruído, prolongamento do dos bares nocturnos, caso aquele lugar o fosse, o qual, os empregados, todos eles anestesiados, e um bocado surdos, pude notar, pareciam não escutar. Aquilo não os animava, porque se moviam lentamente, limpando e organizando desmotivadamente pequenas peças de qualquer coisa que também tinia.

Tive muita dificuldade em distinguir, naquela música, vozes de intérpretes e som dos instrumentos. Pareciam-me o mesmo. Tenho a certeza. Ambos electrónicos de fancaria. Mas o meu objectivo nem é julgar a qualidade musical do ruído, apenas o volume em que se encontrava sintonizado.
Ficaram nitidamente aborrecidos com o meu pedido para o baixar. E foi complicado fazerem-no. E só um bocadinho.

As manhãs são-me tão difíceis que o único alívio é o silêncio. Às 8 da manhã, o silêncio deveria ser universalmente obrigatório, e quem precisasse de encher o vazio, para não tropeçar nele, deveria realizá-lo com head phones, ou num aquário-gueto especial, como aqueles onde agora se juntam, e muito bem, e muito civilizadamente, os fumadores.
Para isto me soar a um poste de outro blogue, só me falta acrescentar que tais comportamentos espelham a típica falta de classe do nefasto alargamento da classe média...


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...